Resenha | Últimas Mensagens Recebidas (Emily Trunko)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Últimas Mensagens Recebidas
Emily Trunko
R$ 29,80 até R$ 35,30
ISBN-13: 9788555340604
ISBN-10: 8555340608
Ano: 2017 / Páginas: 1768
Idioma: português
Editora: Seguinte

Quando uma mensagem é a última, ela pode significar um fim, uma perda, ou até um alívio. E se você fosse o destinatário?
A partir de contribuições anônimas, a jovem Emily Trunko reuniu nesta coletânea mensagens que contam histórias reais sobre os mais variados tipos de despedida: o fim de uma amizade, o término de um relacionamento ou até mesmo um acontecimento trágico que muda a vida do destinatário e do remetente para sempre.
Enviadas por celular, por e-mail ou pelas redes sociais, essas mensagens narram perdas profundas e inspiram muita reflexão. Será que não deveríamos expressar mais o amor que sentimos pelas pessoas enquanto isso ainda é possível? Ou, em alguns casos, nos afastar o quanto antes daquelas que nos fazem mal?


Ai gente, quando eu solicitei esse livro eu não imaginava que fosse ser tão sofrido. Às vezes alguém simplesmente sai de nossas vidas, sem mais nem menos, às vezes eles nos deixam uma mensagem enigmática, e algumas vezes eles simplesmente são cruéis. O intuito dessa página era mostrar que milhares de pessoas passaram e passam todos os dias pela mesma situação. Você não está sozinho. 

 

O livro não é um romance, e sim um compilado de últimas mensagens... Seja por e-mail, SMS, redes sociais, bilhetes, etc. Os finais são os mais variados possíveis: desde finais de relacionamento, brigas familiares, amizades desfeitas, relacionamentos abusivos, assédio sexual e até mensagens de suicídio e acidentes. Enfim... são muitas histórias que nos fazem refletir sobre aquelas pessoas e como tudo aconteceu para que tudo culminasse naquela mensagem. Há mensagens tanto de quem enviou as quanto de quem as recebeu. 


Tem mensagens verdadeiramente cruéis e eu fiquei pensando em como tem gente que não tem responsabilidade afetiva com os outros e simplesmente despeja alguns tipos de mensagens, nem se preocupam com o que a outra pessoa está sentindo. E pior, quando sabem que a pessoa tem transtornos psicológicos, fazem questão de machucar. Este livro me tocou de uma forma que eu nem consigo explicar. Depois que li me peguei pensando e refletindo sobre as minhas próprias últimas mensagens. 




A edição está belíssima, tem capa dura e é totalmente ilustrada. O projeto gráfico está impecável. A Seguinte realmente caprichou neste livro. Já estou doida pelo próximo da autora que é sobre cartas jamais enviadas. Se ela quiser minha colaboração, estou disponível hahaha Tenho várias cartas nunca enviadas. 

Crítica | Me chame pelo seu nome (2018)

domingo, 14 de janeiro de 2018


Título: Call Me By Your Name (Original)
Ano produção: 2017
Dirigido por: Luca Guadagnino
Estreia: 18 de Janeiro de 2018 ( Brasil )
Duração: 130 minutos
Gênero: Drama Romance

O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando chega Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.

Apesar de estarmos em tempos de liberdade de expressão e amor, o romance gay ainda é um tabu, principalmente para o cinema. Logo após o sucesso de Brokeback Mountain, os filmes de temática GLBT ganharam uma certa força, mas sempre carregando um dramalhão com muitas dores e dificuldades. Apesar de sabermos de que essa é a realidade de muitos, por que não podemos ter um filme de romance gay onde o foco principal é o amor e toda a carga dramática ficar só como plano de fundo!?



Me Chame pelo Seu Nome, de Luca Guadagnino finalmente nos traz uma história de amor e foca no mesmo. Baseado no livro homônimo, Call Me By Your Name (título original) nos leva para uma casa de campo artística na Itália de 1983, onde o italiano, o inglês e o francês são falados sem enrolações. E é aqui onde mora Éllio (Timothée Chalamet). Seu pai (Michael Stuhlbarg) recebe o acadêmico americano Oliver (Armie Hammer). Aos poucos os dois vão descobrindo uma amizade maior que os dois esperavam. 



Mas certas dificuldades cercam os dois, como o fato de Éllio ainda ser mais novo e estar descobrindo o mundo, o medo da rejeição e o preconceito da família e amigos, o tabu da idade (Éllio é bem mais novo que Oliver). Mas tudo em boas dosagens e sem tirar o foco do que realmente importa, o amor latente de Éllio e Oliver, apenas pecando um pouco no ritmo.



Como um bom filme de amor, a sensualidade está presente. As cenas de sexo são mostradas de uma forma respeitosa nos deixando encantados e apaixonados. E sim, tem Armie pagando bundinha.

Para completar e deixar tudo melhor, a fotografia do filme é um deleite para os olhos, acompanhado de uma trilha sonora maravilhosa, composta por Sufjan Stevens (escute Mystery of Love, que é apaixonante), ou seja, aqui o ditado “beleza não põe mesa” não se aplica aqui. Os atores, o cenário, a fotografia, são lindos de se ver.



Apesar de o filme demorar para ”pegar no tranco”, é um ótimo filme, e faz por merecer suas indicações de prêmios.

Então, se busca um bom filme de romance, assista Me Chame Pelo Seu Nome, que estreia nos cinemas brasileiros dia 18 de Janeiro de 2018.

Resenha | O livro do cemitério (Neil Gaiman) HQ - Volume 1

O Livro do Cemitério
Edição em HQ
O Livro do Cemitério # 1
Neil Gaiman
P. Craig Russell
R$ 28,30 até R$ 28,90
ISBN-13: 9788579803864
ISBN-10: 8579803861
Ano: 2017 / Páginas: 192
Idioma: português
Editora: Rocco Jovens Leitores

Bestseller do The New York Times e premiado com as medalhas Newbery (EUA) e Carnegie (Reino Unido), o romance O livro do cemitério, do cultuado escritor Neil Gaiman, ganha versão em quadrinhos adaptada por P. Craig Russell, parceiro de Gaiman em diversos livros, incluindo a versão em HQ de outro clássico do autor, Coraline. O livro é o primeiro de dois volumes que acompanham a trajetória de Ninguém Owens, ou Nin, um garoto como outro qualquer, exceto pelo fato de morar em um cemitério e ser criado por fantasmas. Cada capítulo nesta adaptação de Russell acompanha dois anos da vida do menino e é ilustrado por um artista diferente, apresentando uma variedade fascinante de estilos que dão ainda mais vida à atmosfera ao mesmo tempo afetuosa e sombria da história.

O livro do cemitério HQ é adaptação do romance homônimo, de Neil Gaiman. A história é sobre um garotinho chamado Ninguém - Nin - Owens. Nin teve a família assassinada quando ainda era apenas um bebê e foi dessa forma que acabou indo parar no cemitério. O menino foi acolhido e criado por fantasmas e Silas - uma espécie de zelador - que acabou se tornando meio que um padrinho do garoto, seu guardião. 

Cada capítulo conta a história de 2 anos da vida de Nin. Na história tem várias aventuras e encrencas que ele se mete com seus amigos fantasmas, e até uma amiga humana que ele faz. No cemitério só ele está vivo, e por morar lá ele ganhou a liberdade do cemitério, e com ela algumas habilidades que só funcionam enquanto ele estiver lá, e é lá que ele deve permanecer para que fique em segurança, até ser capaz de cuidar da própria vida. 



Ahhhh gente, Neil Gaiman é mesmo o cara viu. Já li alguns livros dele e o cara sempre tem aquele jeito de contar histórias que nos dá aquela nostalgia, lembrar da infância e de como éramos inocentes, sem maldade e destemidos. Apesar da cena inicial ter me chocado um pouco, pois o livro está no selo jovens leitores, ao passar das páginas o leitor vai vendo como Gaiman fala da morte de maneira singela, levemente poética e fantástica ao mesmo tempo. Embora a história seja uma fantasia, ela está cheia de nuances da realidade. É encantadora a forma como ele faz o jovem leitor perceber que não há nada de pavoroso na morte, que isso é um procedimento natural da vida. 

Outra coisa que eu amei foi a educação que Nin recebeu do casal Owens e principalmente de Silas, que é seu tutor também, lhe trazendo informações de além dos muros do cemitério. Silas é doce, paciente e à sua maneira tem muito afeto por Nin. Se preocupa muito com o bem-estar do garoto e tenta ajudá-lo em tudo que pode. Não fica explícito na HQ mas acredito que pelas ilustrações Silas é um vampiro, pois ele diz que é um tipo solitário e que não está vivo e nem morto. Eu realmente me apaixonei pela relação dos dois. Em dois momentos Nin sente vontade de abraçar Silas, mas devido ao jeito deste ser todo fechado, ele recua. É muito fofo gente! 



Agora estou super ansiosa pelo segundo volume que será o desfecho da história. Finalmente saberemos a motivação do assassinato dos pais de Nin. Que organização é esta por trás dessas mortes? E por quê eles queriam matar um bebê? Também estou curiosa acerca da Dama de Cinza e dos Executores, foi um dos capítulos mais legais, o que ele conheceu a Scarlet. Achei muito fofa a amizade dos dois também.

Cada capítulo é ilustrado por uma pessoa. Todas elas são muito lindas, mas preciso confessar que gostei mais de alguns traços do que de outros. Porém a edição como um todo é belíssima! Recomendo para qualquer idade. Se fosse nas mãos de qualquer outro autor talvez esta história fosse de horror, pois o plot remete muito a isso, mas Neil Gaiman tem o poder de transformar um enredo como esse em uma belíssima alegoria da vida real. 


Resenha | A fogueira (Krysten Ritter)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A Fogueira
Krysten Ritter
R$ 26,20 até R$ 33,90
ISBN-13: 9788595170315
ISBN-10: 8595170312
Ano: 2017 / Páginas: 288
Idioma: português 
Editora: Fábrica231

Com lançamento simultâneo no Brasil e nos EUA, A fogueira é o livro de estreia da atriz Krysten Ritter, protagonista do premiado seriado da Netflix Jessica Jones e conhecida também por seus papéis em Os defensores e Breaking Bad, entre outros filmes e séries. Na trama, Abby Williams é uma advogada de 28 anos especializada em questões ambientais. Hoje uma mulher independente vivendo em Chicago, Abby teve uma adolescência problemática numa cidadezinha no estado de Indiana que até hoje ela luta para esquecer. Mas um caso de contaminação envolvendo uma grande empresa obriga Abby a voltar à pequena Barrens e confrontar seu próprio passado. Quanto mais sua equipe avança nas investigações sobre a Optimal Plastics, mais Abby se aproxima também da verdade sobre o misterioso desaparecimento de sua antiga melhor amiga anos atrás e de outros acontecimentos até então sem resposta.



A fogueira é um thriller escrito pela atriz, cantora, roteirista, e agora escritora, Krysten Ritter. Não sabe quem ela é? É a nossa querida Jessica Jones! Ela também já fez participação na série Breaking Bad e protagonizou a série Não Confie na Vadia do Apartamento 23. Além de vários filmes, um deles Os delírios de consumo de Becky Bloom. 

O livro é narrado em primeira pessoa, pela protagonista Abby Williams, uma advogada especializada em direitos ambientais. Abby é uma mulher bem sucedida, natural de Barrens, uma cidadezinha pequena no estado de Indiana, mas que há muitos anos saiu de lá para morar em Chicago. Abby não é casada e nem tem namorado fixo, pelo contrário, ela é super desapegada e coleciona uma série de casinhos. 

O escritório de Abby pega um caso onde precisa investigar a Optimal Plastics, uma empresa que é a principal fonte da movimentação econômica de Barrens. Ela e um outro advogado tem que checar uma denúncia que diz que a Optimal está poluindo a água da cidade, onde muitas pessoas já adoeceram por causa da água. Sua antiga amiga de infância, e também líder do bullying contra Abby na adolescência, desaparece e Abby vai cavar fundo para saber o que está acontecendo. Então Abby precisa voltar ao lugar de onde ela saiu há uma década e para onde jurou nunca mais voltar. 

Então gente, esse plot não é o que podemos chamar de inédito, pois existem milhares de histórias por aí com a premissa parecida. É certo que é uma fórmula de bolo e que já foi provada muitas vezes que funciona e muito bem. A personagem sofria muito bullying na adolescência pela 'abelha-rainha' e suas súditas, e quando se formou foi embora de Barrens levando consigo todos os traumas e mágoas do passado. Tão logo ela retorna a Barrens, as lembranças que ela fez questão de esquecer vem voltando, Abby percebe que nada por ali mudara, aquela maldita cidade continuava igual, todo mundo cuidava da vida de todo mundo, menos da sua própria.

Temos então dois plots paralelos, um é a investigação contra a empresa e o outro é sobre o passado de Abby, que particularmente eu achei mais interessante. A investigação é um tanto clichê, eu diria até previsível. Bom, pelo menos pra mim foi. A personagem não é o que se pode chamar de cativante, ela é bem mal humorada, bebe muito e é bem introspectiva. Não sei se é porque eu li esse livro pensando "Foi a Jessica Jones quem escreveu", mas eu achei a Abby muito parecida com a Jessica, com esse jeito taciturno de ser.

A história é bem escrita, a narrativa da Krysten é gostosa e dá pra ver que ela leva jeito. Ao contrário de alguns livros escritos por atrizes, este não tem coautor, ou pelo menos não explicitamente. A trama é boa, as descrições são boas, e é interessante ver como a personagem vai lidando com seus assuntos inacabados do passado. O livro aborda diversos assuntos que estão super em pauta, como misoginia, relacionamentos tóxicos, bullying, corrupção, etc. 

Achei alguns erros na edição que li, mas nada que atrapalhasse a leitura. Gostei da explicação do título e gosto muito dessa capa, apesar de a separação silábica me incomodar. A diagramação está boa, folhas amarelas, mas não há nada extraordinário. Se você gosta de livros rápidos, com muito suspense e conspirações, com certeza este é o livro certo para você. 


Resenha | Suicidas (Raphael Montes)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

ISBN-13: 9788535929447
ISBN-10: 8535929444
Ano: 2017 / Páginas: 432
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e set ornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.

Sempre disse que sucesso da literatura nacional, atualmente, é Raphael Montes, não existe ainda um livro dele que eu tenha lido e não tenha gostado, porque é fantástico. Sendo “Suicidas” seu primeiro livro lançado no país, pela editora Baraúna, no ano passado ele ganhou uma nova roupagem em uma edição linda pela Companhia das Letras, e continua sendo o meu favorito dele até hoje.

A história conta uma tragédia em que nove jovens, cometeram suicídio jogando roleta-russa, o livro vai desvendar tudo o que aconteceu naquela noite, mostrando três pontos de vistas, um deles sendo da delegada Diana, que acaba encontrando um livro que descrevia tudo o que tinha acontecido naquela noite, e convida as mães dos suicidas para escutarem os acontecimentos descritos no livro.

Como havia mencionado o livro é narrado em três pontos de vistas, o da delegada, o diário do Alê e o livro escrito por ele também. De todos os nove personagens que intrigam a trama, os principais são Alessandro e Zack, ambos com grandes papéis dentro da obra, não que os outros não sejam, mas eles são os que mais me levaram a perguntar “por quê” diversas vezes ao longo da leitura.

Vamos dizer que beeeem antes de 13 Reasons Why estourar, eu já pensava como seria se Suicidas fosse um filme, seria tenso!!! Sabe o que eu gosto neste livro, são autores como Raphael Montes que acabam com o psicológico do leitor, você se vê em constantes acontecimentos que podem mudar a história, viver nesse “ou vai ou racha”, acaba tornando aquele livro que vai te fazer virar a noite, então a pergunta que fica: Preparado para não desgrudar de um livro?

O livro foi relançado em uma edição nova com um novo capítulo, Raphael sabe instigar o leitor, porque essa situação da roleta-russa quem joga no Google, vê diversas notícias de jovens que praticaram essa 'brincadeira' e acabaram mortos, e é um tema bastante real, que poucos acabam desconhecendo, e pela leitura desse livro você passa a se interessar, porque não é só uma ficção, esse livro não é só “mais um livro”, é uma obra que mostra que estamos de olhos fechados ao que acontece ao nosso redor.

Outro assunto que me fez ficar de boca aberta são as mães, o retrato de como as próprias mães eram super protetoras, e ao mesmo tempo iam descobrindo como seus filhos estavam através dos relatos do Alê, e percebe-se como isso continua sendo um assunto que poucos utilizam, como os próprios pais que convivem quase 24 horas com você, podem não saber tudo.

Suicidas, é um dos livros que mais recomendo para quem quer conhecer o gênero de suspense e mistério, na literatura nacional, e é esplêndido esse livro, foram horas intermináveis de angústia e de como eu precisava saber o fim, e foi surpreendente.