Resenha: Carcereiros (Drauzio Varella)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2012
Páginas: 232

Esta obra procura contar histórias de funcionários de prisões. Drauzio Varella acompanhou a vida destes trabalhadores e busca expor de dentro o funcionamento dos presídios brasileiros. Apresenta, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. A descoberta de que um colega está do lado dos bandidos. Um momento de solidariedade, outro de egoísmo. Um ato heroico e outro de covardia. Pretende apresentar desta forma o cotidiano dos carcereiros.



A temática do livro não é muito a minha praia. Meu gosto literário está mais para o romance apaixonado, mas de vez em quando é bom mudar um pouco nosso foco, caminar por entre os livros mais sérios e realistas. Creio que essa é a palavra mais acertada para o livro. Lembra mais uma autobiografia, o que não deixa de ser já que Drauzio viveu mais de duas décadas dentro dé presidíos fazendo trabalho médico voluntário. Nesse tempo reuniu bagagem para dezenas de livros podemos até afirmar.

Carcereiros chega como o outro lado da moeda. Para quem conheceu o livro “Estação Carandiru”, bestseller que deu origem ao aclamado filme “Carandiru” de Hector Babenco, esta é uma continuação à altura e que me deixou curiosa para ler o primeiro livro.
"Ouvi e testemunhei tantas histórias de cadeia, carcereiros e presidiários, que um dia resolvi escrevê-las. A decisão foi tomada em 1996, depois de sete anos de trabalho voluntário no Carandiru"
Drauzio Varella, autor do best-seller "Estação Carandiru"
Se no livro anterior ele abordou o mundo dos detentos. Em Carcereiros são os funcionários das prisões que contam suas histórias. O dia-a-dia dos carcereiros na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) é narrado magistralmente. Drauzio conheceu dezenas de agentes, muitos deles acabaram se tornando amigos próximos reunindo-se sempre em um botequim, de frente para o Carandiru. Amizade essa que perdurou mesmo depois da demolição da Casa de Detenção.

"Carcereiros" começa relatando “O massacre do Pavilhão 9”, onde 111 pessoas forma mortas. Conhecemos "Seu Araújo", chefe titular do Pavilhão 8, e também outros funcionários que até arriscaram suas vidas naquele dia em busca de minimizar a tragédia.
Com a mente clareada, reassumiram seus postos até a manhã seguinte. Era dia de eleição, foram votar e retornaram para
ajudar os companheiros no rescaldo da tragédia. Seu Araújo nunca mais esqueceu o que viu:
— Vi sangue ser puxado com rodo na galeria.
O livro é uma coletânea de relatos que se complementam e vão nos dando a noção real do que é viver dentro de um presídio. Apesar da temática recheada de seriedade as vezes me pegava rindo por que foi IMPOSSÍVEL para mim não imaginar a voz do Drauzio narrando cada parágrafo. Parecia que eu estava assistindo um quadro do “Fantástico”. Para quem curte esse tipo de gênero o livro é um prato cheio e mesmo eu que não curto tanto, aproveitei os momentos. Sempre bom conhecer mais sobre o mundo que nos cerca. Beijos e até semana que vem…

2 Comentários:

Maristela da Graça Rezende disse...

Faz tempo que não leio nada do Drauzio. Carcereiros conta o dia a dia de quem toma conta de prisioneiros. É uma leitura pesada e pra quem gosta desse tipo de leitura vai se encantar. Eu pessoalmente não gosto, mas se cair nas minhas mãos, vou ler sim.

Carolina Durães disse...

Bom dia Gracy, tudo bem?
Realmente o livro parece ser "pesado" pois quando temos que encarar a realidade da nossa sociedade percebemos o quanto precisamos melhorar como seres humanos.
Parabéns pela resenha!
Beijos

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