Resenha: Morte Súbita (J.K. Rowling)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Edição: 1
Editora: Nova Fronteira
ISBN: 978-85-209-3253-7
Ano: 2012
Páginas: 501
Tradutor: Izabel Aleixo e Maria Helena Rouanet
Sinopse:
Quando Barry Fairbrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista. A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.


Morte Súbita foi meu primeiro contato com J.K. Rowling como escritora. Sim, por que embora tenha resistido bravamente à tentação de ler o fenômeno mundial da literatura, Harry Potter, sua criação acabou chegando a mim, como para milhões de pessoas mundo afora, através da franquia cinematográfica (que sempre adorei). Visto isso, não sabia o que enfrentaria ao desvendar as páginas da obra. Minto, não posso negar que ainda existia em mim aquele velho preconceito enraizado, que insiste em condenar antes de ler autores que são quase unanimidade entre as listas de mais vendidos; e não existe melhor exemplo disso que a autora em questão. Por isso, foi com passos bem tímidos e assustados que adentrei aos poucos no vilarejo de Pagford, cenário do romance. À medida que avançava pelas ruas da localidade, página por página, percebi que em nada ele se diferenciava das cidades do interior as quais me criei. Isso me deu segurança para arriscar passos mais rápidos em um primeiro momento, e depois uma corrida sincera e feliz, sobre o calçamento formado pelas letras convenientemente bem postas pela escritora no decorrer do caminho. Sim, ela escreve bem e merece créditos.


Algo que foi surpreendente para mim logo de cara em relação ao enredo, foi a inclusão de um protagonista ausente, isso mesmo. Nas primeiras páginas morre Barry Fairbrother, e isso acaba com a trajetória daquele que deveria ser o fio condutor do leitor pela narrativa, e agora? Bom, acontece o que se esperaria da morte de alguém importante, ou muito atuante, em uma pequena localidade, consequências. Se pudesse resumir a essência deste livro em uma palavra, seria consequência. A morte do protagonista abre um leque de acontecimentos que movimentam toda a cidade, representada por seus moradores, obvio. A morte mexe com todos, desde amigos e parentes do falecido, até seus opositores, que buscam conquistar a influencia, deixada órfã, pela ausência do protagonista. A partir deste ponto a alma de Pagford é exposta, revelando de forma profunda que toda vida tem seus segredos e particularidades e, se expor demais diante de um fato ou desejo, acaba por trazer a tona coisas que deveriam ser esquecidas no porão da memória. Tudo isso, diga-se de passagem, sem o pudor da saga anterior da autora. Morte Súbita envolve sexo, drogas, luxúria, traição, desejo, decepção, angústia. Sentimentos bem humanos que, se analisados de perto, existem em qualquer agrupamento, por menor que seja. Desta forma, o enredo é agradável por vezes, monótono, perigoso ou triste, assim como a vida real.

A trama geral do livro é construída, sobremaneira, como uma verdadeira rede de relações em que todos possuem suas qualidades e defeitos, e devem estar prontos para a exposição decorrente do fato de lutarem por suas vontades. Seja a mãe solteira que deseja um novo amor, o dono do mercado que almeja livrar a cidade do bairro pobre e perigoso, da jovem que teme perder a instável família que tem. Todos desejam algo, e tem suas vidas relacionadas, e sofrem as consequências disso, como em todo bom vilarejo de interior – tudo isso, lembrando, desencadeado pela morte súbita do protagonista.

 Algo se destacou muito para mim ao longo da leitura, foi - além da rede de acontecimentos relacionados com desenvoltura pela autora -, a construção dos personagens, e seu modo de agir dentro do cenário proposto. O livro é plural em relação à visão dos acontecimentos descritos, ou seja, cada capítulo apresenta a versão de um personagem diferente de seu cotidiano o que, evidentemente, acaba envolvendo outras figuras da trama, graças ao entrelaçamento já citado nas estórias. Para isso, Rowling criou tipos tão únicos e particulares que tornou quase instantânea a imersão do leitor no cotidiano exposto em suas palavras. A complexidade dos personagens, por menor que fossem em grau de importância para o enredo, não apresentavam nenhum traço de maniqueísmo, ou seja, alguém pode ser bom, mal, traiçoeiro, alegre, irado, tudo dependendo da ocasião enfrentada.

Terminada minha leitura de Morte Súbita, me peguei com uma satisfatória sensação de dever cumprido. Isso, graças àquela estranha impressão de que devemos conhecer pelo menos uma coisa de determinado autor, para que possamos julgar com mais propriedade ao se falar dele; além de dar uma chance a um escritor que, por seus méritos (ou não), chegou onde está em literatura. Sempre me pego pensando em quantos autores ainda devo conhecer, e faço mentalmente uma lista de obras que me apresentariam aos tais, bem, foi essa que escolhi para conhecer melhor J.K. Rowling. Estaria mentindo se dissesse que o livro me marcou, e é um dos melhores que já li. Não, nem chega perto. Mas não é ruim, muito pelo contrário, possui muitos méritos e recomendo a leitura, sem dúvida.  

7 Comentários:

Érika Santos disse...

Tenho vontade de lê-lo, mas não é aquele entusiasmo todo, sabe?
Desculpe J.K Rowling, mas vai pro fim da fila... rsrs
Resenha bem elaborada, ótima..
beijooos

Blog DAMA DE FERRO

Rafa Hübner disse...

Minha história com esse livro é conturbada, primeiro comecei a ler em inglês antes de ser lançada a tradução, até que o vi em uma livraria, já traduzido e comprei. Comecei a ler desde o início e minha mãe roubou o livro de mim haha depois acabei deixando pra depois e ainda não li, mas das páginas que li, gostei muito. É difícil fazer comparação com Harry Potter, até diria que é impossível.
Harry Potter é infanto-juvenil, fantasia. Morte súbita é adulto e não tem nada de fantasia.
Espero ler em 2014!
Bjs

Sérgio Magalhães disse...

Exato Rafa, são realmente obras distintas e para públicos diferentes. Mas ambas possuem muito valor literário, e são competentes em suas propostas.

Leia até o fim, é muito bom.

aninha disse...

hum. assim como você, eu também conheci a obra Harry Potter pelos filmes, acho que só li os três últimos livros. não sou FÃ da autora, mas achei corajoso da parte dela, se aventurar em um tema que nada lembra sua obra mais famosa e é um livro tenso. deixa em aberto muito da personalidade dos personagens, todo mundo é vilão, mocinho, dependente de algo ou alguém, carente, no fundo todos nós stemos um pouco disso né. não sei se o leria agora, talvez porque esteja lendo outro temas, mas é uma leitura interessante.

Nardonio Alves disse...

Tenho esse livro aqui em casa, mas ainda não o li. Mas já está na minha meta de leitura desse ano. Já li quase todos os volumes da saga Harry Potter, e quando vi que a J.K. Rowling iria se aventurar em uma trama adulta, já me propus a ler, pois me tornei fã dela. Pelo jeito ela também mandou bem com essa trama. Não vejo a hora de começar a ler.


@_Dom_Dom

Sérgio Magalhães disse...

Bacana Aninha! Bom ver a opinião de pessoas com uma experiência literária parecida :)

Sérgio Magalhães disse...

Vai gostar Nardonio, com certeza.


Abraço

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