Resenha: Nu, de botas (Antonio Prata)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535923513
Ano: 2013
Páginas: 140
Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010. Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta. As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.


Nunca tinha lido nada do Antonio Prata, então imaginem meu receio de ler algo dele. Mas são crônicas, pensei, e eu amo crônicas, independente de quem as escreve. Antonio Prata escreve para jornais paulistas há anos e suas crônicas são deliciosas de ler. As que são reunidas neste livro contam como foi sua infância em São Paulo, um menino que brincava com os vizinhos e que estranhou a chegada de um novo bebê - sua irmã.

Embora elas retratem, em grande parte, a infância de muitos de nós, como leitora, senti que o livro é mais voltado para os rapazes. Nada de machismo, claro, mas é mais pelo ponto de vista, pelas descobertas do personagem. Recomendo a leitura a todos e todas, mas essa é a minha opinião.


As crônicas são curtas - duas páginas, no máximo - e a leitura é rápida. Uma das vantagens dos livros de crônicas é que você sempre pode marcar e voltar para ler as suas preferidas, e nesse livro eu tenho várias preferidas. E é fácil se identificar com o Antonio de 5 ou 6 anos, que põe nas páginas os pensamentos de criança que temos ao enfrentar certas situações - o primeiro animal de estimação (o último também), a velhice, as palavras impróprias, etc.. É um livro delicioso de se ler e ainda mais delicioso de se olhar:; a capa tem uma textura macia e a arte é linda. 


Estou aceitando sugestões para livros de crônicas, pessoal. E boa leitura! 

3 Comentários:

Sérgio Magalhães disse...

Estava bastante curioso sobre esse livro, e a resenha me ajudou bastante à decidir ler ele, finalmente. Obrigado, ficou muito boa :)

aninha disse...

não sei se o leria, não faz meu estilo de leitura. legal ele detalhar um pouco sobre a infância dele, momentos que facilmente nos identificamos, mas pra mim, não funcionaria a leitura =/.

Rafa Hübner disse...

Eu leio bastante as crônicas do Luis Fernando Veríssimo, da Martha Medeiros e do David Coimbra (embora não tenha lido nenhum livro de crônicas do Coimbra, leio as que ele publica na Zero Hora).
Os estilos dos três são bem diferentes, mas todos são excelentes!
Bjs

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