Resenha: Os Portões (John Connolly) Trilogia Samuel Johnson Vs.The Devil Livro #01

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Edição: 1
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528617702
Ano: 2013
Páginas: 304
Tradutor: Dênia Sad
Sinopse - Os Portões - Samuel Johnson - Livro 01 - John Connolly
Todo mundo acha que Samuel é um menino muito estranho: os professores não o levam a sério, a mãe o deixa de castigo por viver sempre no mundo da lua e o vigário da cidade foge quando o vê, ele faz perguntas muito difíceis!. Só Boswell, seu cachorro, o entende de verdade. Como se as coisas não pudessem piorar, uns vizinhos de Samuel resolvem mexer com forças ocultas, só por diversão, e acabam abrindo uma passagem transdimensional direto para o Inferno. Agora, dominados por entidades nada simpáticas, eles pretendem abrir os portões do Inferno e soltar os cachorros, ou melhor, demônios. As criaturas mais desagradáveis, repulsivas e más estão para invadir a Terra, e não virão sozinhas. Seu líder, um cara tão mau que é conhecido como Grande Malevolente, também quer participar da festa de destruição do nosso mundo.

Bem, sou suspeita para falar dos livros do John Connolly, já que desde "O Livro das Coisas Perdidas" eu virei absolutamente fã do autor e saí por aí lendo tudo que encontrava dele. Antes da Bertrand confirmar o lançamento de The Gates eu me antecipei e comprei o livro em sua versão original, mal podia esperar para ter mais algumas doses de John Connolly. Mas não satisfeita, quando finalmente lançado no Brasil, li novamente em português. Então vamos à minhas impressões de "Os Portões", versão da Bertrand Brasil.

Antes de tudo eu quero começar essa resenha dizendo que o que é engraçado para mim pode não ser para você e vice-versa. Se você curte o humor nerd de Douglas Adams e Eoin Colfer, o humor negro e ácido de Christopher Moore e ainda os personagens cativantes e marcantes de Neil Gaiman, certamente irá adorar esta obra de John Connolly. 

Samuel Johnson é um garoto de 11 anos que é muito inteligente para sua pouca idade, por causa disso, muitos o consideram irritante demais. Sempre acompanhado por seu fiel cão Boswell, Samuel decide "tomar iniciativa" e antecipar o Doces ou Travessuras do Halloween. Quando bate à porta dos Abernathy, no nº.666 da Avenida Crowley, Samuel se decepciona com a recepção do Sr. Abernathy, que simplesmente o enxota de lá. Chateado com seu plano falho, Samuel senta no muro da casa 666 e fica conversando com Boswell, quando de repente, vê um clarão azul, seguido por um forte odor de ovos podres. Os portões para o inferno estavam sendo abertos, mas quem acreditaria num garotinho cuja imaginação já era fértil o suficiente para afirmar que existia um número infinito de anjos dançando na cabeça de um alfinete???  

Em algum lugar da Suíça, cientistas estavam intrigados com o Grande Colisor de Hádrons que aparentemente liberara "do nada" uma partícula que possivelmente pode ter aberto uma outra dimensão. E em uma  das terras devastadas do inferno, um demônio chamado Nurd, o Flagelo de Cinco Deidades, fora transportado misteriosamente para a Terra. E uma vez na Terra, Nurd tem um plano... Dominar o Mundo, mas, opa... acho que ele não esperava que tivesse concorrência para o cargo. 

Estes três fatos juntos só podem gerar nada menos do que CONFUSÃO! E da boa! Os Portões conta de uma maneira super engraçada e leve, a história de um garotinho que é tão real quanto qualquer um que eu ou você conhecemos. Uma criança que sofre com o choro de sua mãe todas as noites porque o pai foi embora de casa para viver com outra mulher, mas que ainda tem esperança que ele volte pois o carro ainda está lá. Um menino que é considerado irritante só por ser mais curioso do que a maioria dos garotos de sua idade. Samuel é um personagem fascinante e apaixonante. É impossível não morrer de amor por ele e seu cãozinho leal Boswell. Os diálogos que envolvem Samuel são os melhores. 

Connolly se utiliza da fantasia e bizarrice para falar de amizade, respeito ao próximo, lealdade, autoaceitação e muitas outras coisas. Sua linguagem é fácil, sua narrativa é fluída e tão gostosa que ele parece ter uma conversa com o leitor durante a história, e na verdade ele a tem, através das notas de rodapé que são um show à parte. Informações, curiosidades nerd e teorias aparentemente sem noção, mas que te fazem ficar até um pouco mais tarde acordado, só pensando. 

"O oficial Peel, que já parecia infeliz, agora parecia muito, muito infeliz. Ele entrara para a Polícia para impedir assaltos a bancos e solucionar assassinatos misteriosos, mas ainda não conseguira fazer nenhum dos dois, pois Biddlecombe era um lugar muito tranquilo e, até então, o total de assaltos a bancos e assassinatos na cidade era zero.*
*Isso é diferente das cidadezinhas dos seriados sobre detetives que passam na TV, onde tanta gente morre que é um milagre que ainda sobre alguém na cidade para matar no final da primeira temporada. Seria de imaginar que alguns dos moradores refletissem sobre isso e pensassem: "Hum, nossa cidade parece ser toda habitada por assassinos ou por pessoas que estão prestes a ser mortas, e, como não somos assassinos, só podemos ser vítimas em potencial. Marjorie, pegue as crianças e o cachorro. Vamos nos mudar para a Nova Zelândia..."
Referências a grandes autores como Edgar Alan Poe, H.P. Lovecraft e ao ocultista Aleister Crowley me fizeram admirar ainda mais John Connolly, porque como boa fã de livros de horror, adoro os dois primeiros citados, pois são grandes ícones do estilo. Ele nomeou uma avenida como "Avenida Crowley", uma rua como "Rua Poe" e "Arvoredo Lovecraft". < 3 Nossa, amei demais!

O humor de John Connolly, como falei no início da resenha é bem peculiar. Eu não espero que todo mundo goste desse livro como eu gostei. Mas eu gostaria de que todos lessem (adultos ou crianças), porque este livro é genial, dotado de uma inteligência singular e que garantirá ao leitor várias horas de entretenimento e ainda transmite vários ensinamentos que são passados através de situações pra lá de inusitadas, vividas por Samuel e seus amigos, e até mesmo pelos demônios. 

A Capa está linda e assim como em "O Livro das Coisas Perdidas" tem uma textura diferente. A Bertrand também caprichou na diagramação com detalhes em todas as páginas, como um capetinha no nome do autor e no título do livro. A tradução está muito boa, bastante fiel e a revisão está impecável. Obrigada Bertrand por cuidar tão bem dos livros do John Connolly, ele merece! < 3 Enfim, recomendo para crianças, jovens, adultos, velhos - demônios ou não. 

Abaixo, as capas inglesas, que eu acho muito mais bonitas (Já tenho o 2º e já comecei a ler!). O segundo livro chama-se Hell's Bell (The Infernals) e o terceiro "The Creeps". Em breve resenhas das sequências.




2 Comentários:

Rafa Hübner disse...

A capa é linda mesmo! Só ela já dá curiosidade de ler. Bjs

aninha disse...

Samuel é uma figurinha! como é que o coitado foi parar no meio dessa confusão! falar de inferno, demônios e colocar um toque humano no meio disso tudo, o autor só pode se garantir e ser corajoso. acredito também que não são todos que irão digerir o humor negro do livro, eu mesma não gosto muito, porém se a leitura agrada e é fácil, eu leio mesmo. achei legal que Samuel é um garotinho com uma imaginação bem fértil para o seu próprio bem rs rs, achei fofo ele conversar com o cachorrinho. e também percebi que o autor não cansa a leitura com explicações intermináveis, ele usa o rodapé do livro pra isso, achei ótimo! adorei a caoa nacional, olha o Boswell ali! resenha A+!

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