Resenha: Atlas Universal do Conto (Alberto Mussa e Stéphane Chao)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Edição: 1
Editora: Record
ISBN: 9788501096425
Ano: 2013
Páginas: 334
  
Existem antologias, enciclopédias, dicionários da literatura, mas “atlas” ainda não. Com este volume, os organizadores do Atlas universal do conto oferecem um caleidoscópio vertiginoso de histórias, enredos e sabores, levando o leitor a dar uma volta ao mundo. A diversidade da literatura – e particularmente do conto, tomado como a essência do ato de narrar – declina-se em lugares e épocas. Por mais mentiroso que seja, o conto é talvez a metáfora mais exata de uma civilização, de um modo de viver do humano, de sua percepção do mundo. Assim, neste volume, o leitor tremerá na França, fabulosa dos merovíngios, participará de um jogo de azar na Rússia no extremo fim do século XIX, terá um sonho filosófico na China do século V a.C; experimentará uma relação adúltera no Rio de Janeiro, resolverá enigmas na Índia, trapaceará em Bagdá, será amado em Florença. 



Amante das narrativas curtas desde pequena, quando surgiu a oportunidade de ler o livro não pensei duas vezes. No início do livro, os autores contam como reuniram os contos apresentados neste volume e que, mesmo com o título, o livro não seria um "atlas" de verdade. Apenas uma reunião de contos de diferentes lugares do planeta. O fato de o subtítulo ser "uma seleção dos melhores contos de todos os tempos" causou-me um pouco de espanto, já que, sejamos francos, é meio presunçoso afirmar que os supostos melhores contos da história podem ser reunidos em apenas um livro. Mas deixei essa ideia de lado e tentei concentrar-me na leitura. Temo dizer-lhes que a seleção não foi tão feliz.

Apesar de alguns dos contos que eu li serem bons, tanto pela escrita como pela narrativa, não me impressionaram como imaginei que impressionaria. Quando escolhi o livro imaginei que o colocaria em um altar e de tempos em tempos o releria novamente. Tenho certeza que lerei alguns de seus contos, mas poucos entre a maioria. Não que o livro seja ruim, claro que não, mas como falei, para mim a seleção não foi feliz, não posso dizer o mesmo, porém, do leitor que vê a minha resenha, dos meus colegas leitores, da minha professora de Literatura.

O final de cada conto é acompanhado por notas dos autores, explicando a moral da recente leitura e localizando o leitor no ambiente e época onde o conto foi escrito. Dos autores selecionados, conhecia Machado de Assis, Jack London, James Joyce e Olavo Bilac. Senti a falta do Poe, já que foi ele quem fez eu me apaixonar pelos contos, com sua narrativa eletrizante e assustadora. No geral, as narrativas são diversificadas; somos transportados para a América do Sul, o Oriente, as Arábias e por aí vai... 

Recomendo a leitura para os amantes dos contos em geral e para os fãs dos autores presentes no livro. Aqui vai a lista (boa leitura!):

Abu al-Faraj - Alexandre Herculano - al-Hariri - Arthur Schinitzler - Elsa Joubert - E.T.A. Hoffman - Giovanni Boccaccio - Gregório de Tours - Henry James - Heródoto - Jack London - James Joyce - Juan Manuel - Juan Rulfo - Julio Cortázar - Leonid Andreiev - Lima Barreto - Luandino Vieira - Luigi Pirandello - Machado de Assis - Marcel Schwob - Mario Benedetti - Plínio, o velho - Prosper Mérimée - Ryunosuke Akutagawa - Saki (H.H. Munro) - Somadeva - Zhuangzi