Resenha: Tudo que você e eu poderíamos ter sido se não fôssemos você e eu (Albert Espinosa)

sábado, 26 de abril de 2014



Autor: Albert Espinosa
Tradutor: Sandra Martha Dolinsky
EAN: 9788576862123
Gênero: Romance estrangeiro
Páginas: 152
Editora: Verus Editora
Preço: R$ 30,00
Sinopse: Marcos acaba de perder a mãe, uma famosa coreógrafa que lhe ensinou tudo na vida, e decide que seu mundo não pode permanecer o mesmo sem ela. Bem no momento em que vai dar uma guinada na vida, uma ligação muda radicalmente os acontecimentos. 
É a polícia, que precisa da ajuda de Marcos, pois ele tem um dom muito especial: consegue ler as memórias mais importantes de uma pessoa só de olhar para ela. E na delegacia há um “estranho”, um alienígena que acaba de aterrissar na Terra, e que só ele poderá desvendar. Porém Marcos não consegue exercer seu poder sobre esse jovem, que parece conhecê-lo. O estranho sabe que a mãe de Marcos morreu, que ele sente muita falta dela e que não consegue tirar uma certa garota da cabeça. E juntos eles embarcam em uma nova jornada.

Este é um livro bem denso para suas 152 páginas. Para começar a resenha eu teria que contar um pouquinho da história, mas a sinopse neste caso é perfeita. É exatamente o que vocês precisam saber para entender de que se trata esta obra. Antes de tudo, vocês precisam saber que a história toda se passa em apenas uma noite. A noite em que a mãe de Marcos morreu. A noite em que Marcos encontra o amor de sua vida. A noite em que é revelada a chegada de um extraterrestre à terra. Marcos perdeu a mãe e está sem chão. Sua mãe era sua vida, sua tutora, sua amiga, etc. Ele não sabe como será sua vida de agora em diante, já que não terá mais a pessoa a quem mais amou na vida. 


O autor não deixa pistas sobre o ano em que os fenômenos aqui narrados ocorrem, no entanto, imaginemos que seja num futuro não muito distante onde existe um tipo de droga que as pessoas tomam para nunca mais dormir. E assim os dias e as noites nunca tem fim. Marcos está prestes a tomar a injeção para nunca mais dormir, ele gastou todas as suas economias nesta droga, mas no exato momento em que iria aplicá-la... o telefone tocou. Era a polícia, e eles precisavam de sua ajuda. Marcos tem um dom, ele consegue saber como uma pessoa é emocionalmente só de olhar pra ela. É como ver imediatamente sua lembrança mais prazerosa e a mais horrível. Também vê doze sentimentos intermediários. A polícia quer que Marcos use seu dom no E.T para descobrir de onde ele vem e o que ele quer. Mas o inesperado acontece, o dom de Marcos não funciona no estranho e o que acontece é exatamente o contrário: o estranho sabe que a mãe de Marcos morreu, conhece a dor que ele está sentindo e sabe que ele não para de pensar na garota do teatro. 

Eu não esperava toda a carga emocional deste livro. Talvez este seja o motivo de eu ter demorado tanto a lê-lo - 18 dias. É um livro pequeno mas com uma grande quantidade de emoções diferentes e se misturando a todo momento. Marcos tem um amor tão grande pela mãe, quase ou até mesmo sendo, uma relação edipiana. Ele tem um apego excessivo às lembranças da mãe e apesar de ela estar morta, é a personagem que mais aparece no livro todo. No começo é bem sutil, você realmente acha que são só lembranças de alguém que perdeu a mãe que amava muito, mas depois, mais para o final do livro, ele narra algumas coisas que a meu ver, têm um quê de sexual. 

A narrativa é em primeira pessoa, por Marcos, mas se por acaso ele está contando algo sobre um determinado fato, e de repente lembra-se de algo que sua mãe disse-lhe na infância, o protagonista interrompe a narrativa para devanear sobre essa lembrança. Quase tudo tem a ver com arte, sexo e amor. Os capítulos são bem curtos mas os títulos são imensos. A história é povoada de reflexões, reflexões estas que sempre estão ligadas alguma forma à mãe de Marcos. Reflexões acerca da vida, trabalho, amor, arte, morte, sexo, travesseiros, etc.

Acredito que na verdade tudo não passa de uma grande metáfora, sobre como vivemos aqui neste mundo, tudo tão corrido e descartável. Pessoas que não se dão um descanso e que parecem incapazes de parar para dormir e sonhar. Confesso que quando o autor falou pela primeira vez da droga em questão que faz com que as pessoas jamais durmam novamente, me peguei imaginando - e desejando - que aquilo existisse. Eu acho que seria capaz de tomar só para ler todos os livros que tenho vontade e não consigo porque não dá tempo ou porque perco muito tempo dormindo. Mas depois eu pensei bem e... eu amo dormir, e sonhar. Então acho que sentiria muita falta de depois de um dia exaustivo de trabalho, apenas chegar em casa tomar um banho, cair na cama e me desligar do mundo.

"Que curioso o fato de as pessoas acabarem sentindo falta de sonhar. Sempre acabamos apreciando o que perdemos." Pág 103

Em minha opinião também é uma metáfora sobre a hipocrisia dos humanos e suas relações artificiais. Metáfora sobre uma sociedade que prega o respeito às diferenças e no entanto, está longe de aceitar em sua totalidade tudo o que é diferente.

"Jamais pensei que a vida real pudesse se parecer tanto com um filme. Chega um estranho, e só o que desejamos é que ele confesse sua identidade e quais são as suas intenções. Mas ele não era tão estranho assim. Se tratamos com crueldade um imigrante ilegal que entra no país, o que não faríamos com um ilegal de outro planeta?" Pág 96

Como falei anteriormente, este é um livro pequeno em sua quantidade de páginas mas imenso em termos de sentimentos e emoções. Não é uma leitura fácil e rápida. Exige que o leitor pare e processe o que acabou de ler. É uma leitura que te fará pensar por dias a fio, mesmo depois que acaba. É uma leitura que você desejará mais, embora não haja um furo sequer para uma possível continuação. Confesso que eu já esperava algo parecido no final, mas não da forma que foi, então posso chamar de surpreendente. Recomendo para pessoas que querem fugir das leituras que não exigem esforço mental e querem um livro com bastante conteúdo apesar de suas poucas páginas.

"Minha mãe me ensinou desde pequeno a aceitar que os sentimentos que as outras pessoas sentiam por nós, mesmo que não os correspondêssemos, eram importantes.
-Você precisa compreender que esse amor não desejado, esse desejo não correspondido, é um grande presente que lhe dão - disse ela em uma longa viagem de trem entre Barcelona e Paris. - Não o despreze só porque ele não lhe é útil." Pág 89

A Editora Verus disponibilizou as primeiras vinte páginas no Scribd deles, que tal dar uma espiadinha?!

Até a próxima pessoas!
Beijos!


11 Comentários:

Lucas Goulart Duarte disse...

Capa linda linda linda, mas pela sinopse eu não leria haha
Todavia, sua resenha fala muuuuito mais. Fiquei com mt vontade de lê-lo :D uma coisa que gosto muito são os livros pequenos e densos.

Jéssica Maria disse...

Pra falar a verdade não gostei da capa, mas simplesmente adorei a sinopse, sei lá gosto de livros assim, e sua resenha fez eu querer ler ainda mais esse livro.

Catharina Mattavelli disse...

Nooossa, adorei o enredo dessa história, fiquei super curiosa haha ainda mais pelo título, amei.
sUA RESENHA FICOU LINDA VIU?
Quero ler o livro haha

Beijos
http://realityofbooks.blogspot.com.br/2014/04/resenha-os-recados-gabriela-brandalise.html
Comente ;) please

Dana Silva disse...

Obrigada, foi muito difícil resenhar este livro. Bom fds! ;)

Dana Silva disse...

que bom que gostou! foi dificil demais escrever sobre esse livro... bjs e bom fds

Dana Silva disse...

Obrigada Catharina, fico feliz que tenha gostado, foi bem difícil resenhar este livro. Bjs e bom fds!

Pamela Liu disse...

Apesar de só ter 152 páginas, esse livro parece fazer o leitor refletir bastante, com tantas metáforas e sentimentos explícitos ou não do amor de Marcos pela sua mãe.
Achei a trama bem interessante. Mas, eu não tomaria essa droga. Eu AMO dormir! Gosto da forma como me sinto descansada depois de uma boa noite de sono e gosto dos meus sonhos malucos rs

Fábrica dos Convites disse...

A capa eu não gostei, mas o enredo me interessou. Vou aproveitar e dar uma olhada nas páginas disponibilizadas.
Bjs, Rose.

Jack Moura disse...

sinceramente eu nao gostei da capa, nao gostei da sinopse, estava esperando uma resenha para decidir q eu realmente nao leria, mas sua resenha me surpreendeu kkk acho q vou dar sim uma chance ao livro. :)

aninha disse...

é um livro no mínimo marcante. é uma enxurrada de sentimentos! muito interessante é o fato de que o autor coloca as situações onde a gente identifica algo, como vc apontou, uma metáfora que faz sentido no dia a dia. um livro de poucas páginas mas de muito conteúdo. capa simples mas com um título fantástico =)

Tamiris Leitão disse...

Achei a capa muito linda, a sinopse muito boa, e a história também. Acho que esse é um livro para ser degustado e não engolido. Nós, leitores (e vocês, que tem muitas parcerias) tem que se dispôr a ler rapidamente as obras, afim de não deixar nenhuma sem resenha, por isso as engolem. Pelo que você falou, esse é o tipo de livro que deve ser degustado. Lido um capítulo por dia, parado e refletido (como muitos fiéis fazem com a bíblia). Gosto de livros assim, que vou lendo ao meu tempo, aos poucos, sentindo. Que quando termina você não sabe o que dizer, não sabe o que sentir. Como você disse ao Lucas "foi muito difícil resenhar este livro", então acho que no geral, esse é o tipo de livro que eu gosto. Livros que nos deixam indefinidos.


Beijos flor.

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