Resenha: As Gêmeas (Saskia Sarginson)

sexta-feira, 30 de maio de 2014



Livro: As Gêmeas
Edição: 1
Título Original: The Twins
Autor (a): Saskia Sarginson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
IBSN: 9788581633879


Sinopse: As gêmeas Isolte e Viola eram inseparáveis na infância, mas se tornaram mulheres muito diferentes: Isolte tem um emprego glamouroso em uma revista de moda de Londres, namora um fotógrafo e vive em um bairro descolado. Viola, desesperadamente infeliz, luta contra um transtorno alimentar e não faz questão de se ajustar a nenhum grupo.
O que pode ter acontecido para levar as gêmeas a seguirem trajetórias tão desencontradas?À medida que as duas jovens começam a reviver os eventos do último verão em família, terríveis segredos do passado vêm à tona – e ameaçam invadir suas vidas adultas.

 Escrever dramas definitivamente não é fácil. Na verdade, tendo por base apenas minha leitura de obras desse gênero, me arrisco a dizer que é o gênero mais complicado de se escrever. Um bom livro de drama não começa a se tornar interessante no meio, os personagens não podem parecer artificiais ou os diálogos não podem se tornar cansativos; embora importantíssima, o desenrolar da história dos personagens de um bom livro de drama se dá gradualmente, apenas pincelando o andar do desenvolvimento deles – um pouco diferente dos livros de fantasia, onde a história já começa a todo vapor e, em alguns casos, ela consegue encobrir personagens mal elaborados.   


Bem, o motivo de eu ter feito esse arrodeio todo no início é por que “As Gêmeas”, livro da britânica Saskia Sarginson, foi um dos livros onde eu mais consegui identificar esses traços característicos citados acima. Ela é cirúrgica: tudo acontece quando é para acontecer, mas de um modo interessante, dinâmico, instigador. E como resultado dessa bela união entre ótimo enredo, personagens cativantes e um perfeito acabamento do livro – parabéns a Editora Novo Conceito por organizar tão bela edição - eu consegui devorar suas 320 páginas em pouco mais de três dias.  

Saskia Sarginson nasceu e cresceu em uma região florestal da cidade de Suffolk. Esse fato aliado ao de que ela é mãe de quatro crianças sendo duas gêmeas idênticas lhe deu a inspiração e o conhecimento suficiente sobre ambiente e personagens para desenvolver a história das gêmeas Viola e Isolde. Filhas de mãe solteira, elas cresceram em meio a um cenário de natureza. Viola sempre foi a mais corajosa, ao passo que Isolde era a mais comunicativa. Aliadas aos irmãos John e Michael, as gêmeas vivem em um verdadeiro conto de fadas... Até que elas crescem. E quando isso acontece as irmãs se veem separadas pelo destino e pelos acontecimentos que conduziram cada uma por seu caminho. Enquanto Isolde se torna uma bem-resolvida consultora de moda, Viola se torna uma frágil mulher acometida por diversos distúrbios alimentares e psicológicos.  Enquanto Isolde possui um relacionamento estável com Ben, um renomado fotógrafo, Viola possui segredos que a fizeram se afastarem do amor da vida, sombras de um passado distante que assombra a ela e à irmã. 

Narrado em primeira pessoa quando este é Viola, e em terceira quando sob os olhos de Isolde, “As Gêmeas” é um ótimo livro de uma escritora que eu particularmente não conhecia. Embora o livro não seja repleto de reviravoltas – até por esta não ser característica do próprio gênero - Sarginson escolhe pontos para mostrar que, embora crianças que vivem em um ambiente belo, a vida não lhes privara de experiências ruins como o de encarar a morte. 

O meu único problema para com esse livro – que na verdade se estende a vários outros – diz respeito a como são feitas algumas traduções. Embora o entendimento da história não tenha sido prejudicado, a métrica da escrita estrangeira em geral é um pouco diferente, mais voltada para muitas frases curtas que, em alguns momentos, parecem passar ideias sem nexo, enquanto que a nossa língua pátria já trabalha com orações mais fechadas e com um sentido mais coeso – novamente eu falando de coisas baseadas apenas na minha vivência, desconsidere se isso estiver errado. Fora esse pequeno detalhe, o livro em si é ótimo, surpreendente e arrebatador. Não posso dizer que ele é meu favorito, mas com certeza entrou para o meu top 10. 

E vocês, já leram “As Gêmeas”? Concordam (ou não) com o que eu falei sobre os livros de drama? Deixem suas impressões sobre essa obra e sobre o gênero nos comentários, e não se esqueça de compartilhar nossa resenha!

Grande abraço e até a próxima!!!

Por Fabrício Machado