Resenha: Diga aos Lobos que Estou em Casa (Carol Rifka Brunt)

sexta-feira, 27 de junho de 2014



Título: Diga aos Lobos que Estou em Casa
Autor:Carol Rifka Brunt
Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581633923
Ano: 2014
Páginas: 464
Tradutor: Bárbara Menezes

Sinopse: 1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma. No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la. À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June. "Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa" é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.

            Diga aos Lobos que Estou em Casa, romance de estreia da autora Carol Rifka Brunt é um dos lançamentos da Editora Novo Conceito. Antes de começar vou pedir desculpas logo, pois tudo escrito aqui sobre esse livro tenho total consciência que não irá abarcar tudo que senti durante a leitura, essa resenha está sendo muito difícil de escrever.

            Essa história se passa no ano de 1987 e nos fala sobre June Elbus, uma garota de 14 anos que acabou de perder o tio Finn por conta da AIDS. Acontece que Finn era a pessoa mais importante no mundo de June, seu melhor amigo e confidente, ele era sua outra metade. Durante o funeral June descobre que o tio mantinha um segredo dela, ou melhor, alguém em segredo. Essa pessoa é Toby, um inglês que era namorado de Finn e morava com ele. Com o tempo June descobre que Toby estava lá o tempo todo e todos os momentos especiais que ela pensava ter tido com Finn sozinha, Toby também estava presente, não fisicamente, mas através de pequenas coisas. Sua família odeia Toby, principalmente sua mãe que acusa o homem de ter matado Finn, porém June se sente mais próxima desse estranho do que das pessoas de sua própria família, o que pode dar muito errado no final.

            Muito difícil falar desse livro, ele é todo escrito em primeira pessoa e narrado por June, suas lembranças, sentimentos, seus medos, tristezas e derrotas passam a frente do leitor de forma tão bela e bem construída que me deixou sem palavras. June é apaixonada pelo tio Finn, o que na cabeça dela por vezes é errado, pois ele era seu tio e ela não poderia ter esse tipo de sentimento por ele, mas para quem lê fica a impressão de que essa paixão não é uma paixão carnal e sim uma paixão daquelas onde há o herói que resgata a princesa e é assim que eu percebo. June tinha em Finn seu herói medieval, o cavaleiro branco que a levaria e a protegeria de tudo. Nesse ponto a autora trabalhou com maestria para não dar a impressão errada sobre essa relação ao leitor, na minha opinião, um pouco mais para a direita ou para a esquerda e eu estaria aqui descrevendo sobre como era nojenta essa relação incestuosa de um complexo de elektra meio torto e de  como essa autora precisava de um psicólogo.  Nada disso aconteceu e eu só tenho a agradecer e parabenizar a autora pela saída maravilhosa e pela delicadeza com que lidou com o tema. As relações de June com a família, mostram que ela abriu mão da amizade com a irmã e tem um relacionamento distante com os pais, até mesmo afirmando que em certa época do ano é uma órfã. A mãe é preconceituosa, egoísta e por vezes dura, o que nos mostra outro lado do ser humano e o quanto ele pode ser implacável quando magoado. Quando Toby entra na equação, a relação com ele se encaixa perfeitamente, June precisa cuidar de Toby como um último pedido que Finn fez a ela, o que ela não esperava era que essa relação a salvasse no meio do caminho. Ele a ensina que há partes de Finn que ela amava que eram dele e que ele sempre esteve lá e que por vezes ela deveria reparar mais nos detalhes. Toby também tem AIDS e mais uma vez June tem de lidar com perdas, mas desta vez perdas podem levar a reencontros e encontros.

            A capa desse livro é bonita, eu acho, esse urso na capa tem um significado todo especial na história.  A diagramação está cheia de detalhes e com o pacote completo para que a leitura se torne ainda mais agradável. Enfim, espero ter conseguido passar um pouco sobre o que senti ao ler esse livro, pois foram muitas emoções misturadas.

15 Comentários:

Tamiris Leitão disse...

Não pensava que esse livro se tratava sobre isso, juro. Eu pensava em algo sobrenatural e diabólico (não li a sinopse, estava com preguiça), mas simplesmente adorei a história. Parece ser bonita a história, interessante. Essa coisa de você descobrir que na verdade, o tio era metade ele e metade o amor da vida dele, fica interessante. E tratar do preconceito contra homossexuais o torna melhor.


Enfim, espero ler em breve.

Manu Hitz disse...

Priscila, minha linda, que resenha apaixonada, apaixonante! Ganhei o livro e ele já está na lista para as próximas leituras. Adoro livros com muitos conflitos psicológicos, relações conturbadas e tb relações que aproximam, fazem crescer a personagem. Lições como a perda, a amizade, sentimentos verdadeiros que unem as pessoas... Ai, acho que já estou envolvida na trama!

Beijo.

Ler para divertir

Douglas Fernandes disse...

Eu tenho esse livro aqui, mas não sabia que falava sobre isso, na sinopse só fala que ele morre e aparece uma pessoa desconhecida e tal, mas nao sabia que tinha essa ligação, por e enquanto nao pretendo ler pq estou seguindo a minha meta (primeira vez que faço uma meta no ano) e ja estou atrasado, mas com certez esse vai entrar na minha meta de leitura do ano que vem :D

Nardonio Alves disse...

Juro que, quando vi essa capa, pensei que era uma trama mais infanto-juvenil, pois nunca cheguei a ler a sinopse dele. Me surpreendi completamente, e posso dizer que achei bem legal. Por ser um pouco dramático, acho que vou protelar a leitura dele, mas vou lê-lo um dia.

@_Dom_Dom

Érika Rufo disse...

Não tinha lido nenhuma resenha sobre o livro ainda. Não imaginava que o livro tratava desse assunto, pensava que era uma história totalmente diferente. Agora fiquei super curiosa pra ler, parece ser uma história super emocionante e cheia de mistérios. Não gostei da capa, mas se a história é boa, o resto a gente releva, né?


Beijos!!

aninha disse...

é um livro corajoso. difícil ver autores tratarem temas tão sensíveis com cuidado e inteligência. acho que vc passou muito bem o que esperar do livro, meio que estou emocionadinha aqui rs. June apesar da pouca idade, me pareceu uma personagem madura, que aguenta uma carga difícil mas que nessa caminhada acaba se vendo forte e aprendendo pra vida principalemnte na época que se passa o livro em que AIDS e homossexualidade eram sinônimos de igualdade e o preconceito era "normal". achei lindo como vc viu com sensibilidade a relação de June e o tio, é mesmo uma relação bonita, ela via Finn como seu porto seguro, nunca imaginou ficar sem ele. pouca vezes tive o prazer de ler uma resenha tão bem feita e tão direta naquilo que o livro é. Parabéns Pri e Parabéns ao blog <333

Rafa Hübner disse...

Oi, td bom?

Pela capa, nunca suporia que esse é um livro mais emocional e que trata de assuntos delicados, chutaria, talvez, numa aventura. Gostei bastante de sua resenha, deu para senitr a emoção que você sentiu na leitura ;)

Beijos!

Arrastando as Alpargatas

mirelle soares gomes disse...

Quando eu vi essa capa pensei porque fala sobre lobos o titulo e tem um urso na capa o.O e bom saber que tem um significado para este urso na capa que fiquei muito curiosa para saber qual é.
Adorei a sinopse e essa resenha parece ter uma historia muito boa esse livro

Isabela Kröning disse...

Que bonitinho! Achei muito legal a autora pegar um tema tão forte e tratar com delicadeza, redirecionando pra um público mais juvenil, talvez. Que bonito mesmo, como disse, parece uma história toooda delicadinha e emotiva. Também achei a capa muito bonita, enigmática. Gostei muito da sua resenha, faz a gente realmente sentir que se trata de uma leitura carregada de sentimento. Curiosa pra ler o livro :)

Luana Souza disse...

Gente... Quando vi a capa imaginei um livro totalmente diferente. Você disse "para quem lê fica a impressão de que essa paixão não é uma paixão carnal e sim uma paixão daquelas onde há o herói que resgata a princesa" achei lindo. Não conhecia o livro e acho que vou adorar a leitura. E essa capa é fofa.

Anne Viana disse...

Já vi algumas pessoas com esse livro mas nunca tinha me interessado em tomar alguns minutos do meu tempo pra pegar o livro e ler a sinopse e sua resenha me vez mudar de idéia :) não curti muito a capa..mas vou incluir esse livro nas minhas leituras :)

http://livroaoavesso.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/livroaoavesso

Oliveira disse...

Nossa, só de ler sua resenha já me emocionei. Deve ser um amontoado de emoções. Se tiver oportunidade quero lê-lo, creio que seja muito bonito e triste.

Jéssica Maria disse...

Q resenha perfeita ^-^
Por mais que o livro parece todo fofo e carregado de emoção (que é uma coisa que amo então livros) não tenho interesse em ler, talvez Pq o enredo não tenha me conquistado totalmente "/

Dud's Santos disse...

Eu já tinha ouvido falar sobre este livro, mas não me
interessei por ele. É a primeira resenha que leio sobre ele, mas mesmo assim
continuo não gostando.

Gislaine Silva disse...

Esse é um dos livros que quero muito ler esse ano. Ainda não tive oportunidade, mas lerei em breve.

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