Resenha: Fique Onde Está e Então Corra (John Boyne)

segunda-feira, 7 de julho de 2014



Título: Fique Onde Está e Então Corra
Autor: John Boyne
Edição: 1
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765404
Ano: 2014
Páginas: 224
Tradutor: Henrique B. Szolnoky

Preço: R$ 34,90
Sinopse: Em meio às tragédias da Primeira Guerra Mundial, o amor é a única arma de um garoto para curar seu pai. Alfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados — enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa. “Assim como em O menino do pijama listrado, Boyne conduz os leitores pelas agonias da guerra através do olhar de uma criança.” School Library Journal “Uma história vívida e acessível sobre o preço altíssimo que a guerra obriga os inocentes a pagar.” Kirkus Reviews

            Fique Onde Está e Então Corra foi escrito pelo John Boyne e publicado no Brasil pela Editora Seguinte. Confesso que tinha uma expectativa alta para esse livro e mesmo assim ele conseguiu me emocionar e surpreender acima do esperado.

            Alfie é um garoto de nove anos que aos cinco, no dia de seu aniversário, viu o mundo mudar. Ele nos conta suas lembranças daquele dia e de como não entendeu bem o por que do choro e de quase ninguém ter aparecido em sua festa, pois naquele dia a Primeira Guerra Mundial fora anunciada. No começo havia rumores de que a guerra acabaria até o natal e foi esse o pensamento que levou o pai de Alfie, George Summerfield a se alistar, ele queria servir ao rei e a sua pátria, com a certeza de que iriam ser apenas alguns meses, o pai de Alfie se alista e ruma para a França para lutar ao lado de outros homens contra os alemães. As coisas daí em diante começam a se complicar, o vizinho húngaro de Alfie e sua filha, que apesar de ser inglesa tem o mesmo tratamento do pai, são levados para a prisão acusados de espionagem, sem ter qualquer relação com isso, o melhor amigo de seu pai, Joe, é levado para a prisão por se recusar a lutar na guerra quando o alistamento se torna obrigatório. E Alfie e sua mãe começam a passar necessidade, ela começa a trabalhar em turnos mais longos como enfermeira e ele larga a escola, indo apenas nos dias de leitura e história, para ajudar em casa engraxando sapatos. Quando a mãe começa a esconder as cartas de seu pai, até que elas param totalmente, Alfie começa a desconfiar de que algo está terrivelmente errado. Até que um dia por acaso ele engraxa os sapatos de um médico do exército e sem querer vê o nome de seu pai em meio a uma lista de pacientes de um hospital militar que fica apenas alguns quilômetros de Londres. A partir daí começa a jornada do garoto para trazer seu herói para casa.

            Sempre muito difícil falar de John Boyne, esse livro em especial me tocou de uma maneira mais familiar. No começo Alfie achava que o pai havia morrido e que a mãe não queria lhe contar, quando finalmente descobre a verdade ele age, simplesmente quer o pai de volta e faz de tudo para conseguir. Nas primeiras páginas da narrativa, que aliás é em terceira pessoa, confesso que achei o personagem meio precoce, mas depois refleti que aqueles eram outros tempos, talvez tempos como os que meus avós viveram, onde as crianças não eram crianças, Alfie teve sua infância interrompida por uma grande fatalidade, todas as crianças daquela época foram forçadas a crescer e amadurecer muito rápido, elas não tinham mais seus pais para cuidar delas, suas mães eram submetidas ao trabalho para simplesmente não morrer de fome, então elas tinham que simplesmente evoluir. É difícil enfrentar a realidade de que uma criança de nove anos já conhecia o horror que uma guerra traz. Mesmo sem entender direito, Alfie ainda reflete sobre o fato de seu vizinho e sua filha terem sido presos e levados embora apenas por serem de uma nacionalidade diferente, eles simplesmente foram tratados como bichos sendo forçados a ir embora apenas com a roupa do corpo. E também o melhor amigo de seu pai, que por não querer pegar em armas e matar seu semelhante foi levado, torturado na prisão e volta quase que irreconhecível para a rua onde moravam.

            Todos esses assuntos tão sombrios são tratados na narrativa com leveza e com poesia, aos olhos de um menino amadurecido precocemente, alguns desses acontecimentos ainda são vistos de forma inocente e até por vezes sábia. Ele não entende por que o amigo do pai agora é um pária, não entende direito por que sua melhor amiga foi levada embora junto com o pai se era inglesa, assim como ele, por que o pai parou de escrever e por que essa guerra nunca acaba. Tudo que ele queria era ter sua família de volta, os dias em que o pai que era leiteiro saía para trabalhar e sua mãe era só sorrisos e ele era feliz, ele queria de volta a família que algo que ele não compreendia bem havia destruído.

            Há uma cena muito expressiva no livro que expressa bem todo o sentimento que move o personagem, o Alfie de antes da guerra pergunta ao vizinho o que o levou a deixar tudo o que tinha em sua terra e vir morar na Inglaterra e ele responde “Pela melhor razão do mundo. Por amor.” Na época não fez nenhum sentido para ele essa resposta, talvez por ser muito jovem, porém anos depois ele foi movido por esse mesmo sentimento e essa frase fica muito emblemática para o leitor, que o amor pode mover o mundo.

             Enfim, não sei se eu consegui expressar tudo que senti ao ler esse livro que é curtinho, mas ficou tão especial para mim.  Gosto bastante da capa, em tons de vermelho e amarelo. A diagramação apesar de simples, esta fantástica. É isso gente, esse livro é mais um do John Boyne que vai emocionar.

13 Comentários:

Leonardo Azevedo disse...

Esse livro me conquistou só pelo título !
Já está na minha lista e acho que vai brotar algumas lágrimas ao longo da leitura.

Gislaine Silva disse...

Esse autor escreve sempre livro s emocionantes. Gostei da premissa do livro e talvez o leia.

Arlindo Lobo Barata disse...

Nunca li nenhum livro do John Boyne e acho que nem lerei...ksksks

Eu já assistir ao filme O Menino do Pijama Listrada e fiquei muito emocionado que nem quis saber de ler o livro...ksks

Mas aí quem sabe algum dia eu acabe mudando de ideia

Abraços!!
http://macaliteraria.blogspot.com.br/

Manu Hitz disse...

Priscila, querida, estou ansiosa para ler este livro porque sou super fã de Boyne. Faz tempo que nao leio o autor do maravilhoso O Palácio de Inverno (inesquecivel e cinco estrelas), entao semana passada li o pequenininho Tormento, quase um conto esticado em 98 páginas. Com a densidade e a sensibilidade de Boyne.
Adoro os fatos históricos que ele relata tao bem em suas histórias. E sob a ótica de uma criança, que proporção toma uma guerra e todas essas perdas?
Amei! Vou adquirir pra ler imediatamente.
Beijooo!

Érika Rufo disse...

Que linda a resenha! Me deixou com ainda mais vontade de ler esse livro. Acho a capa linda e o título realmente chama a atenção. A história parece realmente emocionante, daquelas que deixa os olhos marejados durante toda a leitura. Também, não se podia esperar menos de John Boyne... Com certeza quero ler.


Beijos!!

mirelle soares gomes disse...

AMEI a resenha mi deixou super curiosa em relação a este livro acho que si eu for ler tem que ter uns lencinhos :'(

Tamiris Leitão disse...

Esse autor está sempre emocionando, pelo que eu soube. e vejo que a você também, pri. Acho que o livro é bastante interessante e tocante, não sei ainda como classificar. De verdade. Estou vendo se quero ou não.

aninha disse...

eita livro. pelos olhos de uma criança, mesmo que essa criança tenha aprendido a ser mais maduro, é sempre emocionante. e principalmente em se tratando do horror da guerra. esse autor sabe contar uma história tão intensa sem cair na pieguice. confesso que não li nada dele ainda, só vi ao filme "O Menino do Pijama Listrado". a capa desse livro é muito bacana, esse desenho, ficou muito bem feita. espero poder lê-lo em breve. bj!

Michele Lopez disse...

Também gostei só pelo título! E a história parece ser muito boa! Mais um para a lista dos que pretendo adquirir!

Michelli Santos Prado disse...

Olá Pri, tudo bem?Este livro me interessou muito por ter um tema que sempre me chama a atenção e com certeza sua resenha me encantou e ainda não tive a oportunidade de ler nada do autor, e com certeza deve ser uma historia super marcante, pretendo conferir!!

Nardonio Alves disse...

Os livros do John Boyne são de rasgar o coração mesmo. Suas histórias são sempre cheias de emoções a flor da pele. Apesar de não ser do gênero que gosto muito de ler, não custa nada conferir os livros do autor, pois é certeza de uma ótima leitura (e ressaca literária também. kkkkk).

@_Dom_Dom

Douglas Fernandes disse...

A capa é linda mesmo *-*
do autor eu só li O menino do pijama listrado , lindo demais né.. tenho muita vontade de ler algo dele, pq esse único livro dele que li gostei muito.

Desbravadores de Livros disse...

É o primeiro livro que li de Boyne e tenha certeza que ele me surpreendeu. Superou minhas expectativas.

Adorei o personagem Alfie, sua forma de ver e encarar a vida. Assim como todos os outros personagens eu achei bem construídos. Alfie é um garoto que já passou por muita coisa difícil na vida, mesmo sendo tão novo.

O livro eu achei emocionante demais.

M&N

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