Resenha: Enquanto a Chuva Caía (Christine M.)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014



Título: Enquanto a Chuva Caía
Autor: Christine M.
Edição: 1
Editora: Novas Páginas
ISBN: 9788581634470
Ano: 2014
Páginas: 288




SinopseErik não procura mais a garota dos seus sonhos. Vive em busca de adrenalina e de uma razão para continuar cumprindo tarefas obscuras. Ele sabe que é muito bom no que faz e não vê nada que possa ser melhor do que os seus dias repletos de perigo. O que Erik não esperava é que sua paixão por correr riscos seria a sua ruína. Ameaçado, ele precisa fugir para o exterior e viver disfarçado de cidadão comum, trabalhando como advogado em uma grande empresa. Marina comanda o império da família depois de seu pai ter sucumbido ao mal de Alzheimer. Precisa suportar ver os pais tombarem diante da ação implacável do tempo, enquanto ainda carrega a ferida provocada pela morte do jovem marido. Com o comando das empresas nas mãos, ela percebe que nem todas as atividades da corporação obedecem aos manuais de boa conduta. Quando ambos se encontram, presente e passado se misturam, dando início a um mistério arrebatador que os atrai a uma paixão incontrolável. No entanto, os segredos, cedo ou tarde, virão à tona e os colocarão em lados opostos da balança. Nenhum dos dois é inocente, mas será que eles aceitarão as verdades que tanto se empenham em esconder? É possível construir um futuro mesmo depois de descobrir que nesta história não há mocinha nem herói? 


            Enquanto a Chuva Caía foi escrito pela Christine M. e lançado pela Editora Novo Conceito. Acho que já falei aqui outras vezes e levem isso em consideração ao ler essa resenha, eu sou muito mais crítica com autores nacionais e eu NUNCA faço elogios exagerados e nem sem sentido. Mantenham isso em mente ok?


            Marina é uma mulher que já passou por muita coisa na vida, viúva há dois anos e com apenas vinte e seis anos, ela se viu obrigada a assumir os compromissos da empresa milionária dos pais, pois seu pai estava com Alzheimer. Morando em Nova York ela tem uma estranha rotina, todos os dias depois do trabalho ela dirige ao cemitério para falar com Adam, seu marido morto. Erik é um paulista que leva uma vida dupla, ele é um advogado que tem uma segunda vida, ele trabalha como um tipo de justiceiro, matando bandidos para a justiça brasileira. Quando ele é colocado em perigo por conta de seu trabalho e mandado para Nova York para trabalhar em uma empresa, como uma espécie de férias, ele conhece a CEO com o cabelo indefinido no meio de uma chuva torrencial e a partir daí tudo pode mudar por que nada é exatamente como parece não é?

            A narrativa é em primeira pessoa e é alternada entre Erik e Marina, o que nos transporta para duas visões deferentes de mundos quebrados. Erik tem seus demônios que não são muito fáceis de lidar, ele viveu muito tempo num mundo onde tudo é preto ou branco. Já Marina suportou muitas perdas e isso fez com que ela guardasse uma tristeza interminável dentro de si. Quando você junta dois personagens tão danificados assim o resultado, nesse caso, é um livro cheio de quotes lindos.

Todo mundo é um resultado de um acúmulo de vida, de promessas e expectativas não cumpridas. Cada um de nós é a soma dos dias vividos e também daqueles que nunca vieram, e normalmente é difícil saber o que pesa mais. No meu caso, reconheço que perdi a fé e que é impossível amar sem se permitir acreditar. Eu adoraria estar diferente, mas o fato é que cansei de colocar a vida em modo de espera, sobretudo à espera de alguém" (pág 255) 
            Durante toda a narrativa você se pega apaixonada cada vez mais pela relação de Marina e Erik, eles parecem um aliviar a dor do outro. Erik ensina Marina a se abrir e Marina ensina Erik que ele não precisa ser sozinho, que uma vida com um apartamento, planta, cachorro e domingos preguiçosos não são enfadonhos. Além da história dos dois ainda há as relações que Marina mantém com amigos e família que são meio complicadas e abordam assuntos interessantes, como a violência doméstica, um amigo cafajeste e uma mãe controladora, até mesmo reflexões sobre a perda dos familiares de vítimas da guerra. São assuntos interessantes que fazem o plano de fundo da narrativa ainda mais envolvente e emocionante.

            Christine M. conseguiu, mais uma vez, me envolver na trama e fazer com que eu me afeiçoasse aos personagens, não consegui não chorar com Marina ou não ficar irritada com Erik. Me peguei sorrindo para as coisas mais bobas diante de lindas passagens e até mesmo senti falta da chuva que raramente aparece aqui por Fortaleza.

            A capa desse livro é bem significativa e a modelo passa realmente a melancolia da personagem. A diagramação é outro show a parte, cada capítulo começa com o trecho de uma música (conversaremos sobre isso melhor em outro post) e tem alguns desenhos bem bonitos. Enfim, recomendo a leitura de Christine M., me atrevo a dizer que ela é um dos nomes de autores brasileiros contemporâneos mais promissores do mercado atual.


3 Comentários:

aninha disse...

nunca li nada da Christine M ainda. tenho quase certeza que vou começar por Enquanto a Chuva Caía. um erro de alguns autores é fazer personagens que tem uma história de vida difícil ou que tenham passado por momentos difíceis é aquela mimização eterna. pelo que li na resenha (ótima por sinal) Christine M faz justamente o contrário, ela encaixou as histórias e não caiu no clichê. achei lindo como vc definiu Mariana e Erick, eles aliviam a dor um do outro. por mais difícil que seja, vale a pena amar. e também situações que sustentam o enredo. não me pareceu um livro triste e sim um livro tocante. a capa é uma das mais bonitas que vi a NC fazer. achei linda mesmo! jurava que ia ser um casal correndo e sorrindo no meio da chuva, bem cafona (vindo da NC não me surpreenderia rs) graças a Deus, me surpreendeu positivamente. já tá como desejado e vou procurar lê-lo o quanto antes. Priscila mais uma vez dando show no que escreve, resenha segura, sem spoilers e imparcial. amo! bj!

Patricia Andrea Peña disse...

Nossa, fiquei super interessada, parece um livro maravilhoso!


Parabéns pela resenha.


Bjs,


Pati

Nardonio Alves disse...

É muito legal ver autores nacionais escrevendo tão bem assim, né?!?!
Uma coisa que me agradou bastante foi ver que os protagonistas se completam. Um vai ajudando o outro naquilo em que sentem mais dificuldades. Fora isso, tem esse leque de assuntos bem interessantes, que vêm para dar um plus na trama.

@_Dom_Dom

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