Resenha: Não se apega, não (Isabela Freitas)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014



Edição: 1
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575330
Ano: 2014
Páginas: 256
Sinopse - Não Se Apega, Não - Isabela Freitas
Desapegar: remover da sua vida tudo que torne o seu coração mais pesado. Loucos são os que mantêm relacionamentos ruins por medo da solidão. Qual é o problema de ficar sozinha? Que me desculpe o criador da frase “você deve encontrar a metade da sua laranja”. Calma lá, amigo. Eu nem gosto de laranja. O amor vem pros distraídos.
Tudo começa com um ponto-final: a decisão de terminar um namoro de dois anos com Gustavo, o namorado dos sonhos de toda garota. As amigas acharam que Isabela tinha enlouquecido, porque, afinal de contas, eles formavam um casal PER-FEI-TO! Mas por trás das aparências existia uma menina infeliz, disposta a assumir as consequências pela decisão de ficar sozinha. Estava na hora de resgatar o amor-próprio, a autoconfiança e entrar em contato com seus próprios desejos.
Parece fácil, mas atrapalhada do jeito que é, Isabela precisa primeiro lidar com o assédio de um primo gostosão, das tentações da balada e, principalmente, entender que o príncipe encantado é artigo em falta no mercado.
Isabela Freitas, em seu primeiro livro, narra os percalços vividos por sua personagem para encarar a vida e não se apegar ao que não presta, ainda assim, preservando seu lado romântico.

Bom, para começo de conversa eu preciso dizer que não conheço a autora, nunca tinha sequer ouvido falar dela ou de seu livro antes de receber o e-mail da Intrínseca informando que este já estava disponível para os parceiros.

Isabela, (sim, a personagem do livro tem o mesmo nome que a autora, ou será que é uma autobiografia? Não pesquisei, confesso!) tem 23 anos, estuda direito e terminou seu relacionamento com Gustavo há poucos dias. Todo mundo acha que ela só pode estar louca porque ela e Gustavo faziam um par perfeito. E então começa essa trajetória da personagem para aprender a viver a vida de solteira, já que ela sempre esteve namorando. Ela conta com dois melhores amigos: Pedro e Amanda. E eles vão ajuda-la a se reerguer e aprender a ser feliz sozinha.

Gostei da capa, a premissa parecia ser interessante e como eu estava mesmo precisando ‘desapegar’, resolvi pegar este livro para ler. Essa resenha vai ser um pouco complicada de fazer porque eu ainda não descobri (juro por Deus!) qual o gênero desse livro. Não sei se é autoajuda, ficção, não-ficção, autobiografia... enfim, a autora começa como um livro de autoajuda, contando alguns causos de sua vida e de seus amigos, e muda completamente o estilo da narrativa, fazendo com que o livro termine como um romance. Mais confuso, impossível. 

No começo ela dá 20 regras do desapego. Mas espera aí, existem REGRAS? Vamos lá.

Não vou comentar regra por regra, vou falar apenas das que eu achei absurdamente contraditórias, como todo o livro, a propósito. Mas falaremos disso mais adiante, aguenta aí leitor!

Regra 6:
“As pessoas são falsas, e sempre que tiverem uma oportunidade vão te apunhalar pelas costas. Pelo menos grande parte delas. É que ser verdadeiro é muito difícil.”

Como assim, Brasil? Quer dizer que TODAS as pessoas são falsas? Querida, isso não é uma regra, desculpa, é um pré-conceito. E sem nenhum fundamento, diga-se de passagem.

Regra 10:
“Desistir do outro não é fracassar. É ter a consciência de que algumas pessoas simplesmente não valem o seu esforço. Se não há reciprocidade não é amor. É insistência.“
Regra 19:“É preciso acreditar nas pessoas, mesmo quando nem elas mesmas acreditam.”
É isso mesmo que você leu, meu caro leitor. E só piora.

E depois dessas 20 regras eu respirei fundo e comecei a ler. E qual não foi a minha surpresa, quando nas primeiras páginas ela me manda uma dessas:

Aliás, eu sou da seguinte opinião: afeto não precisa ser demonstrado em excesso. Todas as pessoas que querem mostrar demais que estão inabalavelmente felizes, aos meus olhos, são as mais miseráveis. São aquelas que tentam se convencer da própria felicidade. Como se dizer a si mesmo ‘eu sou muito feliz’ fosse mudar alguma coisa. Piada.

Oi? Desculpa, mas se eu estou feliz eu não vou mais poder mostrar que estou feliz? Agora é errado, feio, pecado, sujo, etc., eu mostrar que estou feliz, se de fato me sinto assim? Pode não ser necessário demonstrar felicidade, mas E SE EU QUISER? Não tenho direito? E se resolvo gritar aos quatro ventos que sou muito feliz, por isso eu sou uma pessoa miserável? Mais uma vez a autora toma algo que aconteceu com ela, como verdade universal. E ela faz isso em vários momentos do livro. NÃO É ASSIM MOÇA, CALMA LÁ. 

Mas e se você acha que acabou, calma, não termina por aí não. E pode aproveitar e pegar a pipoca, se acomodar confortavelmente aí na sua cadeira porque essa resenha vai ser imensa.

Em um dado momento ela está conversando com uns amigos sobre desapego e alguns perguntam: “Desapego? Você? Ué, mas você não namorou a vida inteira?” Aí ela como uma menina mimada fecha a cara e tenta explicar, só que mentalmente xingando as pessoas e diz que sente que a pessoa não tem intelecto para conversar com ela. Sério?

E então ela resolve contar a historia de uma amiga que namorava o mesmo carinha há uns oito anos e era a típica Amélia, que aceita tudo que o namorado faz, inclusive as mentiras e traições. Ela vê o cara ficando com outra na balada, e o que ela faz? Corre pra contar pra amiga dela. Fala sério gente! A pessoa é miserável e ainda quer tornar a vida dos outros tão miserável quanto a sua. Primeiro de tudo, principio básico ensinado desde os primórdios da humanidade: “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Isso é coisa de adolescente bobo, que não sabe ver as coisas e ficar calado, tem que ir meter o nariz onde não é chamado. Me enojei a partir daí. E outra coisa, ela diz que detesta ouvir conselhos e olha só o que ela faz. Alô, Contradição.

“- Ingrid! [...] Você precisa parar com essa mania de anular as coisas ruins com as coisas boas que o seu namoro já teve, que, a proposito, nem foram tantas.” Página 36.
“...não que eu seja uma pessoa que goste de ouvir conselhos. Porque não gosto.” Página 51.

Se você não gosta de ouvir conselhos, NÃO OS DÊ! Se você não quer que as pessoas se metam na sua vida, não se meta na vida de ninguém. Simples.

O que mais me irritou é que a personagem dá pitis com seu amigo Pedro por tudo e por nada. Acho que a autora em algum momento se perdeu na narração de sua história, não quis mais que fosse um livro de autoajuda e resolveu romantizar, ou tentar forçar um romance, mas fiquei com a sensação de que o tal amigo era apaixonado secretamente por ela e ela não se dava conta disso, enquanto fazia ceninhas de ciúme por causa de uma pessoa que ela nem conhecia. Talvez ela desenvolva isso no livro 2. É, parece que vai ter continuação. E outra coisa, diálogos fracos, forçados e uma tentativa de fazer o leitor chorar com a história da amiguinha Sara, que não me convenceu. Outra coisa que não me convenceu foi essa imagem de "fofa" que a personagem tentou passar para o leitor, em momento nenhum eu a achei fofa. Não, não senti empatia nenhuma por ela e a achei o cúmulo do tédio. 

Gente, sinceramente, eu NUNCA li um livro tão contraditório, redundante e com tantos absurdos na minha vida. Mas também eu não podia esperar muita coisa, visto que a personagem parece que ainda não saiu da adolescência porque ela apesar de seus vinte e três anos, age como uma menina de treze anos. Não sei se é intencional, se é personagem ou a própria autora narrando sua história de vida. É muito confuso isso. Ela passa o livro todo dizendo que decepções são necessárias, que a dor é necessária, bla bla bla, para aprendermos a viver, bla bla bla. Sério, cansa, o tempo todo ela fala a mesma coisa! Sem falar que ela fala um milhão de vezes como ela é fisicamente e passa umas três páginas falando como seu cabelo loiro é liso, sem frizz e que não segura uma tiara. Desnecessário. Nós já entendemos, não precisa repetir a todo momento. A personagem Isabela é fraca, tem uma personalidade rasa e adora se fazer de vítima, fazendo mimimi por tudo. Não tem nada mais irritante do que personagem mimimizento. 

Continuando com as contradições, ora a personagem fala que é insegura, ora diz que é bem resolvida. E depois diz que é covarde. Oi? Típica adolescente mimada que não sabe o que quer da vida. 

“[...]Ao lado, uma menina bonita, um pouco insegura, loira... [...]” página 17
“[...] Eu era a garota mais bem-resolvida entre todas as minhas amigas [...]” Página 65
“[...] E, olha, não é só por ser uma covarde. Porque eu sou.” Página 108
Essa resenha já está grande demais e acho que é hora de parar por aqui. Mas vamos às considerações finais. Não foi nada do que eu esperava e eu não gostei do livro. A estrelinha que ele ganhou deve-se à capa e diagramação, pois o trabalho gráfico está incrível. Mas isso não me surpreende porque a Intrínseca sempre arrasa nesse quesito. 

Para mim foi uma imensa sensação de perda de tempo, e acredito que só o tenha lido inteiramente porque devido à uma manutenção na rede de internet no meu bairro, fiquei o domingo todo sem acesso a internet, e por falta do que fazer, decidi levar a leitura até o fim, só para poder fazer uma resenha sincera e decente, mas com a propriedade de quem leu o livro até o fim. O final foi brochante, porque simplesmente NÃO ACONTECE NADA. Ela acaba sem mais nem menos, sem mesmo aprender a ser feliz sozinha porque mesmo no final do livro ela ainda é tão imatura quanto no começo, dando um pití absurdo por NADA. 

Nunca vou dizer a um leitor: não leia, não compre, pelo contrário, o que para mim não foi uma experiência agradável para outras pessoas pode funcionar completamente. Não se apega, não, de fato não funcionou para mim, mas pode ser que para você leitora – ou leitor – que tenha, sei lá, 15 anos e acabou de terminar um relacionamento, possa funcionar e dê um bom livro de autoajuda-romance-autobiografia. E não esqueça de passar aqui de novo depois de ler, para dizer o que achou, certo?

Até a próxima.

Update: o concurso cultural foi cancelado. Desculpem. Mas algo melhor vai vir. O blog sorteará o exemplar autografado. 


15 Comentários:

Danielle Almeida disse...

O livro é tão ruim que ninguém quer participar do concurso,rsrsrsrsrrsrs''

Letícia Rodrigues disse...

Tava muito afim de ler esse livro, mas fiquei desanimada depois de ler sua resenha!

vollzin disse...

Nossa, definitivamente eu não daria uma chance a esse livro. Mesmo quando ele não faz parte do meu estilo, eu às vezes procuro dar uma chance a um livro diferente, porém, depois da sua resenha de Não se apega, não, eu não vou lê-lo se puder evitar. Gostei que você colocou todos os pontos que não funcionaram pra você, deixou tudo claro e embazou os motivos de não ter gostado dele (=

Amanda Campelo disse...

Se o problema for se livrar de algo velho, basta colocar algo novo no lugar.

Participando!

Jéssica Martínez disse...

Desde o lançamento eu achava que esse livro era auto-ajuda... o.O


Bom... eu já não gosto de auto-ajuda, então nem me interessei em ler a sinopse de Não se Apega, Não (apesar de ver algumas fotos da diagramação do livro internet afora e realmente ser muito linda!).


Obrigada, Jordana, por sacrificar seu tempo lendo e dando sua opinião do livro e assim poupar o meu tempo em ler algo ruim e poder investir em leituras mais proveitosas. =P


Vou concorrer no concurso só pra poder trocar no Skoob! (Tô sendo sincera!)


"Mesmo que você se depare com alguma coisa ou situação que seja ruim, não se frustre, encontre uma utilidade para ela. Nem tudo está perdido!"

Nardonio Alves disse...

Nossa! Que coisa mais horrenda. kkkkkk
Já não tinha interesse nesse livro (pois achava que era um auto-ajuda). Agora que vi que é um "samba do crioulo doido", tive a certeza de que não quero. Só por esses trechos que você colocou, dá pra ver que fofa, essa personagem nunca foi, nem nunca será. É cada uma que a gente vê nessa vida, hein?!?! kkkkkk

@_Dom_Dom

Tamiris Leitão disse...

Vou dizer uma coisa: Esse livro é uma autobiografia. Sim, a Isabela namorava o Gustavo e eles terminaram, e assim surgiu o BLOG *não se apega não*. Sim, até aí tudo bem. Lá ela CRITICA a natureza masculina, e no mundo dela homem e cachorro é a mesma coisa. OK. Mas daí ela começa a namorar o léo, e VAI PUBLICAR UM LIVRO SOBRE O EX !!!! Tipo, ok ?? Super normal né?

Aí ela lança o livro, e o atual está em todos os lançamentos com cara de tacho olhando pra namorada falar sobre o ex. E daí vem a parte mais engraçada!!

Você compra o livro (de besta) e nele tem: "Aliás, eu sou da seguinte opinião: afeto não precisa ser demonstrado em excesso." . Só que você olha o instagram da dita cuja, e SÓ O QUE TEM SÃO DEMONSTRAÇÕES DE CARINHO E AFETO. KKKKKKKKKKK Como a hipocrisia atingiu essa cidadã? Dentre inúmeras outras coisas. Eu não comprei o livro dela, porque não gastaria meu dinheiro com aquilo, mas minha prima o fez e eu dei uma olhada, só para comprovar o que eu já sabia desde o dia que ela lançou o blog: "Ela tem é uma paixão muito louca pelo ex, e ainda remoe até isso.".



Porque a ÚNICA regra que eu conheço pra desapegar é: Desapega. Pronto. Quanto mais atenção você der a isso, mais você se incomoda.


Sim, acho que minhas duas linhas acima foram muito mais diretas e teriam economizado muito dinheiro de leitoras que compraram o livro. kkk
Então, não me assusta essa sua resenha, porque partilhamos da mesma opinião. kkkkk

aninha disse...

juro por Deus que não sei nem o que dizer. custo a acreditar o que levou uma editora como a intrínseca, apostar em um amontoado de idiotices como esse. como uma pessoa pode pensar assim?! “Aliás, eu sou da seguinte
opinião: afeto não precisa ser demonstrado em excesso. Todas as pessoas
que querem mostrar demais que estão inabalavelmente felizes, aos meus olhos,
são as mais miseráveis" ainda bem que aos olhos dela, pq aos meus e acredito que de todos que tenham um pingo de bom senso e coração, quando uma pessoa está feliz e demonstra, não é pecado. enfim, eu nunca disse "esse livro eu não leio" mas esse daí, eu não vou ler mesmo. rs

Romances e Leituras disse...

Dana, eu acabei me esquecendo de comentar com você sobre esse livro. Eu pensei em comprá-lo porque fiquei super curiosa, mas estou muito na dúvida! hahaha

Dana Silva disse...

Olha, se vc tiver parceria com a Intrínseca até poderia pedir pra matar a curiosidade, mas comprar? rsrs :)

Dana Silva disse...

rsrsr obrigada pelo comentário Tamiris ^^ bjos!

Dana Silva disse...

rsrs de nada Jéssica, disponha ^^ bjs

Dana Silva disse...

;) obrigada pelo comentário Letícia! bjs

Dana Silva disse...

kkkkk =x

Dana Silva disse...

eu tbm me perguntei isso Aninha! ^^ bjs

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