Resenha: Shakespeare e elas (Janaina Vieira, Laura Conrado e Lycia Barros)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Edição: 1
Editora: Autêntica
ISBN: 9788582173312
Ano: 2014
Páginas: 256
Sinopse - Shakespeare e elas
A obra de Shakespeare é eterna. Há praticamente 400 anos vem atravessando o tempo, encantando, ensinando, alegrando e emocionando plateias e leitores ao redor do mundo. Mas foi escrita em outra época, quando os valores, a vida cotidiana, as relações e a linguagem eram completamente diferentes da realidade do mundo moderno. Devido a isso, fora dos círculos acadêmicos, dificilmente os textos originais são lidos. No entanto, a carga emocional que cada história traz é tão forte e tão atual que pode ser encontrada e reconhecida em praticamente qualquer lugar. O que acontece nas peças pode acontecer a qualquer momento, na vida real, com outros nomes e diferentes lugares, pois a natureza humana ainda é a mesma, repleta de ambiguidades, grandezas, alegrias, tristezas, heroísmo e perdição. Com o objetivo de aproximar sua obra do leitor comum e do público jovem, as autoras apresentam neste livro suas versões de três peças de Shakespeare, uma comédia e duas tragédias: Otelo, Sonho de uma noite de verão e Romeu e Julieta.

Shakespeare e elas, Editora Autêntica, 254 páginas, é uma releitura de três peças de William Shakespeare: Otelo, Sonho de uma noite de verão e Romeu e Julieta. Primeiro de tudo devo dizer que nunca li nada de Shakespeare, pelo menos não a obra original. Conheço as histórias pelos filmes e outros livros baseados nelas. A resenha vai ficar enorme porque comentarei cada uma das histórias. 


A primeira história, Otelo, foi reescrita por Janaina Vieira. Na história original, Shakespeare conta a trágica história de Otelo e Desdêmona, que apaixonados e com o apoio do pai da moça, um importante senador, despertam a ira e inveja de Iago, que implanta a semente maligna do ciúme em Otelo, levando-o a acreditar que Desdêmona o trai com Cássio. 

Na história de Janaina Vieira, temos Otelo (como Otelo), Diana (como Desdêmona) e Tiago (como Iago). O plot é o mesmo, apenas adaptado para ficar comtemporâneo. Otelo conhece Diana na empresa onde trabalha, a moça é filha de um senador amigo do CEO da empresa. Otelo e Diana se apaixonam, e logo um e-mail anônimo chega para o senador revelando-o o caso amoroso entre o rapaz e sua filha. O senador fica enfurecido mas quando chama o casal para uma conversa, se convence de que eles se amam e aceita de bom grado o relacionamento. Tiago, que se dizia amigo de Otelo, mas que nutre por este uma inveja sem tamanho fica frustrado visto que seu plano fracassara. E então começa uma rede de intrigas, mentiras e várias tragédias. 

Bom, a primeira história tinha tudo para ser muito boa. Pega-se um casal apaixonado, com um dos personagens tendo complexo de inferioridade e sendo ciumento, uma pessoa invejosa e maquiavélica, mistura tudo numa panela e o resultado poderia ser um drama muito empolgante. No entanto, a achei bem forçada. tanto que demorei uma semana pra conseguir terminá-la. Achei tudo muito chato e fantasioso. Ou melhor, absurdo. Era para ser uma história contemporânea, plausível. Achei fraquíssima. Os diálogos não me convenceram, os personagens não tinham profundidade e nem complexidade e as situações não poderiam ser mais inacreditáveis, beirando o ridículo. Não consegui me conectar com a história, não senti empatia por nenhum personagem e realmente não me agradou a escrita da autora. Nunca havia lido nada de Janaina Vieira antes desta história. Nota 1. 

A segunda história, Sonho de uma noite de verão, foi reescrita por Laura Conrado. Na história original temos a fuga de Lisandro e Hérmia, um casal apaixonado que foge para ficarem juntos porque o pai da moça não aprova o relacionamento. Tem também o casamento do duque de Atenas com a rainha das Amazonas e uma briga entre dois seres encantados, Oberon e Titânia, rei e rainha das fadas. E ainda mais um grupo de teatro se reúne na floresta para ensaiar a peça a ser apresentada no casamento do duque. Toda essa bagunça resulta na comédia criada por Shakespeare e se passa em uma noite de verão.

Na história de Laura Conrado, temos Sandro e Débora, o jovem casal que foge para a floresta para ficarem juntos porque o pai da moça não aprova o namoro, e quer que ela se case com Denis, por quem Helen, amiga de Débora, é apaixonada. Helen fala para Denis que o casal vai fugir e este parte para trazer Débora de volta. Helen corre em seu encalço. Logo, os quatro jovens estão perdidos na floresta. Sandro e Débora param para descansar mas acabam se separando e por um engano, Saci pinga nos olhos de Sandro uma poção mágica para fazer ele se apaixonar pela primeira pessoa que vir, e quem lhe aparece é Helen. A confusão está armada. Sandro corre atrás de Helen que corre atrás de Denis que corre atrás de Débora, que lamenta ter perdido o amor de Sandro para Helen. Junto a isso, temos uma disputa entre o Boto e Iara, rainha das águas.

Bom, não conheço muito bem a história original, mas já sei que nela há muita fantasia e seres sobrenaturais, logo, não vou dizer que é absurdo esta história também conter seres encantados. Aliás, uma das coisas positivas desta história é que a autora usou seres do nosso folclore! Tem o saci, a Iara, o Boto, as sereias, o curumim, etc., achei isso muito legal! Mas preciso falar que também não consegui me conectar com os personagens e nem criei empatia com nenhum deles. Achei que os diálogos também soaram fracos e nada convincentes, notem que suspendi a descrença, realmente entrei com vontade na história e aguentei obscuridades, na esperança de uma solução, que não veio. Achei muitas partes confusas e difíceis de engolir, mesmo para uma história de fantasia. Mas sim, foi um pouco melhor que a primeira história. Nunca li nada de Laura Conrado antes deste texto. Nota 2. 

A terceira história, Romeu e Julieta, foi reescrita por Lycia Barros. Esta eu não preciso me estender muito na ambientação, pois aposto que todo mundo já deve conhecer a mais famosa tragédia de Shakespeare. No original, Romeu Montecchio e Julieta Capuleto se apaixonam perdidamente durante um baile de máscaras dada pelos Capuleto, onde Romeu e seus parentes se infiltram a fim de se divertirem. A paixão é avassaladora e ambos decidem se casar às escondidas pouco tempo depois de iniciado o romance. Porém, uma tragédia acontece, acidentalmente Romeu mata um membro da família Capuleto e então mais do que nunca a rixa se fortalece, levando os amantes a passarem por muitas dificuldades. 

Na história de Lycia Barros, temos Os Queiroz (Capuleto) e Carvalho Rodrigues (Montecchio), que são duas das mais tradicionais famílias de Itanhandu. Tradicionais e rivais por motivos políticos. Juliana Queiroz é filha do prefeito e estudou muitos anos fora. Agora ela está prestes a fazer 18 anos e voltou à cidade de Itanhandu. O prefeito tem outro filho, Bentinho, que é um mauricinho que adora uma boa confusão. Do outro lado temos Renan, sobrinho de Adebaldo Carvalho Rodrigues, que é um bom rapaz, não gosta de confusão e seu maior prazer é ler e escrever poesia. Numa noite aceita sair com o primo Teodoro, filho de Adebaldo, e acaba conhecendo Juliana. Os dois iniciam uma tímida amizade e antes do fim da noite se descobrem apaixonados. Juliana é muito presa e mal sai de casa, dessa forma, Renan precisa escalar a varanda da moça para ter alguns momentos na companhia da garota. A paixão é avassaladora, porém o pai de Juliana tem outros planos para a menina: casá-la com seu afilhado Patrick, um almofadinha cheio de si que está se candidatando a deputado e por quem o prefeito tem muita estima. Quando finalmente Patrick pede a mão de Juliana em casamento, ela conta-lhe a verdade do porquê não pode se casar com ele, pois está apaixonada por outro. Patrick a delata para o pai e assim começam os problemas do jovem casal. 

Bem, esta sim foi a mais convincente das histórias. Consegui sentir empatia pelo casal Renan e Juliana e ficava de coração na mão todas as vezes em que algo dava errado para os dois. Como sabemos o final de Romeu e Julieta não é um final feliz, e aqui não poderia ser diferente, embora eu tenha torcido secretamente para que a autora ousasse e desse um final diferente. Apesar de alguns diálogos terem soado poéticos demais, visto que a história é contemporânea e tem como protagonistas jovens de 18 anos mais ou menos, ainda assim gostei da narrativa da autora. Achei que fluiu bem melhor que as duas anteriores e prendeu mais a minha atenção. Nunca havia lido nada desta autora antes, mas procurarei outras obras dela, pois me agradou a sua narrativa. Nota 3. 

Bem, não sei como concluir esta resenha. Se deixo assim a análise de história por história, ou se faço um apanhado geral do livro e dou a nota. O sentimento que me vem agora é o de que tem coisas que não devem ser mexidas. Por favor, não sou nenhuma fã xiita de Shakespeare, como já disse, nunca li nada dele no original. Eu só acho que é uma responsabilidade muito grande tentar mexer em um clássico, pois o risco de sair algo ruim é maior do que o contrário acontecer.

Sobre a capa e a diagramação: Não sei se gostei muito da capa, mas acho que ela retrata bem a proposta do livro. A diagramação está boa e não encontrei erros de ortografia e/ou digitação. Só tenho que reclamar da qualidade da capa, pois o meu exemplar já está descascando na lombada e na parte de trás e mal foi manuseado. Enfim, deixo aqui a recomendação para você leitor, que gosta de Shakespeare. Leia e depois venha aqui comentar comigo. Aliás, gostaria muito de saber a opinião de alguém que já leu este livro, pois ainda não conheci ninguém que o tenha lido. Se você leu, por favor, venha trocar umas ideias comigo!!! 

Até a próxima!!! 

2 Comentários:

Tamiris Leitão disse...

Só por se tratar de uma adaptação de uma obra eu já fico com o corpo inteiro pra trás, e não só o pé. E mais de Shakespeare? Eu nunca consegui terminar uma obra dele, exceto Sonho de Uma Noite de Verão, palmas pra mim. Enfim , só digo uma coisa sobre:

aninha disse...

é interessante ver outras roupagens qua autores dão a obras já feitas, porém certas autores e suas obras já consagradas não deveriam nem olharem pra eles com essa intenção. Shakespeare é um. principalmente do jeito que foi feito nesse livro. vc resumiu bem o que eu acho, não sou uma grande fã de Shakespeare mas tbm acho uma responsabilidade "mexer" em clássicos assim. eu poderia ler sem problemas, mas no momento não. bj!

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