Resenha: A Terra Inteira e o Céu Infinito (Ruth Ozeki)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014



Título: A Terra Inteira e o Céu Infinito
Autor: Ruth Ozeki
Edição: 1
Editora: Casa da Palavra
ISBN: 9788577344413
Ano: 2014
Páginas: 462
Tradutor: Débora Landsberg, Daniela P. B. Dias

Sinopse:O que acontece quando um diário perdida encontra o leitor certo? Numa remota ilha do Canadá, a escritora Ruth cata mariscos com o marido na praia quando se depara com um saco plástico coberto de cracas que envolve uma lancheira da Hello Kitty. Dentro, encontra um livro de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, e se surpreende ao descobrir que o miolo, na verdade, é o diário de uma menina japonesa, Nao. A sacola misteriosa, segundo os rumores dos habitantes, é mais um dos destroços do último tsunami que devastou o Japão e foi levado pelas correntezas até a ilha. Desde então, Ruth é tragada pela história do diário de Nao, uma menina que, para escapar de uma realidade de sofrimento – de bullying dos colegas e de um pai desempregado e suicida –, resolve passar seus últimos dias lendo as cartas do bisavô, um falecido piloto camicase da Segunda Guerra Mundial, e contando sobre a vida da avó, uma monja budista de 104 anos. O que Ruth não esperava era que o diário iria levá-la a uma viagem onde ela e Nao podem finalmente se encontrar fora do tempo e do espaço.


            A Terra Inteira e o Céu Infinito foi escrito pela Ruth Ozeki e publicado pelo selo Casa da Palavra da editora Leya. Eu peguei esse livro para ler depois de uma indicação do Clube do Livro aqui em Fortaleza, confesso que de certa forma me arrependi, pois apesar de ser um livro relativamente bom eu o li em um momento errado, minha vida atualmente está bagunçada e é um livro bem pesado.

            Ruth é descendente de japoneses que mora em uma ilha na costa do Canadá que recebe destroços de catástrofes, lixos marinhos etc. ela é escritora e divide uma pequena casa com seu esposo Oliver e o gato, Pesto. Um dia ao caminhar pela praia ela encontra um saco plástico com alguma coisa dentro, ao chegar em casa descobre que era uma lancheira da Hello Kitty com um diário, um pequeno caderno escrito em francês, um punhado de cartas escritas em japonês e um relógio antigo. E é assim que conhecemos Nao, uma japonesa de apenas dezesseis anos que tem uma vida difícil, ela morou muitos anos na Califórnia e quando volta ao Japão, passa a viver uma vida miserável, ela sofre um bullying pesado, agressões físicas e psicológicas que a levam a pensar em suicídio.
            A narrativa é em primeira pessoa, os capítulos são alternados entre Ruth e Nao, o que é bom, pois conseguimos sentir junto com as duas e ter acesso a informações que umas delas não tem.

            Quando eu comentei com alguns amigos que esse foi um dos livros mais pesados esse ano, não menti, esse foi realmente um dos livros mais pesados que li esse ano sem dúvida nenhuma, as cenas em que Nao sofre bullying são realmente pesadas e me arrancaram algumas lágrimas, passei por infinitos momentos de angústia, momentos de realmente pegar meu e-reader e não conseguir abrir o epub de puro descontentamento, pois sabia que teria momentos de sofrimento. No começo da leitura eu pensei “acho que esse seria um bom livro para passar para meus alunos sobre a temática”, mas depois de mais alguns capítulos creio que não conseguira passar um livro assim para minhas turmas, não por que eles não teriam capacidade para lidar com aquilo, mas por que eu não teria sangue frio suficiente para dar uma aula inteira sobre esse livro sem chorar ou no mínimo passar alguns dias mal.

            Durante algum tempo eu me perguntei se realmente Nao existia, pois a própria Ruth não conseguia achar nenhum indício da menina na internet, mas depois eu consegui identificar que isso não importa existem infinitas Naos nesse mundo, infinitas garotas que sofrem na escola por serem diferentes, infinitas que são alvo de cyberbullying, etc. Nao é uma personagem representativa, é mais um conceito que uma personagem real.

            Enfim, alguns pontos eu realmente não gostei, as partes “sobrenaturais” de Ruth com o corvo eu achei bem desnecessárias na narrativa e o final não me agradou, achei meio vago e totalmente diferente do jeito que esperava não de um jeito bom.

            A capa é interessante, esse desenho é até bonito. A diagramação, li em e-book, foi algo que me incomodou um pouco por conta das notas de rodapé, que nesse caso ficavam no fim dos capítulos, muitas vezes não conseguia me lembrar das palavras que os significados representavam. Ainda não sei se eu recomendo esse livro ou não, na verdade é um livro que você tem de estar com a vida boa para lê-lo sem passar pelo mesmo que eu.

2 Comentários:

antonio disse...

Estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe um comentário. Abraço fraterno.António.

aninha disse...

é um livro sem dúvida forte. um tema bem recorrente a nossa atualidade. interessante ver que Nao representa muitos meninos e meninas que sofrem desse mal, não é uma história vaga. também gostei da capa, achei simples, bonita. talvez eu não o lesse agora, mas sem dúvidas mais pra frente. bj!

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