Resenha: O menino dos fantoches de Varsóvia (Eva Weaver)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014




ISBN: 8581634173
Ano: 2014
Editora: Novo Conceito
Preço: R$ 19,80 até R$ 34,90
Sinopse: “Eu tinha 12 anos quando o casaco foi confeccionado. Nathan, nosso alfaiate e bom amigo, o cortou para o Vovô na primeira semana de março de 1938. Foi o último ano de liberdade para a Varsóvia e para nós... Sempre que você vir um casaco comum, pense no que pode existir em suas dobras, quais memórias podem estar escondidas em seus bolsos.” 
Até onde você iria em nome da sobrevivência?





Se você não é uma pessoa que gosta de livros que envolvem descrições de inúmeras pessoas sofrendo, de guerra, de fome, ou doença e crueldades, esse livro não é para você. Mas se você é uma pessoa que, apesar de tudo, adora ver coragem, esperança, amor e união, é possível que você, como eu, vá se apaixonar perdidamente por cada página da maravilhosa história de Mika, seu casaco e seus fantoches.


 Tudo começa com um Mika já velhinho, andando tranquilamente pelas ruas de Nova York, já em 2009, com seu neto, e com a sua decisão inesperada de finalmente, depois de tanto tempo, deixar seu legado ao neto e contar-lhe toda a sua história. Uma história que, após você mergulhar, é difícil sair dela ou esquecer. Uma história sobre a guerra, contada novamente pelos olhos da vítima que sofreu tanto mal, que perdeu tudo, que lutou bravamente a cada dificuldade, e no fim viveu para contar a história. Ele conta gradativamente, em detalhes, coisas que conhecemos com certa distância, como quando os alemães decidiram tirar as crianças judias da escola, pois não tinha significado qualquer uma delas estar aprendendo. Quando demitiram o avô de Mika – que era professor universitário – pois um judeu não deveria estar ensinando algo que ele nem mesmo deveria saber. Ele conta aos poucos como as coisas começaram, quando ordenaram que pudessem a estrela de Davi em suas roupas e como eles obrigaram que os próprios judeus se virassem para fazê-lo. Quando os tiraram das calçadas, das lojas, das padarias, dos empregos. E, finalmente, quando os enfiaram em guetos e os deixaram lá para morrer, dando-lhes um pouco de comida aqui e acolá. Mika nos mostra como aos poucos, com o tempo, os alemães passaram a humilhar ainda mais os judeus, ao ponto de muitas vezes matarem pessoas nas ruas por motivos diversos, como estarem andando meio torto, ou terem uma barba muito comprida.

 Todo o livro é detalhado, com uma narrativa direta e precisa, que te envolve e te faz querer chorar a cada descrição de crueldade, visto pelos olhos de uma criança que mal fizera treze anos. Mika vai contando sobre a passagem dos anos, de como encontrou sua salvação nos fantoches que seu avô, antes de morrer, havia começado a produzir. De como além de todo o sofrimento e tristeza e desespero, ele e a mãe ainda abrigaram duas famílias em seu minúsculo apartamento, racionando a comida e dividindo esperanças. Em como, apesar de tudo, ele encontrou o amor em Ellie, uma garota forte e determinada que trouxe forças a ele e o ajudou a lutar, sempre a seu lado. E essa é somente a parte um do livro.

 A segunda parte entra na história de Max, um alemão que conhecemos dentro do livro, após a guerra ter sido vencida pelos aliados. Muitos soldados alemães foram enviados para a Sibéria pelos Russos, onde ficaram presos e foram obrigados a trabalhar cortando madeira até o fim de suas vidas. Lá eles são tratados da mesma maneira como trataram os judeus, e eu achei que o destino deles foi pura ironia. A história aqui entra no sofrimento de Max durante todos os anos dele na Sibéria e suas esperanças para conseguir sair dali, e não deixa de ser emocionante.

 Eu achei a capa linda, e a diagramação está ótima. É um livro que faz você pensar, sofrer junto e refletir sobre as dores da vida, a esperança e a força de cada ser humano. Eu simplesmente amei cada página e espero que quem mais for ler, também ame. 


Resenhado Por Rebecca Cunha