Resenha: Ruína e Ascensão (Leigh Bardugo) Trilogia Grisha #03

quarta-feira, 11 de março de 2015


Ruína e Ascensão - Trilogia Grisha # 3
ISBN: 9788582352335
Ano: 2015
Páginas: 344
Idioma: português 
Editora: Gutenberg
R$ 18,00 até R$ 35,90
Ruína e Ascensão - A capital caiu.
O Darkling comanda Ravka em seu trono das sombras. Agora o destino da nação depende de uma Conjuradora do Sol arruinada, de um rastreador desonrado e dos cacos do que antes fora um grande exército mágico. No fundo de uma antiga rede de túneis e cavernas, uma fraca Alina deve se submeter à duvidosa proteção do Apparat e daqueles que a veneram como uma Santa. Porém, sua mente está na busca pelo misterioso pássaro de fogo e na esperança de que um príncipe foragido ainda esteja vivo. Alina deverá formar novas alianças e deixar de lado velhas rivalidades, enquanto ela e Maly buscam pelo último dos amplificadores de Morozova. Mas assim que começa a elucidar os segredos do Darkling, ela descobre um passado que mudará para sempre seu entendimento sobre a ligação que os une e o poder que ela carrega. O pássaro de fogo é a única coisa que está entre Ravka e a destruição — e reivindicá-lo pode custar a Alina o futuro pelo qual ela tem lutado.


Eu gostaria de registrar minhas impressões sobre Ruína e Ascensão, terceiro é último volume da Trilogia Grisha, no entanto está complicado, pois meus pensamentos encontram-se nebulosos após esse final. Encontro me fragmentado, sou obrigado a confessar que me sentir satisfeito por um desfecho, mas discordar dele em parte. Afinal de contas o meu papel é o de propiciar uma análise da obra.

Ruína e Ascensão inicia-se logo após o emocionante final de Sol e Tormenta. Alina encontra-se totalmente a mercê de sua sorte, a mesma foi praticamente enterrada viva, está sendo acompanhada por Aparrat e cerca por seguidores que a consideram uma santa capaz de levar luz às sombras. A falta da luz do sol a deixa cada vez mais debilitada e seu “ Guardião” a impede de ter contato com seus amigos, em especial Maly. Muitos Grishas foram dizimados pela insanidade doentia do cruel Darkling, Nicolai encontra-se desaparecido em baixo da terra o que deixa Alina aflita, pois não se sabe se o mesmo encontra-se vivo ou morto. O clima é tenso e a falta de esperança consome a todos. 

A esperança está em encontrar o terceiro amplificador, pássaro de fogo de Morozova que promete conceder esplendor a Conjuradora do Sol. Uma dúvida cruel consome Alina, pois a mesma não sabe se sua busca é motivada por altruísmo ou cobiça pelo poder, porém mesmo suas dúvidas não a impedem de ir adiante. E é quando ela, Maly e os outros conseguem escapar do subsolo e reencontram Nikolai que as coisas começam realmente a ficarem interessantes.

 Ruína e Ascensão continua denso e político. Em um mundo em guerra é de se esperar que muitas estratégias sejam tramadas, o que é muito bem vindo para o fluxo narrativo,  no entanto a autora pudesse ter dosado, para não deixar o fluxo temporal narrativo. Claro que já li livros mais lentos, mas o que me surpreendeu foi o fato de que os dois volumes anteriores foram tão empolgantes e apaixonantes que espera um terceiro livro mais dinâmico e repleto de ação. Confesso que logo nas primeiras páginas de Sombra e Osso surgiu um elo instantâneo entre mim e a obra.

Creio que faltaram cenas que ligassem emocionalmente leitor e personagens, além da própria Alina, que é a narradora. Cenas como as que ela dividiu com Nikolai , que valeram todo o livro. Sou levado a confessar que nos livros anteriores a minha apreciação entre Alina e Maly foi totalmente desfeita mediante ao elo criado entre a Conjuradora e Nikolai e deveras torci para que esse vínculo pudesse se fortalecer e se fortificar, esses momento me proporcionaram muita diversão e sorrisos frouxos.

Maly me decepcionou, pois ao longo da narrativa imaginava vê-lo amadurecer e crescer, acreditava que a autora fosse dar a Maly um papel de destaque ao lado de nossa Conjuradora. Mas o que realmente me decepcionou as perdas sofridas, acreditava que a crueldade do Drakling ceifaria várias e significativas vidas, mas o que autora me passou foi medo de matar personagens importantes. 

Claro, mortes ocorrem, mas não mortes que causem impacto no leitor. O desfecho tinha tudo para ser épico como o todo da obra, mas o que me parece é que Badurgo freia demais esse final com soluções mágicas para acontecimentos triviais que simplesmente não deveriam ter soluções. Um livro com cenas fortes e cruéis eu esperava mais atrocidades e sangue-frio no desfecho.

O último volume da Trilogia Grisha não encantou como os dois outros volumes da série, no entanto foi bom, mas poderia ter sido fantástico. A minha desilusão não comprometeu a minha leitura e recomendo a todos que apreciem uma boa fantasia repleta de elementos sobrenaturais e um bom tempero de romance.  A escrita de Leigh Bardugo é envolvente e fascinante e, certamente, lerei outras obras de sua autoria. Só espero que das próximas vezes o medo de ousar seja deixado de lado.