Resenha: O sol é para todos (Harper Lee) - To kill a mockingbird

segunda-feira, 10 de agosto de 2015


ISBN-13: 9788503009492
ISBN-10: 8503009498
Ano: 2015 / Páginas: 364
Idioma: português 
Editora: José Olympio (Grupo Editorial Record)
O Sol é Para Todos - Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

O sol é para todos, escrito por Harper Lee e publicado pela primeira vez em 1960 é  um clássico da literatura norte-americana moderna. Narrado em primeira pessoa por Jean Louise, uma garotinha de seis anos que vive numa cidadezinha (fictícia) chamada Maycomb, no Alabama. Scout, como é chamada por todos, narra suas memórias infantis ao lado do irmão Jem e de Dill, sobrinho da sua vizinha, que sempre passa as férias em Maycomb. 

Scout não tem mãe e vive apenas com o irmão, o pai Atticus Finch e a empregada, Calpúrnia, que apesar de não ter muita paciência com Scout, a ama muito. Atticus é advogado e é muito respeitado por todos da região. 

A história se passa em 1933 e o começo do livro é basicamente Scout narrando suas travessuras, brigas na escola e a especulação sobre a vida de Arthur "Boo" Radley, que há muitos anos não sai de casa e por isso nenhuma das crianças conhece a sua aparência, apenas as histórias que ouvem da vizinhança. Veja bem, leitor, o livro é narrado por uma criança de seis anos, então, já deve saber o que esperar dessas especulações, as coisas mais absurdas possíveis, muitas histórias inusitadas que até geraram uma piada interna das crianças em forma de encenação. São crianças muito travessas, para não dizer, pestes.

Mas um dia tudo muda. O pai de Scout, Atticus, é chamado para defender um homem negro que foi acusado de estuprar uma menina branca. Atticus que até então era muito respeitado, passa a ser alvo de discriminação e preconceito por acreditar na inocência do homem e defendê-lo. Só que Atticus não é o único a sofrer as consequências de sua escolha, seus filhos também são afetados por isso. 

Eu juro por Deus que não entendo o motivo de não ter lido este livro antes. Tantas vezes já tive a oportunidade de lê-lo e não o fiz por ter a impressão de que seria chato. Antes tarde do que nunca. Acredito que O Sol é para todos é um dos livros que todos deveriam ler antes de morrer. 

Apesar de a temática do livro ser pesada, por ter estupro e preconceito racial, tudo é tratato de forma bastante leve e com toques de bom humor, acredito que isso se deve ao fato de tudo ser visto através dos olhos de uma criança de seis anos, que não entende o que está acontecendo. Scout é travessa mas é muito meiga e ingênua, portanto, influenciável. 

"— Defende pretos, Atticus? — perguntei-lhe eu nessa mesma tarde.
  — Claro que sim. Não diga preto, Scout. É feio.
  — Mas’e o qu’todo mundo diz na escola.
  — Então, a partir de agora passa a ser todo mundo, menos uma pessoa.."

Atticus é um dos melhores personagens desta história e ele é para mim uma espécie de herói. Um homem honesto, justo, íntegro, pai incrível e o ser humano com o maior coração do mundo. 

Não é à toa que este livro se tornou um clássico moderno e é adotado por muitas escolas nos Estados Unidos, ele passa várias lições no leitor atento, a de que devemos nos tornar mais tolerantes, também condena o preconceito, não somente o racial, mas também o de classes, e aborda outros temas como amizade e ainda passa valores como coragem, respeito ao próximo e compaixão. 

O Atticus chamou a Calpurnia, que voltou com o jarro do melaço.
Ficou à espera enquanto o Walter se servia. O Walter encharcou generosamente os legumes e a carne com o melaço. Provavelmente também o teria colocado no copo de leite, se eu não lhe perguntasse que raio é que estava fazendo. [...]
— Mas ele afogou o almoço dele em melaço! — protestei. — Encharcou-o completamente...
Foi então que a Calpurnia exigiu a minha presença na cozinha.
Ela estava furiosa, e quando estava furiosa, a sua gramática tornava-se errática. Mas quando estava tranquila, a sua gramática era tão boa como a de qualquer habitante de Maycomb. O Atticus dizia que a Calpurnia era mais instruída do que a maior parte das pessoas de cor.
Quando ela me olhou com aquele olhar estrábico, as pequenas linhas em volta dos seus olhos ficaram mais carregadas.
— Hás pessoa’ que num come como nós — sussurrou ela violentamente — mas você num tem o direito de os deixar ficar mal à mesa quando são diferente. ’Quele moço é seu convidado e se quiser até pode comer a toalha, entendeu?
— Ele não é convidado, Cal, é só um Cunningham...
— Cale já essa boca! Seja lá quem ele for! Quem põe os pés nesta casa é seu convidado e eu que num a apanhe fazendo reparos às suas maneira como se a menina fosse perfeita! Vossemecês até podem ser melhores qu’os Cunninghams, ma num vale a pena ’tar a envergonhá-lo assim. Se não se consegue portar bem na mesa, então bem pode vir comer aqui p’ra cozinha!
Certamente um dos melhores livros que já li na vida. É o tipo de livro que dá vontade de reler algumas partes vez ou outra, então, é melhor marcar estas passagens. Harper Lee só tinha escrito este livro na sua vida, e depois de 65 anos, finalmente foi anunciada a sua continuação, Go set a watchman, em português Vá, coloque um vigia já está em pré-venda, e se passa 20 anos depois, e o cenário é o começo dos debates sobre segregação racial nos Estados Unidos. 

Leiam! Leiam! Leiam! 

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