Resenha: Não se iluda, não! (Isabela Freitas) - Não se apega, não #02

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Não Se Iluda, Não
Isabela Freitas
R$ 17,30 até R$ 23,62
ISBN-13: 9788580577686
ISBN-10: 8580577683
Ano: 2015 / Páginas: 272
Editora: Intrínseca

Não Se Iluda, Não - Depois de passar um ano sem namorado, Isabela está determinada a realizar o grande sonho de ser uma escritora reconhecida. Resolve dar os primeiros passos anonimamente, criando um blog onde assina como 'A Garota em Preto e Branco'. Em seu diário virtual, ela desabafa, fala dos amigos, dos não tão amigos assim, e confessa suas aventuras e desventuras amorosas. Assunto é o que não falta. Durante uma temporada agitada em Costa do Sauípe, na Bahia, acompanhada por Pedro, Amanda e sua insuportável prima Nataly, Isabela conhece o irresistível Gabriel, um sujeito praticamente perfeito, a não ser por um pequeno detalhe... Entre shows e passeios na praia, Isabela precisa admitir para si mesma que sente uma atração cada vez maior pelo seu melhor amigo. Em seu segundo livro, Isabela Freitas dá sequência às histórias dos personagens de 'Não se apega, não'. Dessa vez, com a cabeça nas nuvens e os pés firmemente no chão, a personagem Isabela vai em busca daquilo que seu coração realmente deseja, mesmo quando seu caminho é bem acidentado e cada curva parece esconder uma nova surpresa.



ATENÇÃO!!!
Que fique bem claro, antes que apareçam milhares de adoradoras da autora aqui para me xingar, NÃO CONHEÇO a autora, nunca a encontrei e acima de tudo não tenho absolutamente NADA PESSOAL contra ela. Que fique bem claro. Não sou HATER. Apenas sou sincera em minha opinião sobre uma obra que para mim, não foi uma boa experiência literária. 
Eu começo dizendo que eu poderia dar Ctrl C e Ctrl V na minha resenha de Não se apega, não. Este livro é tão raso quanto o primeiro. Mas vamos lá embasar o argumento, não é? 

Portanto já deixo avisado: a resenha será IMENSA e estará CHEIA de spoilers! Então, leia por sua conta e risco. Já estou te avisando. Se resolver ler, pega a pipoca e vem comigo! 


No final do primeiro livro, não lembro o que acontece mas sei que a Isabela (personagem? autora?) não aprendeu a desapegar coisa nenhuma porque se tivesse aprendido, teria desapegado no primeiro livro e não teria dado sequência à história mais sem pé nem cabeça que eu já li na vida. Primeiro tem as 20 regras para não se iludir que eu nem vou comentar porque na boa, não compensa o trabalho. Regras clichês, frases feitas de para-choque de caminhão ou porta de banheiro. Sério. Não vale o trabalho. 

Pois bem em seguida vem, o prólogo de Não se iluda, não, que é com a Isabela se arrebentando todinha na faculdade e indo parar no banheiro de funcionários, no 3º andar. Até então ninguém sabe o que aconteceu e ela só conta no final. Então o livro inicia de vez.

A protagonista está na Costa do Sauípe, Bahia, com seus inseparáveis melhores amigos Amanda e Pedro, o carinha lá, secretamente #sqn apaixonado por ela do primeiro livro, lembram? Então, eles estão curtindo uma viagem de estudantes num resort chiquérrimo onde está tendo um grande festival de música. Aparentemente TODO mundo que ela conhece está lá também. Enfim... Eles estão lá passando uns dias que ela descreve como "tomando sol na piscina, bebendo drinks e indo a bares", então numa das noites está tendo um show e durante a apresentação do OneRepublic, que é uma banda que Isabela e Pedro gostam muito, Pedro diz que quer contar algo a ela e ela jura que é um segredo e que os leitores só saberão no final, mas ok, vamos continuar... O carinha quer dizer que está apaixonado por ela desde sempre e que quer ficar com ela, mas uma briga começa próximo e eles se perdem um do outro. 

Então ela encontra a melhor amiga arrasada numa barraquinha, chorando e se lamentando porque o namorado terminou com a garota por MENSAGEM DE TEXTO. Normal. Mas pera, tem um carinha gato, cabelo loiro e olhos castanhos ao lado da Amanda, o que a Isabela faz? Ela nem pergunta quem é o garoto, manda logo um:
"— O que você fez com minha amiga, seu ridículo? — começo a dizer. Se ele tinha feito
minha melhor amiga chorar, precisava escutar poucas e boas. — Você acha que é quem? Só porque é lourinho, bonitinho, acha que pode sair jogando as pessoas no lixo?
Ele abre a boca para dizer alguma coisa e eu já emendo:
— Aposto que você deu um beijo nela, iludindo com promessas falsas e depois beijou
outra na frente dela.
E, sem respirar, prossigo:
— Não! Já sei! Você deu um beijo nela e depois disse que tinha namorada? A-há. Pois
fique sabendo, ela também tem. Tudo bem, deve ter esquecido porque está um pouco bêbada. Mas ela tem e ele é muito mais bonito que você...
Olho para ele com repugnância e completo a frase:
— Seu... Seu... projeto de Ken da Barbie."
É sério isso, produção? Eu só quis ilustrar UMA das várias situações sem noção e beirando o ridículo que acontecem neste livro. 

Então vamos continuar, ela ainda arruma tempo neste paraíso que é a Costa do Sauípe, para assistir America's Next Top Model e criar um blog sem noção, opa, sem nome. SIM, ela cria um blog anônimo e começa a publicar textos sobre as coisas que acontecem em seu cotidiano (e de pessoas que a cercam) na internet, colocando apenas as iniciais dos nomes das pessoas e também histórias particulares destas pessoas. Claro, porque isso é o que uma estudante de direito da UFJF deveria fazer, isso não dá processo, né? Enfim.. 


Aí começam as contradições, uma atrás da outra, mas se eu for falar de todas, não da ne? Mas vejam só, ela é completamente contraditória. 

"Minha cabeça estava a mil, e por mais que eu achasse que entendia alguma coisa sobre relacionamentos, não entendia muito bem isso de “tempo”. Quem pede um tempo pede o quê? Pede para voltar no tempo? Pede para ter o seu espaço? Pede que você volte daqui a algum tempo? Pede um relógio novo? Não é possível que as pessoas achem que pedir um tempo é saudável e reversível. Pedir um tempo é admitir para o mundo que você é covarde demais para dar uma conclusão. Quem precisa de um tempo para viver um amor talvez precise de um tempo para entender um pouco mais a vida em si. Claro, não vamos ser radicais, existem casos em que o tempo é a decisão mais sábia a ser tomada. Quando, por exemplo, alguém está se mudando para um país distante e promete que um dia voltará por você. Ou quando existe uma montanha de problemas que o impedem de ficar ao lado da pessoa que você ama e tudo que você quer é um tempo para conseguir colocar as coisas no lugar. Mas e quando você tem em suas mãos a pessoa que supostamente ama e ela pede um tempo? Bem, isso é papo de indeciso."
Ok, vamos continuar... Então a amiga leva um pé na bunda, dá só uma choradinha antes de dormir e o centro das atenções volta a ser a Isabela, como sempre. Achei que um ano sozinha ela teria se tornado uma pessoa melhor, mais humilde e mais centrada, mas não, ela é a mesma pessoa nada modesta, preconceituosa, egocêntrica e infantil. Se ela tivesse DOZE anos isso não seria um problema, o problema é que ela tem VINTE E TRÊS e age como uma menina de doze. No primeiro, achei que ela agia como uma de quinze, mas ao que parece, regrediu. E só piora.


E os diálogos fracos, sem profundidade e sensatez nenhuma continuam. Quase fecho o livro quando li este diálogo. Não é possível! 

"— Pedro, você pode ser a pior pessoa do mundo e, acredite, tem hora que você realmente é. Dou uma risadinha, ele se diverte e eu prossigo: — Mas ainda assim vou estar ao seu lado. Tá? Eu sou boazinha, cara. Fique ao meu lado e você vai perceber isso. 
— Então você ainda vai gostar de mim mesmo se eu disser que assassinei meu irmão e joguei o corpo dele nesse mar que você está olhando? — Ele aponta para as ondas. Congelo. Ele está falando sério? Ah, claro que não. É óbvio que está zoando com a minha cara, se bem que... Não sei. O Pedro é mesmo enigmático às vezes e eu li num jornal que assassinos frios e psicopatas em geral têm olhos azuis. Céus! Será que vou ser considerada cúmplice do crime? Ai! Não estou preparada para ir para a cadeia, quero dizer, eu nem curto Orange is the new black. Mas eu gosto de Prison break, é... Ir para a cadeia pode ser divertido se eu achar um Michael lá dentro. Nossa, o Michael... O que são aquelas tatuagens e aquele abdômen? Eu passo é mal. "



Continuando a falar do blog. Gente, ela espera MESMO que a gente acredite que o blog com sei la, uma semana tem 5 mil acessos POR DIA? O blog foi criado no dia 27 de janeiro, no dia 29 a postagem já tinha 102 comentários. Oi? Nem se ela mesma ficar abrindo ele o tempo todo né??!! 
Vamos ser verossímeis! A gente que tem blog sabe que é super difícil conseguir prender a atenção de alguém durante algum tempo na internet falando sobre assuntos que interessam a esta pessoa a ponto de fazê-la abrir o blog, mais difícil ainda quando é um blog anônimo, não divulgado em nenhuma rede social e falando coisas aleatórias da vida de alguém ALEATÓRIO. Gente, não me convenceu de jeito nenhum. Isso é totalmente SURREAL. No sentido literal da palavra. 

E sobre as postagens do blog, na minha opinião, elas deveriam ser no final do capítulo e não no começo, pois a postagem é um resumo do que vai acontecer no capítulo. Então, se você tem curiosidade em ler este livro, leia só as postagens do blog que vai te poupar tempo de vida para ler outra coisa.

Bem, a personagem principal continua dando chiliques absurdos por NADA. Ela dá um escândalo absurdo porque o melhor amigo começa a namorar a prima dela. Mas ela pode ficar de pegação (porque não é namoro) com o IRMÃO GÊMEO do cara que é apaixonado por ela, né? Totalmente coerente da parte da moça viu! 
"Sempre tive uma teoria na vida: se quiser ficar ao meu lado, fique. Se quiser ir embora, dou tchauzinho. Não gosto de implorar para que gostem de mim nem para que me deem atenção. Nunca fui disso. Acho que as coisas precisam fluir naturalmente, entende?"
Claro. Entendemos. Porque não é isso que você faz o livro inteiro né? Implora por atenção, mulher, melhore! E a coerência indo pro espaço a cada página:
"Nunca aprendi a pedir desculpas. Quando erro, me afasto. É instantâneo, faço sem pensar duas vezes. É como se quisesse dizer à outra pessoa: “Não sou digna de fazer parte da sua vida, então estou partindo”. Sei que tudo pode se resolver com um pedido de desculpas, mas e quando abrimos o coração, nos arrependemos 100% e ainda assim escutamos uma negativa da outra parte? Como continuar com um sorriso no rosto sabendo que seus sentimentos mais puros foram recusados? Também nunca aprendi a conviver com a negação. Prefiro não saber, não escutar, não conversar, não dar um ponto final. O ponto final em uma história machuca, tatua nossa alma. E eu gosto de sempre sonhar com uma continuação."
Quem foi mesmo que disse algo lá no começo sobre "não ser covarde demais para dar uma conclusão"? Ah, pois é né?

Então depois do chilique sobre o carinha lá, Pedro, estar namorando a prima dela, Nataly, eles passam vários meses sem se falar e ela fica se coçando pra falar com ele mas não fala. Ele da mesma forma, só que eu entendo as razões dele, afinal ela tá ficando com o irmão dele, ele decide se afastar. Até aí tudo ok. A essa altura a personagem Amanda só serve pra levar e trazer mesmo porque ela conta da Isabela pro Pedro e do Pedro pra Isabela. Enfim... Muito maduro né?


Detalhe importante: os gêmeos não se gostam e nem se falam há muitos anos. Eles moravam separados, um com o pai e outro com a mãe. Eles se reencontram do nada na Costa do Sauípe e do nada o Gabriel, irmão do Pedro que morava em São Paulo, se muda para Juiz de Fora. Oi? Pois é. Gabriel tenta uma aproximação com o irmão, mas não rola, Pedro quer ver o cão e não quer ver o irmão. Maaaas, quando Isabela diz que vai viajar com Gabriel para Ibitipoca, Pedro dá seu jeitinho de ir também e carregar à tiracolo a Nataly. Então os quatro viajam para Ibitipoca e essa viagem... SOCORRO! Sem noção.

Enquanto o Gabriel, todo fofo arruma a cama pra eles dormirem e a Nataly toma banho, o que acontece???? Adivinhaaaaaaaaaa gente! O Pedro se declara, finalmente, faltando umas 80 páginas pro final, porque a autora ENROLOU 200 páginas para esse cara dizer o que sentia por ela, coisa que a gente já sabia desde o primeiro livro, então é como fazer o leitor de idiota porque não há nada para este raciocinar, confabular sobre, criar nenhuma teoria. É tudo muuito na cara, só a Isabela (personagem) não percebe, ou finge que não. E é a que se acha observadora, viu? E a cena em que ele se declara, pelo amor de Deus. Nem vou colar aqui a cena porque olha, absurda demais. E tem outra, quem a personagem Isabela pensa que é para falar de meninas que são "vacas", "vagabundas", "piriguetes"? Porque olha, ela está agindo exatamente dessa forma. 

"Desde que aprendi a me amar, gosto de quem se basta por si, de quem não é carente de atenção, não se desespera em busca do amor, não faz da vida uma busca desenfreada por uma alma gêmea. Sou uma observadora nata, gosto de desnudar almas apenas com o olhar. E é engraçado como nós, pessoas observadoras, conseguimos saber tudo sobre alguém que não conhecemos apenas prestando atenção em suas atitudes. Pessoas que fingem felicidade, pessoas que escondem sentimentos, pessoas que não estão onde querem estar, pessoas que não conseguem amar, pessoas que não são quem querem ser. As únicas pessoas que nós, observadores, não conseguimos ler e decifrar são os diferentes. E permitam-me dar-lhes um nome que inventei: pessoas-abismo."

Outra coisa, acho que o título não tem muito a ver com a história porque de iludir só as regras no começo e umas passagens bem singelas mesmo. Aliás, ela fala em não se iludir, como não se iludir e quem mais ilude pessoas no livro é ela! Sinceramente, não consigo entender. 

Gente, vou dar a MINHA OPINIÃO de leitora, ok? Não sou editora, não tenho nem formação acadêmica concluída ainda, mas meu modo de pensar é: se a autora tivesse desenvolvido uma personagem entre 12 e 15 anos para justificar suas atitudes e pensamentos teria sido mais aceitável, PARA MIM. Acredito que ao criar uma personagem de 23 anos que deveria ser madura e desapegada, como prometia o primeiro livro, se passando o tempo todo foi o que não ficou bom (porque acreditem, essa menina se passa MUITO). Nunca vi uma personagem pra fazer mais mimimi com TUDO. Sempre se colocar como a vítima, a coitadinha, a que precisa de ajuda, a que precisa de atenção, a que precisa de tudo. Por Favor, apenas NÃO. 

Penso que se a Isabela (autora) algum dia investir em histórias para adolescentes, de fato, com personagens da idade delas (12 a 15 anos) acho que pode até ser interessante, porque a narrativa dela não é arrastada, ela escreve como se estivesse conversando e até divaga um pouco, acho isso legal e tudo, porém NÃO funcionou neste livro e nem para esta personagem.

O livro é lindo. A capa é linda, o projeto gráfico é todo maravilhoso e a Editora Intrínseca está de parabéns nesse quesito. Perfeitamente revisado também. Só achei a fonte muito grande, como se fosse para aumentar o número de páginas, sabem? Enfim. 

Nunca vou dizer a um leitor: não leia, não compre, pelo contrário, o que para mim não foi uma experiência de leitura agradável para outras pessoas pode funcionar completamente. Não se iluda, não, de fato não funcionou para mim, mas pode ser que para você leitora – ou leitor – que tenha, sei lá, 13 anos, possa funcionar e dê um bom livro de autoajuda-romance-autobiografia. E não esqueça de passar aqui de novo depois de ler, para dizer o que achou, certo?

Até a próxima.


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