Resenha: Os sinos do inferno (John Connolly) Trilogia Samuel Johnson Vs. The Devil Livro #02

domingo, 11 de outubro de 2015


Sinos do Inferno
Samuel Johnson - Livro 02
John Connolly
R$ 27,00 até R$ 45,00
ISBN-13: 9788528619430
ISBN-10: 8528619435
Ano: 2015 / Páginas: 322
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil
Continuação da série Samuel Johnson iniciada com Os Portões. Samuel Johnson está em apuros. Sua visão ruim o faz passar o maior vexame, e o demônio sra. Abernathy está com sede de vingança desde que seus planos de invadir a Terra foram frustrados pelo jovem. Ela planeja aprisioná-lo e, quando o Grande Colisor de Hádrons é religado, a oportunidade bate à porta. Samuel e seu fiel bassê, Boswell, são arrastados para as profundezas do Inferno, onde serão caçados pela sra. Abernathy e seus lacaios infernais. Mas apanhar Samuel não será nada fácil para o demônio, que já testemunhou de perto a bravura e a inteligência do garoto e seu cão, além da leal amizade entre Samuel e o infeliz demônio Nurd. Ela também não conta com a presença de dois incompetentes policiais e de um azarado – no sentido mais otimista da palavra – sorveteiro. Tampouco poderia esperar a intervenção de um grupo de pequenos seres que confirmam que Samuel e Boswell não são os únicos habitantes da Terra a pararem de uma hora para outra no Inferno. Se você pensava que demônios eram assustadores, espere até encontrar Os Elfos do Sr. Merryweather.

Para ler a resenha de Os Portões, clique aqui

Os sinos do inferno é a continuação de Os Portões, primeiro livro da trilogia Samuel Johnson Vs. The Devil, de John Connolly. No primeiro livro, um portal foi aberto e seres do inferno foram transportados à terra causando muita confusão na noite de Halloween. Em Os sinos do inferno, outra vez o Grande Colisor de Hádrons é acionado e outro portal é aberto, só que acontece o oposto, alguns humanos vão parar no Inferno, dentre eles Samuel Johnson, seu fiel bassê Boswell, O oficial Peel, o Sargento Rowan, Dan, o sorveteiro e 4 anões irritantes e a situação não poderia ser diferente além de muuuuuita confusão no inferno. Eles literalmente viram o inferno de pernas pro ar.


Bom, eu me diverti muito com o primeiro livro da série, mas este não me agradou tanto assim. na verdade demorei quase dois meses para ler e a maior parte dele é bem chatinho. Eu já conheço o humor peculiar de John Connolly e não foi nenhuma surpresa para mim as bizarrices que encontrei neste livro. Na verdade, esse é o grande lance dos livros do John, ele se utiliza do bizarro e fantasioso para nos dar grandes lições e muitos tapas na cara da nossa sociedade.

"...Mas aí chegou o homem e o Mal se animou um pouco porque ali estava uma criatura capaz de fazer escolhas, o que a tornava muito interessante. Ser bom ou mal não é um estado passivo: você tem que decidir ser um ou o outro. O Mal fez tudo o que pôde para encorajar as pessoas a fazer coisas ruins em vez de boas e, como era inteligente, se disfarçou bem, para que as que fizessem coisas ruins encontrassem maneiras de se convencer de que elas não eram nada ruins. Essas pessoas precisavam de mais dinheiro para ser feliz e, portanto, roubavam ou sonegavam impostos. E contavam mentiras para esconder o que tinham feito porque meio que lamentavam por isso, mas não o bastante para admitir o que haviam feito ou parar de fazer aquilo. No fim das contas, grande parte se resumia a egoísmo, mas o Mal não se importava. Você poderia chamar do que quisesse, no que dizia respeito ao Mal, desde que continuasse sendo ruim."

A maior parte das lições deste livro são sobre corrupção, lealdade, amizade, trabalho em equipe e coisas do tipo. Eu gosto dessa abordagem do John Connolly pois ele consegue atingir um publico muito maior dessa forma. Uma das coisas mais legais é a beleza da amizade entre Samuel e o cãozinho Boswell, você sente o quanto os dois são amigos e fariam qualquer coisa um pelo outro. Quando um está triste o outro fica triste. Quando um está feliz, o outro balança o rabinho, feliz!

"Naquele dia, Boswell percebeu uma mudança no humor geralmente radiante de Samuel. Numa situação como essa, alguns cães teriam se esforçado para animar o dono, talvez perseguindo o próprio rabo ou mostrando alguma coisa que tivesse um cheiro estranho, mas Boswell era do tipo que compartilhava do humor do dono. Se Samuel estivesse feliz, Boswell ficava contente. Se Samuel estivesse triste, Boswell mantinha-se quieto e lhe fazia companhia. Nisso, era mais sábio do que muita gente."

O autor também coloca demônios vivendo situações que nós humanos vivemos todos os dias e nos faz pensar em muitas coisas, como por exemplo:

"Você deve achar que isso exigiria que o Mal se dispersasse um pouco porque não devia existir tanto Mal por aí, mas ficaria surpreso com o que o Mal consegue fazer quando se dedica. Por outro lado, não importa o quanto o Mal tente, nunca é capaz de se igualar ao poder do Bem, pois o Mal é, no fim das contas, autodestrutivo. O Mal pode se dedicar a corromper os outros, mas, no processo, corrompe a si mesmo. É assim que o Mal é. Levando tudo isso em conta, é melhor ficar do lado do Bem, mesmo que o Mal às vezes tenha uniformes mais legais."

Sua linguagem é fácil, sua narrativa é fluída e tão gostosa que ele parece ter uma conversa com o leitor durante a história, e na verdade ele a tem, através das notas de rodapé que continuam dando um show à parte. Informações, curiosidades nerd e teorias aparentemente sem noção, mas que te fazem ficar até um pouco mais tarde acordado, só pensando. 

Eu disse no começo da resenha que a maior parte do livro é meio chatinha e é mesmo, tem muitos capítulos que são desnecessários e certos personagens descartáveis, em minha opinião. Mas ainda assim o livro é bem legal e se você conseguir ler nas entrelinhas, vai descobrir que independente de serem humanos ou demônios, todos tem o livre arbítrio para decidir sobre suas escolhas e mesmo que você esteja no pior dos infernos, ainda assim pode escolher ser bom e o mais importante, nunca perder a esperança. Assim como o Ferreiro:

"...Samuel saiu de seu esconderijo e correu até onde jaziam os restos do Ferreiro.
     — Você podia ter contado a ele onde eu estava — falou Samuel enquanto acariciava os cabelos da cabeça decepada do Ferreiro. — Podia ter contado, e talvez ele tivesse poupado você. Sinto muito. De verdade.
     — Não sinta — disse o Ferreiro. — Pois eu não sinto.
     Enquanto o Ferreiro falava, sua expressão mudou. Ele parecia intrigado e seu rosto foi tomado por um brilho suave com leves traços de âmbar, como a luz refletida por um sol que se põe devagar.
     — Não há dor — disse o Ferreiro. — Ela passou. — Ele sorriu para Samuel. — Não traí você. Me redimi. Agora existe paz."
A Capa está linda e assim como em "Os portões" tem uma textura diferente. A Bertrand também caprichou na diagramação com detalhes em todas as páginas, como um capetinha no nome do autor e no título do livro. A tradução está muito boa, bastante fiel e a revisão está impecável. Obrigada Bertrand por cuidar tão bem dos livros do John Connolly, ele merece! < 3 Enfim, recomendo para crianças, jovens, adultos, velhos - demônios ou não.

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