Resenha: Alice no País das Armadilhas (Mainak Dhar)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015



Título: Alice no País das Armadilhas
Autor: Mainak Dhar
Edição: 
Editora: Única
ISBN: 9788567028781
Ano: 2015
Páginas: 256
Tradutor: Alice Klesck



Sinopse: O planeta Terra foi devastado por um ataque nuclear, e boa parte de sua população se transformou em Mordedores, mortos-vivos que se alimentam de sangue e, com sua mordida, fazem dos humanos seres como eles. Alice é uma jovem humana de 15 anos que mora no País das Armadilhas, nos arredores da cidade que um dia foi Nova Déli, na Índia. Ela nasceu nessa nova realidade aterrorizante e teve de aprender a se defender sozinha desde cedo.As coisas mudam quando Alice decide seguir um Mordedor por um buraco no chão: ela descobre a estarrecedora verdade por trás da origem das criaturas e se dá conta da profecia que ela mesma está destinada a consumar — uma profecia que se baseia nos restos chamuscados do último livro encontrado no País das Armadilhas, uma obra chamada Alice no País das Maravilhas .Uma mistura incomum de mitos, teorias conspiratórias e Lewis Caroll, Alice no País das Armadilhas pode parecer mais uma história de zumbi, mas é uma metáfora instigante de como tendemos a demonizar aquilo que não compreendemos.



                    Alice no País das Armadilhas é uma distopia/releitura de contos de fadas Alice no País das Maravilhas, escrita pelo autor Mainak Dhar. Meu principal problema com esse livro foi o timing  desse livro, comecei a lê-lo na semana dos ataques terroristas ocorridos em Paris e qual não foi minha enorme surpresa ao me deparar com uma obra que tem um fundo metafórico bem peculiar onde o vilão não é o vilão. Confesso que isso naquele momento me incomodou e muito, mas vou deixar para explicar isso mais para frente.

                     Alice é descendente de americanos que moravam na Índia quando um vírus se espalhou mundialmente transformando humanos em zumbis, o que desencadeou guerras, depôs governos e estabeleceu uma nova ordem mundial. Alice não conheceu o mundo como ele era antes, ela só conhece destruição, medo e zumbis (que são chamados de mordedores, muito criativo). Quando um mordedor aparece vestido de coelho e cai em um buraco a garota resolve segui-lo e descobre que os vilões podem não ser tão vilões assim.

                    A narrativa é bem construída, há cenas realmente surpreendentes e divertidas, mas eu particularmente li esse livro na hora errada. Quando comecei a ler Alice no País das Armadilhas os atentados que aconteceram em Paris tinham acabado de acontecer, e é impossível para qualquer leitor proficiente não fazer um paralelo entre a história e o que acontece no Oriente Médio. Logo que a história se passa na Índia e o autor tenta nos passar que os vilões dessa história na verdade são vítimas do sistema mundial. O que em minha opinião pode até ser verdade, porém não isenta os atos que eles cometem. No caso da narrativa em si, eu não consegui pensar nos mordedores como vítimas, afinal eles continuam mordendo humanos,continuam sendo como são.

                        Outro ponto não tão bom assim foram as cenas de luta e o salto no tempo que o autor faz, acho que seria necessário que ele mostrasse um pouco mais a construção da comunidade de humanos e o exército que o grupo de Alice estavam construindo. Mais importante que os resultados, param mim, seria o caminho percorrido.

                         Eu gosto de Alice como protagonista, acho uma personagem forte que descobre que o mundo em que vive não é tão preto e branco assim. As referências feitas a Alice no País das Maravilhas, a meu ver em alguns momentos ficaram forçadas. No começo até que ficou bem interessante, mas em cenas como a que Alice coloca o nome da comunidade de País das Maravilhas ficou e muito forçado, pois apesar de aterrador o mundo dela não é belo como no conto.

                         Essa capa é maravilhosa, aterradora, mas maravilhosa. A diagramação está ótima. Enfim, eu acho que não darei continuidade a série, mas se vocês tiverem lido me deixem suas opiniões nos comentários.

                          

                      


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