Resenha: Vá, coloque um vigia (Harper Lee)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015


Vá, Coloque Um Vigia
Harper Lee
R$ 24,00 até R$ 45,00
ISBN-13: 9788503012485
ISBN-10: 8503012480
Ano: 2015 / Páginas: 252
Idioma: português 
Editora: José Olympio
Segundo romance de Harper Lee, que bateu recorde de número de exemplares vendidos em um só dia superando O símbolo perdido, de Dan Brown. Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar.Vá, coloque um vigia é o segundo romance de Harper Lee, mas foi escrito antes do mítico O sol é para todos, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1961. Este livro inédito marca o retorno, após 65 anos de silêncio, de uma das maiores escritoras americanas do século XX.

Para ler a resenha de O sol é para todos clique AQUI

Vá, coloque um vigia é uma espécie de continuação do aclamado romance O sol é para todos, da autora Harper Lee, que é considerado um dos maiores clássicos da literatura moderna norte americana. Curiosamente, Vá, coloque um vigia foi escrito antes de O sol é para todos, porém nunca publicado até agora, quase 60 anos depois. 

Nesta história, 20 anos se passaram desde os acontecimentos narrados em O sol é para todos e agora Jean Louise Finch, nossa querida Scout, está com 26 anos, mora em Nova York e de tempos em tempos volta à Maycomb para visitar seu pai, o carismático Atticus Finch, agora com 72 anos, se não me falha a memória. Apesar de ter crescido e amadurecido, obviamente, o espírito brincalhão e a personalidade forte de Scout não mudaram, apenas se intensificaram, o que contribui para que a personagem enfrente muitas discussões com os habitantes de Maycomb e mais importante, consigo mesma. 

O contexto histórico é marcado pela questão da segregação racial no sul dos Estados Unidos na década de 50. Scout ainda não entende porque negros e brancos são tratados - e se tratam - de forma diferente. Desde criança, ela sempre os enxergou iguais, todos são seres humanos. 

Sabe o que eu gosto mais nessa história? Ela é atemporal. Vejam quando foi escrita! Seja na década de 30, 50 e até hoje os Estados Unidos foram e ainda são um país onde a grande maioria é intolerante e onde a hipocrisia reina. Um país onde se cometia genocídio contra pessoas só porque elas eram de uma cor diferente e por isso, eram consideradas uma espécie de escória, inferiores. Grupos como o Klu Klux Klan faziam o que queriam, perseguiam, torturavam e matavam negros e agiam como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, a coisa certa, MATAR um ser humano só porque ele é negro! 

Scout não aceita e é aí que ela se decepciona com a pessoa que mais ama, àquele deu base à sua personalidade. Scout viu, aos seis anos de idade, seu pai defender em um tribunal, na frente de todo um condado, um homem negro acusado de algo que ele não fez. Atticus Finch também se tornou o meu herói naquele momento e por isso eu o considerava um dos melhores personagens da literatura. Porém, em Vá, coloque um vigia nos deparamos com um Atticus extremamente mudado. Ainda tem o tom brincalhão, porém com conceitos e ideologias totalmente diferentes. 

"Minha tia é uma estranha hostil, minha Calpúrnia não quer saber de mim, Hank enlouqueceu e Atticus... Tem alguma coisa errada comigo, o problema é comigo. Tem que ser, porque todas essas pessoas não podem ter mudado assim. Por que eles não ficam de cabelos em pé? Como podem acreditar piamente em tudo o que ouvem na igreja e depois dizer o que dizem, e ouvir o que ouvem e não vomitar? Eu pensei que fosse cristã, mas não sou. Sou outra coisa, e não sei o quê. Tudo o que sei sobre o que é certo ou errado aprendi com essas pessoas... essas mesmas pessoas. Portanto, o problema sou eu, não eles. Alguma coisa aconteceu comigo.
Estão todos querendo me dizer, como um estranho eco, que a culpa é toda dos negros... Mas é tão certo que a culpa é dos negros quanto é certo que eu posso voar, e Deus sabe como eu tenho vontade de sair voando pela janela agora mesmo."

Quando Scout se decepciona com Henry, o homem por quem ela achava que estava apaixonada, e vai conversar com Atticus, ela se decepciona mais ainda com este, por toda a ideologia que ele mesmo introduziu nela quando ela ainda era uma criança, neste momento Scout vê o altar em que colocara Atticus ruir e trava uma acalorada discussão com o pai, nesta parte eu fiquei quase sem respirar e deu uma imensa vontade de chorar porque eu me coloquei no lugar de Jean Louise e se fosse ela, com a criação que ela teve, teria reagido da mesma maneira. Sério, esse capítulo é muito tenso.

Achei que algumas coisas foram mal explicadas, como por exemplo, no começo do livro logo, o narrador (diferente de O sol é para todos que é escrito em primeira pessoa, por Jean Louise, este é em terceira pessoa) nos informa que Jem, irmão de Scout morreu, mas não dá muitos detalhes e fica por isso mesmo. Era de se esperar que no mínimo ela explicasse como tudo aconteceu, já que nos afeiçoamos ao personagem no livro anterior. Henry/ Hank foi tão irrelevante no primeiro livro que eu nem lembrava do personagem e de repente aqui ele está em todas. Embora tenha gostado muito de Vá, coloque um vigia, ele não chegou nem perto de me arrebatar como aconteceu com O sol é para todos, porém tanto este quanto aquele, são livros que eu acho que todo mundo deveria ler na vida, para a formação de nosso pensamento e caráter.

Capa lindíssima combinando com a nova edição de O sol é para todos. Revisão perfeita e adorei as notas da tradutora, mostra que a moça fez muita pesquisa porque tem várias referências que eu jamais entenderia sem a informação da tradutora. Talvez ficasse meio boiando se lesse esse livro em inglês. Parabéns ao Grupo Editorial Record por essa belíssima obra.

Leiam, leiam, leiam. Mas sim, precisam ler O sol é para todos antes!!! 

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