Resenha: Na natureza selvagem / Into the wild (Jon Krakauer)

domingo, 8 de maio de 2016


Título Original: Into the wild
Autor: Jon Krakauer
ISBN: 8571647879
Ano: 2008 
Páginas: 214
Editora: Companhia das Letras
Preço: R$ 42,00
Sinopse: O corpo em decomposição de um jovem é encontrado no Alasca. A polícia descobre que se trata de um rapaz de família rica do Leste americano que largou tudo, se internou sozinho na aridez gelada e morreu de inanição. Quem era o garoto? Por que foi para o Alasca? Por que morreu? Para responder a essas e outras perguntas, Jon Krakauer refaz a trajetória de Chris McCandless, revelando a América dos que vivem à margem, pegando carona ou circulando em carros velhos, vivendo em acampamentos e cidades-fantasmas. Mergulha no mundo da cidadezinha rural, onde homens rudes bebem e conversam sobre o tempo e a colheita. Compara a história do jovem com a de outros aventureiros solitários que tiveram fim trágico. O resultado é uma narrativa envolvente, por vezes amarga, em que os sonhos da juventude se transformam em pesadelo. 

Há algumas semanas atrás um de meus professores passou um trabalho sobre o livro Into the Wild de Jon Krakauer, foi uma leitura complexa, não só pelo seu vocabulário mas pela densidade da história. 



capa original
Chris McCandless nasceu e cresceu em Washington D.C, era um garoto muito inteligente, curioso e apaixonado pela natureza. Graduou-se com honras na Universidade de Emory e assim que "entregou o diploma ao pai", largou tudo e ganhou o mundo. Doou seu fundo universitário de 25 mil dólares para a caridade, juntou uns poucos pertences em seu velho Datsun amarelo e partiu em busca de autoconhecimento. Chris largou a vida abastada que tinha ao lado da família, os amigos, conforto, etc., para viver um dia de cada vez, trabalhando em busca da próxima refeição e pedindo carona na estrada com destino ao Alasca, onde se passam as histórias de seus livros favoritos, os de Jack London.

Durante sua aventura, que durou pouco mais de dois anos, Chris McCandless viveu intensamente. Viveu mais do que durante todos os seus 24 anos vividos com sua família em Virginia. Conheceu pessoas que o ajudaram e por onde passava fazia amigos, ensinava e aprendia com essas pessoas. Chris conheceu muitas pessoas e será impossível falar de cada uma delas nesta resenha, por isso vou me limitar a apenas três nomes: Jan Burres, Wayne Westerberg e Ron Franz. Estas foram as pessoas que mais marcaram a vida de McCandless enquanto ele seguia rumo ao Alasca. Essas pessoas deram a Chris além de trabalho, abrigo e comida, deram amor, atenção e o trataram como um verdadeiro filho. Me encantei com as histórias de cada um deles.

Mas devo alertá-lo, leitor, este livro não é um romance. Ele é uma compilação de relatos, cartas, postais, e trechos dos escritos do próprio Chris McCandless, que foram encontrados junto ao seu corpo, no ônibus 142. O livro não segue uma ordem cronológica, inclusive ele começa com a carta da última pessoa que viu Chris com vida.

Última foto de Chris com vida

A história de Chris McCandless não é tocante apenas pelo fato de ele ter definhando até a morte, sozinho, apavorado. Esta história me marcou porque ela é repleta de lições que não ficam apenas nas entrelinhas. Chris a.k.a Alex Supertramp, me ensinou que nem tudo o que parece dar paz de espírito, de fato o faz. Muitas vezes nos acomodamos a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, e esquecemos do essencial ao espírito, que é a paixão, seja ela pelo que for. 

"Você está errado se acha que a alegria emana somente ou principalmente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda a nossa volta. Está em tudo e em qualquer coisa que possamos experimentar."

Depois que concluí a leitura de Into the Wild, vi o filme e soube que a Companhia das Letras tinha publicado o livro aqui no Brasil com o título de Na natureza Selvagem. Não pude resistir e solicitei para relê-lo em português. Posso falar da tradução, pois li o original e está muito boa mesmo! Inclusive tirou algumas dúvidas que eu tinha em relação a uns termos e expressões que vi no original e não consegui assimilar muito bem.

Eu não sei se Chris tinha apenas um espírito aventureiro ingênuo ou ele era perturbado pela sociedade capitalista que nos rodeia, e apesar de sentir uma profunda admiração por McCandless pela sua coragem, não consigo deixar de pensar que também ele foi uma pessoa egoísta. Em dois anos, Chris sequer mandou um cartão postal para seus pais e irmã (a quem dizia que amava mais que tudo). Ele não conseguia perdoá-los pelo tipo de educação e criação que deram a ele e Carine (sua irmã). Fico imaginando se não doía em sua consciência deixar seus pais sem notícias por tanto tempo, estes apenas esperando o momento em que o telefone iria tocar e chegaria a notícia de que Chris estava morto. O jovem aventureiro morreu sem perdoar sua família e acho que isso deve atormentá-los até hoje.

“Two years he walks the earth, no phone, no pool, no pets, no cigarettes. Ultimate freedom. An extremist. An aesthetic voyager whose home is the road. Escaped from Atlanta. Thou shalt not return, ‘cause “the West is the best.” And now after two rambling years comes the final and greatest adventure, the climactic battle to kill the false being within and victoriously conclude the spiritual revolution. Ten days and nights of freight trains and hitchhiking bring him to the great white North. No longer to be poisoned by civilization he flees, and walks alone upon the land to become lost in the wild. – Alexander Supertramp, May 1992.” -Into the Wild, 163

Quando acabei de ler o livro, apesar de seu final não ser feliz (não é spoiler, está na sinopse), fiquei com vontade de largar tudo e cair na estrada, assim como Chris fez, mas confesso que não sou tão desprendida das coisas materiais, como ele era. Acho que eu não conseguiria sobreviver nem a dois meses na estrada. Recomendo o livro para as pessoas que gostam de livros sobre Roadtrips e afins. Quem quer um livro com boas lições de vida e que passa muitos valores sobre amizade, companheirismo, e ajuda ao próximo não pode deixar de ler Na natureza selvagem/Into the wild.


 como Chris McCandless em "Into the Wild"

Trailer do filme

4 Comentários:

aninha disse...

não tive a oportunidade de ler o livro, só vi o filme, inclusive tenho ele. a primeira vez que assisti não consegui controlar as lágrimas. foi uma mistura de sentimentos. fiquei martelando na cabeça, como ele foi corajoso, egoísta, e fez tudo isso com amor a vida como ele enxergava. certeza que o livro é muito mais rico do que o filme, que é excelente. é mesmo um livro/filme que deixa lições.

Camila Tebet disse...

Vi o filme no início do ano e achei a história incrível. Aí eu li o livro e achei mais incrível ainda. A filosofia de vida de Chris me fez parar e refletir sobre vários aspectos. Acho que o que mais me marcou foi a carta que ele escreveu para o Ron, transcrita no livro, falando que para viver uma vida plena é preciso fugir do comodismo, se aventurar e buscar coisas novas. Com certeza, Na Natureza Selvagem ficará comigo para sempre.

Kemmy Oliveira disse...

O filme é incrível e eu não sabia que tinha o livro o.O

Agora preciso ler. E nessa minha lista de desejados só aumenta, e aumenta... senhor, uma vida não é suficiente não :(

http://www.2leitoras.blogspot.com.br

drielymeira disse...

Eu só assisti a adaptação, para ser sincera não sabia que havia um livro. É uma história muito interessante e bem triste, mexeu bastante comigo.

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