Resenha: O Negro Gato (Roney Dias)

quarta-feira, 8 de junho de 2016



Título: O Negro Gato
Autor: Roney Dias
Edição: 
Editora: Pandorga
ISBN: 9788584420858
Ano: 2015
Páginas: 232


Sinopse:Durante a Guerra Fria inicia-se o projeto do Supersoldado, visando a criação de uma equipe que usará seus poderes e mutações genéticas para defender os Estados Unidos e realizar missões especiais. Com o cancelamento do projeto e o fim das pesquisas científicas, Joseph, cientista chefe da operação, procura por um lar para sua mais bem-sucedida cobaia, Patrick, cuja modificação no DNA lhe dá superagilidade e poderes. Após anos de sofrimento superando um passado obscuro, a cobaia se torna o Negro Gato, o mais famoso ladrão do mundo, do qual nem mesmo o FBI consegue se aproximar.No entanto, a ambição não é facilmente deixada de lado, e o militar Myson é incumbido de recuperar as informações perdidas sobre o projeto há muito esquecido. Sua investigação lhe dá uma pista sobre a verdadeira identidade do Negro Gato e o destino da pesquisa cientifica que o originou.Vivendo à margem da lei, o anti-herói enfrenta inimigos cada vez mais habilidosos e precisa usar toda sua inteligência para manter seu disfarce. Ao final da história, será o Negro Gato apenas o ladrão ou um verdadeiro herói?




               Acho que essa é a primeira estrela baixa desse ano e sim foi para um livro nacional: O Negro Gato de Roney Dias publicado pela editora Pandorga.Vamos aos fatos: vocês sabem que eu já sou mais exigente com livros nacionais (fato!) e vocês sabem que nós do blog somos feministas e adeptas e simpatizantes dos movimentos que defendem as minorias.Então guardem essas informações, pois são importantes para o embasamento dessa resenha.

                  O Negro Gato conta a história do Patrick, um ladrão de joias malandro que é procurado por todas as agências do governo americano. Muito jovem Patrick descobre estranhas habilidades que o ajudam a ser rápido e ágil, quando seus pais morreram ele teve de se virar e com a ajuda de César ele entra na vida fora da lei. Kristine é uma policial que sempre teve de provar que é mais do que beleza. O negro Gato se encanta pela policial e eles acabam vivendo esse romance proibido.

                     O livro é bem curtinho, são apenas 230 páginas, apesar da escrita de Roney ser bem rápida e fluida muitas coisas me deixaram e muito chateada nessa história. 

                         Primeiro vamos falar que Patrick é apresentado como um anti-herói, para quem não sabe eu vou dar uma simplificada aqui nesse conceito da literatura contemporânea: basicamente o anti-herói é aquele personagem que realiza toda e qualquer ação motivado por motivos egoístas, mas que procuram a justiça. O patrick não é um anti-herói. Ele é um personagem extremamente machista que beira ao estupro em uma cena que me deixou chocada pela romantização de um assunto tão sério.

"Aproximou o ouvido do rosto de Kristine para sentir sua respiração. Ela respirava tranquila e serena, parecia dormir um profundo sono de criança. Cautelosamente, colocou a mão sobre a barriga de Kristine, sentindo a pele lisa e macia como a textura do mais puro pêssego silvestre, estava quente e levemente refrescada de suor. Percorreu a mão, arrastando a camisa para cima, apalpando hesitante até a região do pescoço." (p.38)

                Como vocês podem ver no trecho acima o personagem passa a mão na moça desacordada, apesar de se sentir culpado, ele segue fazendo e chega até a beijá-la. Não sei para vocês, mas isso me deu um mal-estar tão grande que eu larguei o livro por dois dias inteiros e pensei seriamente em desistir da leitura. No mundo em que vivemos esse tipo de romantização de um ato ERRADO como esse é muito perigoso. Se alguém passa a mão no seu corpo sem sua permissão enquanto você está desacordada, moça, isso é estupro de vulnerável!Não aceite, NÃO ACHE ROMÂNTICO! 

                 Voltando então aos personagens dessa história, não consigo encontrar um personagem masculino, mesmo os que deveriam ser os mocinhos, que não tenham atitudes extremamente machistas com as mulheres da trama que a todo momento são inferiorizadas e valorizadas apenas por sua beleza. Kristine e sua parceira são tratadas como tolas, "apenas bundas e peitos" e por aí vai, esse tipo de coisa me deixa extremamente irritada! Como podemos ver nos comentários feitos por personagens que deveriam ser os mocinhos, que seriam os policiais e o pessoal do exército americano.

                   "Dois anos já haviam se passado desde que se formaram na Academia de Polícia de Arlington, e elas continuavam fazendo a patrulha a pé, no centro comercial da cidade. Coincidência ou não, era curioso o fato de os comerciantes estarem sempre à porta dos estabelecimentos na mesma hora das rondas, acenando e oferecendo seus préstimos, aguardando de pé na porta das lojas olhando para elas, até que suas silhuetas sumissem de vista. Obviamente, os homens ficavam admirados de ver passar pelas ruas duas jovens de vinte e três e vinte e quatro anos com boa forma física usando uniforme engomado, deixando  revelar, bem  discretamente, o contorno da pequena lingerie por baixo da calça." (p.5)
"-Eu prefiro a morena - Marcus comentou, olhando as ruas pelo vidro do carro.
-O que você disse?
-Prefiro a morena. Qual é, você é surdo?
-Não, é que a gente está falando de uma coisa, aí você fala outra completamente diferente e acha que os outros são obrigados a saber.
-Muito bem, ponto final, na outra linha, parágrafo, letra maiúscula. Está melhor assim?
-Agora sim. E por que você prefere a morena?
-Ela não usa calcinha. Pelo menos não deu para ver.
-Deve ser por que não enxerga bem.
-Está falando isso por quê? Você conseguiu ver?
-Eu não fiquei procurando se elas usam ou não calcinhas, o que eu vi é que você não tirava os olhos dos peitos das garotas. Você precisa se portar como um agente da Justiça.
-Você já sabe o que precisa saber. A garota loira, o cara vem atrás dela.
-Pois é.
-Quanto à morena, acho que ela não tem namorado. Por que você não a chama para conhecer seu gabinete?
-Não diga bobagem, ela ainda é uma criança.
-Você não vê como as crianças de hoje estão evoluídas! É por isso que eu falo que, perto de uma mulher, somos só garotos. E digo mais: fique de olho na garota loira. Ela é a chave para pegar o nosso garoto."(p.155)

           O livro inteiro é recheado dessas tiradas extremamente machistas que objetificam a mulher como apenas bunda e peitos. E sinceramente eu não consegui prestar atenção em mais nada a não ser nisso durante a leitura, torcendo para que a história tomasse um rumo diferente, mas ela não tomou. Não quero nem comentar a passagem sobre "como as crianças de hoje estão evoluídas" por que as crianças de hoje SEGUEM SENDO APENAS CRIANÇAS!

                Eu gosto da capa e só, a diagramação é outro ponto ruim, a letra é pequena e clara e por vezes fica embaçada, principalmente para mim que uso óculos de grau para ler.

| comente (:

Postar um comentário

Ficarei muito feliz se você me der a honra de ter o seu comentário aqui no meu blog. O blog sobrevive dos seus comentários, seja legal, comente nos blogs que visita! :D