Resenha: Revival (Stephen King)

quinta-feira, 28 de julho de 2016


Revival
Stephen King
R$ 34,90 até R$ 49,90
ISBN-13: 9788581053103
ISBN-10: 8581053106
Ano: 2015 / Páginas: 376
Idioma: português 
Editora: Suma de Letras

Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

Revival é um livro de memórias. É narrado por Jamie Morton, desde seus 6 anos de idade até aproximadamente 70 anos. Tudo começa quando aos seis anos, Jamie está brincando no jardim com seus soldadinhos e uma sombra recai sobre a brincadeira. Quando Jamie olha para cima afim de saber o que estava acontecendo, ele tem seu primeiro encontro com Charles Jacobs, que viria a ser o novo reverendo da cidade. Uma forte ligação entre eles é estabelecida e Jamie passa a ser a criança preferida do Reverendo Jacobs.

Personificação da família perfeita, logo o Reverendo Jacobs conquista a cidadezinha de Harlow com seus sermões inspiradores. Cada dia mais Jamie e o Reverendo compartilham ótimos momentos juntos e também uma secreta obsessão. Até que uma tragédia recai sobre Charles Jacobs e ele, não sabendo lidar com isso, faz um sermão que foi considerado impróprio, que levou com que o pastor fosse banido da cidade. 

Muitos anos depois, Jamie reencontra Charles Jacobs, que não é mais pastor, mas ainda tem uma forte obsessão por eletricidade. Apesar de muito tempo sem contato, o elo entre eles ainda é poderoso o suficiente. Jamie, buscando fugir de sua própria tragédia familiar, vive uma vida sem limites. Uma vida regada a sexo, drogas e rock n' roll; Membro de uma banda de rock e viciado em heroína, Jamie reencontra Charles pela segunda vez. E esse reencontro vai fazer com que Jamie entenda os diversos significados da palavra reviver. 

Bem gente, não vou falar mais nada do enredo porque não quero dar spoilers desnecessários. O inicio do livro é eletrizante e você simplesmente não consegue parar de ler. Mas aí quando chega mais ou menos na metade a coisa fica muito lenta e os capítulos enormes não ajudam. Eu já li muitos livros do King e este não é o melhor livro que eu li dele, mas posso dizer que é um livro necessário para os fãs principalmente por abordar os temas que o King aborda aqui. É sempre um desafio tocar em assuntos os quais a religião é uma coisa muito presente, é delicado e a probabilidade de ser mais criticado que ovacionado é muito maior. 

Stephen King trata neste memorial de assuntos como o fanatismo religioso, o vício em substâncias ilícitas, como o luto pode fazer alguém perder o rumo e sobre o que será que nos espera após a morte? Todos os personagens deste livro, não somente deste, mas de qualquer livro do King, quem conhece sabe, que o autor sempre dá características o mais próximas da realidade possível para seus personagens. Nenhum deles é completamente bom ou mau. E é aqui onde o horror simplesmente se concretiza. Eles enfrentam seus demônios e a complexidade de suas personalidades quase nos faz acreditar que ali são pessoas reais. Charles Jacobs faz com que você se apaixone por ele no início da narrativa e depois do sermão que faz com que ele seja expulso de Harlow (e que sermão!), você fica com medo dele. 

“A religião é o equivalente teológico aos golpes de seguro fácil, em que você paga o prêmio ano após ano e depois, quando precisa dos benefícios pagos religiosamente, desculpem o trocadilho, descobre que a empresa que pegou seu dinheiro na verdade não existe.” 

O meio do livro, como já citei anteriormente é meio chato. Bom, talvez chato não seja a palavra correta, digamos que seja lento, arrastado. Mas isso é completamente compreensível, afinal, a nossa vida não é feita de twists todos os dias. Tem dias e semanas em que simplesmente não acontece nada, e a vida de Jamie não poderia ser diferente, já que o livro é o seu memorial.

O livro é recheado de referências tanto a outras obras do King quanto a autores consagrados que nós conhecemos, como H.P Lovecraft e Mary Shelley. E o final é simplesmente aterrador. Stephen King é conhecido por seus finais meio abertos e subjetivos. Este não é diferente, mas é um final surpreendente e que com certeza vai te fazer ficar pensando dias e dias sobre ele. Diferente de Cemitério e O Iluminado, o horror aqui não é esse sobrenatural escancarado, é sobre a humanidade e até onde as pessoas são capazes de ir, sobre a maldade e a loucura. Humanos dão medo, às vezes até mais do que monstros. 

Enfim, se você é fã do King recomendo sim a leitura, porém se você ainda não leu nada dele e quer uma indicação para começar, NÃO comece por este. Risos. Procure algo mais "leve" e não tão reflexivo. Talvez se você começar por este não queira mais ler nada dele. A edição da Suma de Letras está lindíssima e a capa é igualzinha a edição americana. A diagramação e as páginas amarelas contribuem para uma leitura agradável. Revisão muito boa, não lembro de ter encontrado erros de digitação ou ortografia. Já leu? Diz aí nos comentários o que você achou!!!

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