Resenha: Noturnos (John Connolly)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Noturnos
John Connolly
R$ 21,70 até R$ 34,90
ISBN-13: 9788528616811
ISBN-10: 8528616819
Ano: 2016 / Páginas: 294
Idioma: português 
Editora: Bertrand Brasil

Crianças acreditam que monstros são reais. Adultos tentam convencê-las do contrário — ou de que, no final, eles sempre serão derrotas. Nesta que é sua primeira coletânea de contos, John Connolly escreve sobre os mundos infantil e adulto em confronto em dezesseis histórias absolutamente assombrosas, com ecos de alguns dos mestres do horror — M.R. James, Ray Bradbury, Stephen King —, mas sem abrir mão da voz única e inconfundível que o consagrou em O Livro das Coisas Perdidas. Amores perdidos, crianças desaparecidas, demônios predatórios e fantasmas vingativos são apenas alguns dos ingredientes que compõem esta imperdível antologia.



Noturnos é uma coletânea de contos de terror escritos por John Connolly, autor de O livro das coisas perdidas, Os portões e Os sinos do Inferno, publicados aqui pela Editora Bertrand Brasil. John Connolly se tornou um dos meus autores contemporâneos prediletos desde O livro das coisas perdidas, que eu amei e achei super bizarro. E por bizarro, entenda, maravilhoso. Eu amo tudo que é bizarro, que dá medo e provoca um friozinho na espinha. A propósito, sou completamente suspeita pra falar do John Connolly! Leio até a lista de compras dele, sou stalker dele mesmo! hahaha E se você gosta de terror e não leu nada do Connolly ainda, pare tudo que estiver fazendo e compre agora O livro das coisas perdidas!

Com Noturnos não foi diferente. Eu já aguardava a publicação desta coletânea há algum tempo. Assim como eu aguardo a publicação da série protagonizada por Charlie Parker (olha a cantada pra Bertrand!). Eu sempre acho muito difícil resenhar livros de contos porque nunca sei se devo falar de todos os contos. Em alguns casos até que dá, mas neste julgo ser impossível, até para não tornar a resenha cansativa. 

Aqui temos dezesseis histórias curtas, com exceção da primeira que é a mais longa, permeadas de elementos sobrenaturais e bizarros, tais como bruxas, vampiros, duendes, palhaços... A primeira e mais longa história: A balada do cowboy canceroso, é sobre uma cidadezinha onde um misterioso cowboy chamado Buddy (não vale o trocadilho, porque ele não é nada amigável) contaminava as pessoas e elas morrem em pouquíssimo tempo de formas, bem, digamos... nada bonitas. Essa história tem descrições muito pesadas e altamente nojentas:

"Mas Roy balançou a cabeça. O movimento fez com que catarro, lágrimas e sangue negro espirrassem no rosto e na camisa de Jerry. Roy tentou mais uma vez articular algumas palavras, mas elas não saíam, e começou a se sacudir, entrando em convulsões, como se algo estivesse prestes a jorrar de dentro dele. Caiu no chão e começou a bater a cabeça com tanta força no piso que os brinquedos do sobrinho despencaram das prateleiras. Arranhou as tábuas até as unhas serem arrancadas dos dedos. Depois, sob os olhos de Jerry, os tumores de seu rosto começaram a se espalhar, infectando os últimos resquícios de pele sã, correndo para se juntarem uns aos outros enquanto seu hospedeiro morria." 

E essa citação não foi nem de longe a pior viu gente. O segundo conto: O daemon do Sr. Pettinger é sobre uma velha igreja onde na parte de cima tem várias imagens de divindades e no subterrâneo, um antigo mal está à espreita. O conto é pequeno e não foi um dos meus preferidos. O terceiro conto é sobre Elfos e também não foi um dos meus preferidos. Talvez seja devido ao meu preconceito com estes seres. Não sou muito fã de fadas, duendes, elfos e afins. O único duende que eu gosto é daquele filme O duende e porque é bem bizarro mesmo!

O quarto conto, A nova filha, foi um dos melhores e mais apavorantes. Junte uma família em uma região isolada e uma antiga casa paroquial que passou muito tempo abandonada, não tem como não dar certo né? Me lembrou muito a atmosfera dos livros de Jay Anson, Horror em Amityville ou 666: O limiar do inferno. É a história de um homem e seus filhos que foram abandonado pela esposa/mãe. Quando eles se mudam para a casa, a filha dele, Louisa, começa a agir de forma muito estranha, causando medo no irmão mais novo, Sam, e até no pai. Esse conto é bem bizarrinho.

"- O que foi, Louisa?
E ela respondeu:
- Não sou a Louisa. Sou a sua nova filha."

Bem gente, não vou comentar todos os contos porque afinal, são dezesseis e a resenha iria ficar muito longa. O que eu posso dizer é que esse livro certamente irá agradar a quem gostou de O livro das coisas perdidas e também para os fãs de terror. Fãs de HP Lovecraft, Stephen King, Clive Baker também deverão curtir a atmosfera sombria dos contos de Connolly. Esse autor sabe mesmo como criar cenários soturnos, apavorantes e inserir elementos aparentemente inofensivos, como fadas e duendes, fazendo com que estes se tornem seres horrendos e medonhos. Enfim, Noturnos é tensão do início ao fim. Houve horas em que eu precisei parar (à noite principalmente rs) e continuar no outro dia. E sim, eu tive um sonho com o primeiro conto, o do cowboy canceroso. 

A edição da Bertrand está linda, a capa segue o padrão das outras, só não veio com a textura diferente. O início do conto sempre vem com uma ilustração do que devemos esperar e a diagramação está ótima. Não encontrei erros de digitação, revisão, etc. Mas também eu li muito rápido, posso até ter deixado passar. E aí, você já leu algo do John Connolly? O que achou? Conta pra gente!

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