Resenha: Traços (Eduardo Cilto)

sexta-feira, 2 de setembro de 2016



Título: Traços
Autor: Eduardo Cilto
Edição: 1
Editora: Outro Planeta
ISBN: 9788542207477
Ano: 2016
Páginas: 272



Sinopse: Quando Matheus aceitou acompanhar Beatriz na festa do colégio, jamais imaginou que terminaria a noite participando de um ritual místico (de veracidade duvidosa) para saber o que o futuro reservava para ele e a amiga. Assim que as velas que os cercavam se apagam e uma resposta esquisita encerra a cerimônia, Beatriz leva o resultado a sério e entende que deve fugir da cidade pequena para se encontrar com seu destino nas ruas da capital de São Paulo. Perdido no meio de tudo, Matheus é obrigado a repensar o que considera certo ou errado quando é convidado para participar do plano maluco de fuga e decide que precisa passar por cima dos limites impostos pelos pais para finalmente ser capaz de entender quem realmente é. Os dois amigos partem sozinhos para São Paulo e carregam consigo não somente as malas nas costas, mas também o peso de todos os problemas que achavam que estavam deixando para trás. Sem ter ideia do que estão enfrentando, Matheus e Beatriz descobrem mais sobre si mesmos, criam, quebram laços e encaram desafios que jamais pensaram que confrontariam enquanto contavam as moedas para realizar esse grande plano que iria mudar suas vidas para sempre.



Traços é o primeiro livro de Eduardo Cilto booktuber do canal Perdido nos Livros. Confesso que depois de Azeitona resolvi dar uma chance aos livros dos booktubers deixando de lado qualquer preconceito. Porém, Traços é uma confusão tão grande em sua narrativa que não teria como levar mais que duas cabecinhas, ainda sendo muito generosa.

Matheus é o típico filhinho da mamãe, seus pais são extremamente cuidadosos e severos com ele, por conta da morte de seu irmão. Ele tem uma irmã mais jovem e vive em uma cidade pacata no interior. Beatriz, a melhor amiga de Matheus, e por quem ele tem uma enorme queda, tem um problema de se sentir deslocada na cidade. Depois de um ritual exotérico, Beatriz resolve fugir e levar seu amigo com ela para São Paulo para ir atrás de um youtuber.

Vamos começar explorando um pouco essa bagunça de roteiro narrativo. Primeiro de tudo Beatriz tem zero problemas reais, a menina é popular na escola, não tem problemas com os pais, não sofre preconceito nem nada do tipo, mas mesmo assim se sente deslocada ao ponto de querer fugir de casa. Daí eu pergunto a vocês quantos adolescentes lá fora com problemas reais poderiam ter se identificado com essa personagem? Isso aí, nenhum. Daí não satisfeita, ela resolve fugir para São Paulo atrás de um youtuber que fala sobre problemas existenciais, que aliás só existem na cabeça dela. Gente vamos deixar claro, sou fã e conheço várias pessoas que são fãs, que fazem loucuras para ver seu ídolo, mas sair de casa a noite e fugir para a cidade do ídolo sem nem um eventinho confirmado para ter a oportunidade de vê-lo....é surreal. Beatriz tinha zero indicações de quem era o garoto, de onde ele morava, só sabia que ia chegar em São Paulo, uma cidade enorme e encontrar o youtuber.

Depois dessa personagem mega inteligente podemos analisar o personagem com a história mais desperdiçada de todos os tempos: Matheus. Matheus sim tem problemas reais, o irmão mais velho dele que morreu era gay e por conta da homofobia do pai foi colocado para fora de casa e na rua sofreu um ataque homofóbico e veio a falecer. Aí sim, um problema real, com consequências reais, com adolescentes reais que sofrem com isso, que tem medo de serem expulsos de casa,etc. A história de Matheus sim é interessante, comovente e se bem explorada daria um livro maravilhoso. Porém essa história só é contada no finalzinho do livro, ao invés disso Matheus vira um personagem bobão que corre atrás de Beatriz e faz todas as suas vontades.

Além disso tudo, no meio do livro acontece uma coisa mais absurda ainda que é um sequestro completamente forçado na narrativa do youtuber que Beatriz estava procurando, então mudamos o rumo do livro de um livro de descoberta para uma coisa meio confusa com um crime completamente fora de propósito. Como vocês podem ver uma total bagunça narrativa, o autor não se decidiu se escrevia um drama adolescente ou algo como um mistério, resolveu fazer os dois e não conseguiu harmonizar.

Enfim, a única coisa legal do livro é essa capa maravilhosa. A diagramação também está ok. Acho que Eduardo Cilto tem algum talento ele só precisa pensar melhor e organizar suas histórias, se Traços fosse focado na história de Matheus e seus dramas familiares com certeza teria sido um livro maravilhoso, mas focar a história em Matheus tentando resolver os problemas de uma garota chata, mimada e que na real não sofre nada na vida só me deixou entediada.

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