Resenha: A sétima cela (Kerry Drewery)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A sétima cela
Atrás das grades. Para a sua diversão.
A Cela # I
Kerry Drewery
ISBN-13: 9788582462652
ISBN-10: 8582462654
Ano: 2016 / Páginas: 316
Idioma: português 
Editora: Astral Cultural
Martha Heneydew é a primeira adolescente a ser presa e condenada no novo sistema de justiça da Inglaterra. A polícia a encontrou ao lado do corpo de Jackson Paige, filantropo, milionário e uma das celebridades mais queridas do país. Nesse novo sistema de justiça, o condenado tem sete dias ¿ cada dia em uma cela diferente ¿ para ter seu destino determinado pelos votos dos telespectadores. Se a audiência do programa de TV Morte é Justiça decidir pela inocência do preso, ele será solto. Caso contrário, será morto na cadeira elétrica. Porém, algumas peças não se encaixam na história que Martha conta para a justiça. Ela se declara culpada, mas há algo por trás da cena do crime que os telespectadores ainda não sabem. Com a ajuda da consultora psicológica, Eve Stanton, de um juiz do antigo sistema jurídico, Cícero, e do seu grande amor, os sete dias que precedem sua execução serão de muita intensidade, sofrimento, descobertas inesperadas e reviravoltas de perder o fôlego. Quem é, de verdade, Jackson Paige? Martha Heneydew é realmente culpada? Será que esse sistema jurídico é justo? Nesta distopia eletrizante, todas essas questões nos fazem refletir sobre o poder do dinheiro que, muitas vezes, prevalece sobre a justiça. E Martha, uma adolescente forte e destemida, mostra sua crença em uma sociedade verdadeiramente justa, na força da amizade e do amor. Mesmo que isso possa significar sua própria vida.

Bom, preciso dizer que há tempos eu não terminava um livro tão tensa, xingando alguns personagens e desejando que eles se ferrassem muito. A prova do livro A sétima cela chegou para mim enviada pela Astral Cultural (muito obrigada Tábata!) e eu sabia que tinha uma segunda intenção nesse envio, eu sabia! Ela não queria era sofrer sozinha com este final! Tinha que fazer alguém sofrer junto com ela! HaHaHa Brincadeiras à parte, assim que o livro chegou para mim eu comecei a ler e já tomei um susto pela premissa.

A história se passa na Inglaterra e nessa sociedade o sistema de justiça passou por uma reforma brusca onde os tribunais foram abolidos. É a lei do "Olho por olho" que reina. Se uma pessoa for acusada de um crime de morte, ela não mais passará por um julgamento, irá diretamente para o corredor da morte, onde terá que passar sete dias (uma cela diferente para cada dia) até chegar à sétima cela, lugar da execução, onde será definido se a pessoa vai viver ou morrer. E se for condenada à morte, irá para a cadeira elétrica! 

Como se não bastasse o absurdo que é esse novo sistema, quem vai decidir se o acusado é inocente ou culpado é o "público". Daqui a pouco eu explico porque a palavra público está entre aspas. Acontece que tudo é um grande espetáculo, a velha política do pão e circo. Tudo é televisionado através de uma espécie de reality show, no programa Morte é Justiça. O programa passa no horário nobre e as execuções são sempre marcadas para as 21h, horário em que todos já estão em casa, de banho tomado, jantar na barriga, prontinhos para ter seu momento de diversão, na frente da TV, vendo uma pessoa ser executada ao vivo!  
  
Martha Honeydew é a primeira adolescente a ir para o corredor da morte. Com apenas dezesseis anos, ela foi pega com a arma do crime na mão e ao lado do corpo da celebridade Jackson Paige. Martha admitiu que cometera o crime. Mas algo não se encaixa na história de Martha, tem muito mais por trás de tudo que a TV mostra. E Jackson Paige? Quem é este homem que se tornou um herói nacional após participar de reality shows e fazer obras de caridade com o dinheiro que ganhou? O que levou a adolescente a cometer este assassinato a sangue frio?

Martha é então encaminhada para a cela 1, onde tudo é muito branco, extremamente branco, branco até demais, onde ficar de olhos abertos causa um mal estar imenso. Ela tem que passar 24 horas nesta cela sem contato com ninguém, com exceção da psicóloga designada para ajudá-la a lidar com a sua morte iminente. A psicóloga é Eve Stanton, uma mulher que teve a vida afetada diretamente pelo novo sistema judicial. Eve nota que há algo errado na declaração de Martha e ela vai fazer de tudo para fazer com que a menina diga a verdade. Com a ajuda de algumas pessoas que também creem na inocência de Martha, Eve se arrisca para conseguir provas da inocência da adolescente e inicia uma verdadeira luta contra o relógio para salvá-la da cadeira elétrica. 

Todas as manhãs Martha muda de cela, e a cada nova cela as torturas físicas e psicológicas são diferentes. Em uma, uma goteira pinga insistentemente fazendo um barulho irritante, na outra um gás alucinógeno, na outra um frio cortante, etc. Martha não aguenta mais, mas ela não pode voltar atrás na sua declaração, ela precisa manter uma promessa. Sim, Martha é inocente e a garota está protegendo uma pessoa. 

Então gente, vou contar muita coisa não porque a sinopse já acho que fala até mais do que deveria. Não sei se vocês já assistiram Black Mirror, se ainda não, corram pro Netflix agora e vejam! Mas achei esse livro muito com a pegada de Black Mirror. Por que estou dizendo isso? Porque nesta sociedade onde o sistema judicial é totalmente fraudulento, onde as ligações são pagas, as mensagens de texto e votos pela internet também são pagos, logo, quem tem dinheiro vota mais, ou seja manda. O novo sistema judicial não quer saber se há provas da sua inocência, e a TV manipula tudo e todos. A única coisa que importa é a audiência e toda a publicidade e dinheiro que tudo isso vai gerar. Lembrei muito do BBB ou de qualquer reality show que passa na TV. A gente só sabe o que a edição do programa quer que a gente saiba. Eles constroem a imagem dos participantes e decidem se irão apresentá-los como mocinhos ou vilões, e nós, o povo, vamos engolir tudo que eles nos disserem, afinal, não temos como saber o que acontece behind the scenes, não é mesmo?

Uma coisa que eu gostei no livro é a múltipla narrativa. Ora em primeira ora em terceira pessoa. Em primeira por Martha, relatando seu presente, no interior das celas, seu passado e suas lembranças com sua mãe e algumas outras pessoas. E em terceira por vários personagens secundários. Uma outra coisa que me chamou a atenção foi a maneira como a autora retratou os momentos em que estava passando o programa de TV, descrevendo como se fosse um teatro o que cada apresentador, repórter estava vestindo, que movimentos eles faziam, etc. E sempre enfatizando os números para as pessoas votarem, o site e o valor de cada voto. Muito interessante ver como tudo é incutido no nosso subconsciente através de edições completamente tendenciosas (oi Jornal Nacional?!), apresentadores que não tem nada de imparciais (alô William Bonner!) e como nos deixamos enganar por qualquer coisa que nos dizem. 

Claro que nem tudo é perfeito, algumas cenas, principalmente as cenas do programa de TV ficaram bem absurdas e algumas coisas também não consegui engolir com relação à tecnologia descrita. Mesmo suspendendo a descrença, algumas coisas eu não consegui aceitar como verossímeis. 

Martha é uma personagem ok, mas confesso que nem foi a personagem que eu mais gostei, embora eu tenha me sensibilizado com a sua história de vida. A narrativa da autora é bem ágil e não há muitas coisas desnecessárias só para encher linguiça, então tudo acontece bem rápido, principalmente as últimas páginas. O leitor fica tenso a cada atualização da contagem de votos para saber se Martha vai ser declarada culpada ou inocente. Me irritei com duas personagens do livro e na boa, eu quero que no próximo elas duas se ferrem MUITO, mas assim, HARDCORE!!! 

O final é eletrizante, não posso dizer que eu me surpreendi com tudo que aconteceu, em algumas coisas sim, outras não, mas é bem tenso e nada está definido até literalmente o último segundo. O final deixa um gancho para o segundo livro que faz com o que o leitor queira saber o que vai acontecer com os personagens, e torcer muito (contra!) alguns deles. Eu já tô aqui batendo meus tambores para duas serpentes viu! Pense em duas víboras! Ódioooooo! 

O livro tem previsão para chegar às livrarias no dia 17/10/16. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei e #oremos para que a autora acabe logo de escrever (a miserávi ainda não terminou!!!) e a Astral publique logo! Recomendo para quem gosta de distopias, reality shows e suspense! 

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