Resenha + Sorteio: Cujo (Stephen King)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Capa dura: 276 páginas
Editora: Suma de Letras (23 de outubro de 2016)
Idioma: Português
ISBN-10: 8556510256
ISBN-13: 978-8556510259
Dimensões do produto: 23,6 x 16 x 2,6 cm
Peso do produto: 680 g

Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.

Publicado originalmente nos anos 80, mais precisamente em 1981, Cujo estava esgotado das livrarias brasileiras havia muitos anos. Qual não foi a minha surpresa quando ouvi dizer que a Suma de Letras teria uma coleção especial composta só por livros esgotados e raros do King, a Biblioteca Stephen King, e que Cujo seria o primeiro livro a ser publicado nesta nova coleção.

Cujo é um livro que tem vários núcleos e todos eles se cruzam em algum momento. Vic, Donna e Tad se mudaram para Castle Rock, Maine, após Vic abrir sua agência de Publicidade junto com o sócio e amigo, Roger. Tad é um garotinho muito esperto de quatro anos que morre de medo do monstro que mora no seu closet, mas que sempre desaparece quando Tad chama seus pais, com medo. O carro de Donna está dando defeito e Vic não teve tempo para mandar arrumar, pois teve que viajar a trabalho e então, orienta a esposa a levá-lo na oficina dos Camber. 

Joe Camber é o mecânico da cidade, é famoso por ser honesto e não cobrar mais do que o justo no conserto de um carro. É casado com Charity e é pai de Brett. Joe é um caipira marrento e que é muito cruel com a esposa e o filho. Cujo é o cão de Brett Camber. Cujo é um São Bernardo dócil, brincalhão, educado e muito fofo, mas ao ser mordido por um morcego que estava infectado com raiva, acaba se transformando numa máquina mortífera.

Donna pega Tad e vai até o local. Por ironia do destino, Charity viajou com Brett para visitar a irmã em Connecticut. Onde eles moram é a última casa da rua, literalmente no meio do nada, na cafundolândia, como diz Vic Trenton. Quando a mãe e o filho chegam, se deparam com o local abandonado e são recepcionados por um São Bernardo de 90kg, raivoso. 

Sério, são quase 400 páginas de pura agonia e tensão. No começo a gente vai conhecendo aos poucos os personagens, suas histórias de vida e os pequenos detalhes que tornam este livro tão característico de King. Ele insere tantos pequenos detalhes que para muitos pode ser um pouco enfadonho ou enchimento de linguiça, mas eu considero um toque muito especial, pois ele dá tantas situações normais como alguém simplesmente assistindo TV ou limpando o chão, que o leitor vai conhecendo as características de cada personagem e consequentemente, criando empatia por eles. 

A transformação de Cujo são as partes que mais me perturbaram. Um animal dócil que ao passar dos dias se transforma literalmente em um monstro. Stephen King consegue transformar situações cotidianas que em meu ponto de vista, facilmente dariam para serem evitadas, em um apanhado de situações de "azar". Uma coisa interessante é que o jargão da campanha do Cereal Sharp, que Vic criou, é "Não, não há nada de errado aqui", quando na verdade, dá TUDO errado. A infeliz coincidência de Charity e Brett viajarem na mesma época que Vic, o carro dando defeito e Vic não tendo mandado consertar logo, o carteiro sendo orientado a não entregar a correspondência dos Camber até segunda ordem, pois a família estaria fora, etc, ou seja, tudo que podia dar errado neste livro, DEU! 

Este é um dos livros mais apavorantes que já li na vida. Não pense que é apavorante porque dá medo, não, não é isso. É apavorante porque é insanamente perturbador de tão possível de acontecer. No início ele fala de Frank Dodd, o serial killer que morreu e o monstro do armário do Tad, acredito que isso foi o King tentando dar sua pitada de sobrenatural no livro. 

As cem últimas páginas do livro são de tirar o fôlego, pois se concentram no desespero de Donna e Tad dentro do Corcel velho, já sem água e comida e o carro praticamente destruído por Cujo. A parte em que Vic tem um insight de onde Donna pode estar nos deixa com o coração na mão pois a narração consegue transmitir ao leitor o tamanho do amor deste homem por sua família, apesar dos pesares, que vocês só saberão se lerem. 

Não tenho absolutamente nenhuma ressalva acerca deste livro, exceto um detalhe no final, que partiu meu coração, e a morte de Cujo, eu sei que ele estava com raiva e que não poderia ter sido salvo, mas mesmo assim, ainda fiquei triste porque ele morreu. Fiquei triste porque através da narrativa tivemos acesso também à perspectiva do cachorro e como ele lutou bravamente contra os sintomas da doença e como resistiu ao impulso de matar, sua primeira vítima teria sido ninguém menos que Brett Camber, o MENINO, como ele chamava, aquele que lhe deu tanto amor e carinho.

"Cujo saiu dali sempre se sacudindo e esfregando o focinho ferido com as patas. O sangue já secara, mas a ferida ainda lhe doía muito. Os cães possuem um sentimento de embaraço muito desproporcional à sua inteligência e Cujo sentia-se contrariado com o que fizera. Não queria voltar para casa. Se fizesse isso, alguém daquela sua trindade. — o HOMEM, A MULHER OU O GAROTO — logo se dariam conta do que acontecera. Era até possível que um deles o insultasse chamando-o de CACHORRO MAU e, naquele momento, era justamente assim que ele se sentia. Era mesmo um CACHORRO MAU."

A edição da Suma de Letras está maravilhosa, a capa é dura e tem baixo relevo na parte da pata e a textura é levemente aveludada. A edição contém também extras, como uma entrevista com o King. Eu adorei a tradução do livro, não li o original, mas deu pra perceber a pesquisa absurda que o tradutor fez para traduzir algumas palavras e expressões que são bem a cara do King. A revisão está impecável e o livro vale cada centavo que custa, está mesmo maravilhoso e vai ficar lindo na sua estante! Recomendo demais! 

O livro foi adaptado para o cinema em 1983 e é até fiel ao livro, tirando o fato de ser beeeeeem resumido e o final ser diferente. O garotinho que faz o Tad, no filme, é um ator espetacular! A criança conseguiu me fazer franzir o cenho por várias vezes, e quase chorar nas cenas em que ele próprio chorou no colo de sua mãe. Senti o desespero do Tad.



Confira o trailer abaixo.




SORTEIO

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