Resenha: Não se enrola, não (Isabela Freitas) Não se apega, não #03

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não se enrola, não
Isabela Freitas
R$ 17,90 até R$ 79,99
ISBN-13: 9788551000861
ISBN-10: 8551000861
Ano: 2016 / Páginas: 224
Idioma: português 
Editora: Intrínseca

A vida de Isabela dá uma completa reviravolta depois do sucesso de seu blog, Garota em Preto e Branco. Decidida a perseguir seus sonhos, ela abandona o curso de direito, deixa a casa dos pais, em Juiz de Fora (MG), e se muda para São Paulo tão logo conquista um emprego numa badalada revista on-line. Enquanto se adapta aos novos tempos numa quitinete no Baixo Augusta, Isabela escreve seu primeiro livro.
Seria perfeito se no apartamento em frente não morasse o envolvente Pedro Miller e os dois não se embolassem regularmente sob o mesmo lençol. Não, não é namoro. Não, não é apenas amizade. É algo muito mais enrolado, um relacionamento sem um nome definido. Um “isso”, como diz a personagem. Embora não tenha coragem de confessar seus sentimentos, Isabela sabe que está perdidamente apaixonada pelo seu melhor amigo.
Após Não se apega, não e a sequência, Não se iluda, não, Isabela Freitas mostra neste Não se enrola, não os primeiros passos de seus personagens na vida adulta, com toda a independência e as responsabilidades que ela proporciona.


desnecessário adjetivo:
que não é necessário; inútil, supérfluo, dispensável, escusado.

Bem, infelizmente é o que Não se enrola, não da autora-personagem-whatever Isabela Freitas, é. Para quem não leu os outros livros, a personagem também se chama Isabela Freitas. A história poderia ter facilmente se encerrado no anterior, mas não sei porquê cargas d'água decidiram continuar incentivando a moça a tentar tirar leite de pedra desta história. Mas senta aí, pega um copo d'água e vamos conversar.

Neste livro, Isabela (a personagem) se muda para São Paulo, para vivenciar o sonho de ser independente e escrever seu próprio livro, depois de ser "descoberta" por uma Editora. A moça arruma um emprego numa revista, a Zureta, que só pode ser mesmo zureta por contratá-la para aconselhar as pessoas numa coluna de relacionamento. Logo ela, a pessoa mais confusa que eu já vi em toda a minha vida. E óbvio que todo mundo na revista a odeia, menos o Bruno, um rapaz bonito, inteligente e perfeitinho, que logo fica amigo da Isabela. A editora, Karen, a odeia e faz de tudo para atrapalhar a vida da Isabela, claro. E tem o senhor Bigodes, que é o dono da revista, que inicialmente não tinha a menor paciência com a Isabela e do nada fica todo amiguinho dela, e ela vira a conselheira do homem. Quem são essas pessoas? Do que elas gostam? Quais as suas ambições? Infelizmente isso o Globo Repórter nunca mostrará e você nunca saberá. Simplesmente porque essas pessoas são completamente irrelevantes para a história, elas só estão lá para interagir com a Isabela, seja atrapalhando, ajudando, etc.

Isabela está morando no mesmo prédio (no apartamento da frente!) de seu melhor amigo-ficante Pedro Miller, e os dois tem uma espécie de amizade colorida, como ela fala. Sabemos que desde o primeiro livro o Pedro é apaixonado, arreado os quatro pneus por ela, e só ela parece não se dar conta disso. Pedro está tocando em bares por São Paulo e rapidamente é acometido pela fama, tendo até show marcado no Citibank Hall (eita!). E a Isabela está cada vez mais enciumada, porque o rapaz está sempre cercado de web celebridades e mulheres lindíssimas. E é claro que ela não perde uma oportunidade de dar vexame e se passar. Porque é claro que é isso que mulheres de 24 anos, maduras, desapegadas fazem. #SóQueNão

Bom, o livro inteiro é sobre a rotina monótona da personagem que fica nesse dilema infantil de "digo ou não digo que quero namorar sério?". Foi Isabela que disse que queria um lance mais flexível, que não queria se apegar e blá blá blá, o cara só estava cumprindo o desejo dela. E ela parece que não amadureceu NADA mesmo tendo que morar sozinha, pagar contas e cuidar da própria vida. As atitudes infantis a ponto de se esconder do Pedro nas escadarias do prédio e dar xilique no bar beijando outro cara na frente dele continuam a todo vapor. 

Sério, ou ela é cega, ou é burra ou realmente eu não sei. Às vezes acho que isso é subestimar demais a inteligência do leitor, porque de verdade, o livro não tem história nenhuma. É cheio de páginas preenchidas com mensagens de texto inúteis e com páginas do livro que a personagem está escrevendo, que no final descobrimos que é o próprio Não se apega, não. Sabe aqueles livros que são só pra encher linguiça e calar a boca dos fãs que estão pedindo por mais? Pois é.

Sinceramente eu não acho que a Isabela (autora) dê maus conselhos, não! Se o livro fosse só de auto-ajuda, seria um bom livro. De verdade! O problema é que ela não sabe escrever ficção ou não tem organização para isso. Na minha cabeça de leiga, para escrever ficção, a pessoa tem que ser no mínimo organizada e montar fichas com características físicas, psicológicas, biografia, etc, dos personagens, cenários e tudo o mais para que não caia no principal erro das histórias de ficção, a contradição. Acho que ela pode sim aprimorar a escrita dela tentando pequenos contos, pois romance não está dando certo por enquanto. Eu acho que ela deveria tentar escrever Não-ficção, acho que seria bem melhor, até porque os conselhos neste livro estão um pouco mais amadurecidos, realmente há coisas que fazem sentido e que dá pra aproveitar

Eu não vou me dar ao trabalho de comentar os furos da história porque enfim, não vai adiantar de nada né? Acho que dos três, esse é disparadamente inferior e que não acrescenta em nada à trama criada pela autora. Demorei muito pra ler esse livro porque simplesmente me dava sono toda vez que pegava pra ler. O primeiro e o segundo tinham muito mais histórias (mesmo que inverossímeis) e que pelo menos prendiam a atenção, mesmo que eu não tenha gostado, porque de verdade, a escrita dela não é chata, não é enfadonha, é até bastante fluída, o problema é o conteúdo. 

Desejo do fundo do meu coração que a autora aprimore sua escrita, que tente sair da sua zona de conforto e tente escrever algo diferente. Acho que ela tem potencial sim para algo melhor do que esses conselhos bestas pré-fabricados que parecem ter saído do Google, como diz o irmão da personagem, no lançamento do livro dela. Enfim, acho que as adolescentes vão adorar porque elas não estão preocupadas com as falhas e personalidades dos personagens, elas querem mesmo é saber se devem ou não dizer pro menino que estão ficando que querem namorar sério. Ha Ha Ha. 

Então minha gente, é isso. A edição é lindíssima, como todas as outras, dessa vez na cor laranja. É um livro que se vende por ser tão lindo. As pessoas tem vontade de pegar e ler trechos só por causa da edição. Isso é uma jogada genial da Intrínseca, porque eu acho que a Editora sabe melhor do que ninguém que se o conteúdo não é tão incrível assim, pelo menos a edição é. Não encontrei erros, a revisão também está muito boa. 

Nunca vou dizer a um leitor: não leia, não compre, pelo contrário, o que para mim não foi uma experiência de leitura agradável para outras pessoas pode funcionar completamente. Não se enrola, não, de fato não funcionou para mim, mas pode ser que para você leitora – ou leitor – que tenha, sei lá, 13 anos, possa funcionar e dê um bom livro de auto ajuda-romance-autobiografia. E não esqueça de passar aqui de novo depois de ler, para dizer o que achou, certo?

Até a próxima.
 

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