Resenha | Marlena (Julie Buntin)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017



Marlena
Julie Buntin
R$ 31,70 até R$ 44,50
ISBN-13: 9788595170087
ISBN-10: 8595170088
Ano: 2017 / Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Fábrica 231

Cat tem 15 anos e se sente sozinha e perdida ao deixar para trás o mundo que conhecia para viver numa pequena cidade no interior de Michigan. Mas sua vida se transforma quando ela conhece sua nova vizinha. Marlena é uma garota destemida, determinada e fora de controle. Logo as duas se tornam inseparáveis e passam a testar seus limites, em busca de novas experiências e, principalmente, de um sentido para a vida. Até que um desfecho inesperado põe fim a esta amizade. Quase 20 anos depois, Cat relembra aquele período de excessos e ainda luta para perdoar a amiga e a si mesma, neste romance ao mesmo tempo sensível e brutal sobre uma amizade obsessiva e sobre pessoas que, não importa o quanto se demorem, deixam marcas profundas na vida de outras.


Gente... esse livro!!!! Ainda estou impactada com esse livro, o qual eu não dava muito por ele, porém me surpreendeu e muito, positivamente! 


A história é sobre a amizade intensa de duas meninas, Cat e Marlena. Cat é uma adolescente de 15 anos que teve que se mudar para Silver Lake, uma cidadezinha do interior do estado de Michigan, após o desastroso divórcio dos pais. Cat é completamente negligenciada pela mãe, que é alcoólatra e egoísta demais para colocar a filha em primeiro lugar. Ela é uma garota tranquila e inocente, que acostumada com escola particular e programas burgueses, de repente se vê imersa em um ambiente totalmente estranho, e ela quer mudar, então a oportunidade perfeita para isso surge diante dos seus olhos em forma de amiga. 


Marlena é mais velha do que Cat dois anos, com apenas 17 anos, a garota é completamente sem limites, nível #vidalokisse mesmo. Marlena não tem mãe e mesmo com pouca idade já conheceu os lados mais obscuros da vida. No entanto é ela quem toma de conta do irmão mais novo, enquanto o pai administra um laboratório de metanfetamina em sua própria casa, que está sempre cheia de caras estranhos, e um deles a olha de formas esquisitas. Marlena é viciada em comprimidos, vários deles, e ela não mede esforços pra conseguir sustentar seu vício, se é que vocês me entendem.

As duas passam a ser vizinhas e Cat começa a admirar Marlena e seu modo de viver. A menina é completamente seduzida pela liberdade, pela atitude da vizinha, a quem passa a de certa forma cortejar, até que elas se tornam melhores amigas. Cat quer ser como Marlena. Ela quer ser Marlena. As duas se tornam então inseparáveis, mas é inseparáveis MESMO. Cat que até então era apenas uma adolescente regular, é introduzida ao caos que é a vida de Marlena e começa a experimentar tudo que a outra oferece, então, elas embarcam juntas numa viagem louca regada a muito sexo, cigarro, drogas, bebidas, etc. Essa amizade intoxicante cheia de excessos dura cerca de um ano, até que Marlena morre em circunstâncias misteriosas. (Isso não é spoiler, tá nas primeiras páginas do livro!) Anos depois, Cat já adulta tem que lidar com a perda da outra, que ainda a assombra, e com seus próprios demônios.


Esse livro é autobiográfico, conta coisas que a própria autora viveu em sua juventude. Porém, acho que muita gente consegue se identificar com os eventos aqui citados pois retrata fielmente as descobertas da adolescência e como essa questão de 'melhores amizades' pode interferir, neste caso, negativamente na vida de alguém. Marlena é aquela garota, tenho certeza que sua mãe já te disse um dia, que você não poderia andar com ela. É aquela garota que não tem mãe para orientá-la e que é muito "solta", que é má influência. Então, eu já ouvi muito isso na minha adolescência. Eu só não usei drogas e nem fiz sexo 'antes do tempo', mas cometi muitos excessos na minha adolescência por influência de uma amizade tóxica. A ligação das duas é muito forte, é uma idolatria recíproca e quase sexual. É tanta intimidade compartilhada, tantas experiências que a gente fica pensando no quão doentio isso pode ser, e é, no caso de Cat e Marlena. 

Mais ou menos vinte anos depois, Cat agora vive em Nova York, é alcoólatra e não há um dia em que Marlena não povoe seus pensamentos. Ela ainda carrega o peso da perda da amiga. As partes narradas por Cat já adulta são muito boas e nós conseguimos penetrar no emocional da personagem e entender o que ela sentia e ainda sente. Ela realmente acreditava na veracidade daquela amizade. Eu tive amizades assim e posso dizer que me arrependo de não ter ouvido minha mãe antes, eu enfrentei a minha família para brigar por uma amizade que só queria me usar, me explorar. Marlena era uma vampira emocional. 

Eu amei esse livro, acho que principalmente pela identificação que rolou. Gente, o mundo está cheio dessas pessoas, e não dá nem para culpá-las completamente. Elas são tão vítimas quanto culpadas. No caso de Marlena, a vida fez isso com ela, ela não teve muita escolha. Já Cat, acho que foi burrice mesmo, porque ela acompanhou Marlena definhar a olhos vistos, tanto é que a única coisa que ela sabia que se usasse não teria volta, ela recusou.

O livro me lembrou muito um filme dos anos 2000, Aos treze, com Nikki Reed e Evan Rachel Wood, a história era bem parecida: garota certinha começa a andar com a garota louquinha e muda completamente o comportamento fazendo as coisas mais absurdas do mundo, só que o final do filme é menos trágico. 


Recomendo demais a leitura, precisamos aprender a reconhecer quando uma amizade é saudável e quando é uma amizade destrutiva. Fica a recomendação para os jovens e para os pais dos mais jovens, para que estes não fechem os olhos para os sinais que seus filhos emitem. Prestem atenção nas pessoas com quem seus filhos andam, observem as amizades deles. Adorei! 


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