Resenha | Quando tudo faz sentido (Amy Zhang)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017


Quando Tudo Faz Sentido
Não existem acidentes
Amy Zhang
R$ 28,69
ISBN-13: 9788579803420
ISBN-10: 857980342X
Ano: 2017 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Rocco Jovens Leitores

Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.


Quando tudo faz sentido, de Amy Zhang, conta a história de Liz Emmerson, que é uma típica Queen Bee americana: Bonita, inteligente, popular na escola, cheia de amigos, porém, é uma pessoa bem má. Durante uma aula de física, Liz toma consciência de que é uma pessoa cruel e egoísta, e acha que o mundo ficaria melhor sem ela. Liz então decide se matar. Isso mesmo, ela planeja o próprio suicídio de forma que fique parecendo que foi um acidente. Liz fez tudo muito cuidadosamente. Ela escolheu o lugar perfeito, com as condições climáticas perfeitas para que tudo parecesse um infeliz acidente de carro. Tudo que ela queria era morrer instantaneamente na hora da colisão, porém, não foi isso que aconteceu. A garota sobreviveu ao acidente e está em coma, passando por inúmeras cirurgias e os médicos lutam para mantê-la viva. 

A história é basicamente essa. Eu achei levemente parecido com Antes que eu vá, da Lauren Oliver. Que também é sobre uma menina que é má e fica revivendo o dia de sua morte várias vezes até descobrir em que ponto ela errou e precisa consertar as coisas para poder seguir em frente. Tá, é diferente, eu sei, mas o que eu quero dizer com parecido é que a garota toma consciência do quão escrota estava sendo e aos poucos vai mudando suas atitudes até perceber o motivo de estar passando por tudo que estava passando.

A Liz é toda durona por fora, mas por dentro ela esconde tanta solidão, tanta tristeza que é de cortar o coração. O pai morreu quando ela era apenas uma criança e após o ocorrido, sua mãe resolveu se afundar no trabalho, passando mais tempo fora do que com a própria filha. Liz tem suas amigas mas esse seu lado negro ela não mostra a ninguém. Inclusive, ela ainda ajuda a detonar ainda mais as suas amigas Julie e Kennie. Sério, a Liz tinha comportamentos absurdos com suas amigas. 

A garota está tão no fundo do poço que chega ao cúmulo de planejar a própria morte. Eu consegui compreender a Liz, apesar de não compactuar com sua ideia de "redenção" através da morte, eu consigo entender que para ela não tava mais dando e que ela achou por bem acabar com tudo. Eu sei que suicídio não deve ser considerado uma opção, mas eu confesso que diante de alguns tapas na cara e verdades sendo jogadas em mim, eu também ira querer morrer, ou pelo menos ficar de fora por um bom tempo.

Apesar de ser um livro para jovens e com uma leitura agradável, achei algumas coisas bem pesadas e até fiquei um pouco preocupada com essa ideia de "pagar os pecados" da Liz através de sua morte previamente planejada. O livro aborda temas polêmicos como vício em drogas, aborto, bullying, depressão, entre outros. Liz foi protagonista de muita coisa ruim que aconteceu com seus próprios amigos e quando a ficha dela cai é doloroso. 

O livro não tem a cronologia linear, o que foi bom, neste caso. A pessoa que narra a história foi uma surpresa pra mim e eu confesso que curti demais! A capa faz todo o sentido do mundo, além de ser linda demais. É fácil achar que suicídio é uma opção quando as coisas não vão bem, mas uma coisa bacana é que a autora deixa bem claro que suicídio não deve ser uma opção, e que tudo vai se resolver, eventualmente. Recomendo para pessoas de qualquer idade. 

"Tento me lembrar da última vez em que ela foi feliz, de seu último dia bom, e demoro tanto para procurar em meio às outras lembranças, as infelizes, as vazias e as perturbadas, que é fácil entender por que ela fechou os olhos e virou o volante para o lado. Porque Liz Emerson guardava tanta escuridão dentro de si, que fechar os olhos não fazia muita diferença."




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