Semana Especial Tartarugas até lá embaixo | Dia #03 | Precisamos falar sobre espirais

quarta-feira, 8 de novembro de 2017


Oi gente! Hoje eu vou falar sobre TOC aqui na semana especial Tartarugas até lá embaixo. Espero que vocês curtam! 

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno comum, crônico e duradouro. É caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. E é nesta característica que vamos nos concentrar. São pensamentos repetidos, impulsos ou imagens mentais que causam ansiedade.


Quando se fala em TOC a maioria das pessoas só lembra das compulsões, que podem ser inúmeras, como por exemplo: 

  • Medo de germes ou contaminação, lavando as mãos excessivamente.
  • Preocupar-se excessivamente com limpeza.
  • Revisar diversas vezes portas, janelas, gás ou o ferro de passar roupas antes de sair de casa ou dormir.
  • Pensamentos proibidos ou indesejados envolvendo sexo, religião e danos
  • Pensamentos agressivos em relação aos outros ou a si próprio
  • Ter coisas simétricas ou em uma ordem perfeita.


Essas 'manias' são fortemente lembradas quando se fala em TOC e até de forma leviana, pois quem nunca ouviu um "Ah, meu TOC não deixa ficar dessa forma, deixa eu arrumar isso". Confesso que já usei essa expressão algumas vezes de forma displicente, mas quando eu tive contato com o TOC pela primeira vez, com uma amiga, eu vi que é um transtorno sério e que causa um grande sofrimento nas pessoas que o possuem.


A nossa querida Aza Holmes tem TOC. O TOC da Aza não é aquela mania de limpeza exagerada, mas ela morre de medo de pegar alguma doença, mais especificamente a clostridium difficile, que ela chama de C.diff, é uma bactéria que está naturalmente presente na flora intestinal de cerca de 3% dos adultos e 66% das crianças. Esta bactéria não causa problemas a pessoas saudáveis, contudo, alguns antibióticos utilizados para tratar outros problemas de saúde podem interferir com o equilíbrio das “bactérias boas” da flora intestinal. Quando isto acontece, a clostridium difficile pode multiplicar-se e causar sintomas como diarreias e febre. Como estas infecções são geralmente causadas por antibióticos, a maioria dos casos ocorre num ambiente de cuidados de saúde, no hospital, por exemplo. 

A Aza constantemente abre alguns artigos científicos sobre a C. diff para verificar os sintomas da doença e ver os casos de morte. Ela tem um ferimento no dedo que foi provocado por ela mesma para saber se o momento que ela tá vivendo é real. Às vezes a Holmes cai numas "espirais". As espirais são pensamentos obsessivos sobre assuntos super aleatórios que causam grande sofrimento nela por ela não conseguir se livrar deles, então a garota tem uma sensação constante de que não é dona dos próprios pensamentos, como se fosse uma coadjuvante na própria vida. 

As espirais acontecem principalmente nos momentos em que ela tá "atentando contra a própria saúde". Por exemplo, quando ela foi beijar o Davis, ela caiu numa espiral onde só conseguia pensar nos 86 milhões de tipos de microorganismos estavam entrando no corpo dela através da língua dele, e que iriam ficar no corpo dela para todo o sempre. Aza até tem consciência de que as pessoas beijam outras pessoas e que nada de ruim acontece, porém é mais forte do que ela e então ela surta. Ela sofre muito com isso e é angustiante ver como isso afeta a própria Holmes e as pessoas que convivem com ela. 

Não é fácil conviver com uma pessoa que tem TOC. As pessoas que tem TOC fazem tudo no tempo delas, da maneira delas e alguns desses rituais ou comportamentos podem irritar outras pessoas. Muitas vezes as pessoas julgam quem tem TOC ou qualquer outro transtorno psicológico como egoístas, pessoas que vivem presas em seus próprios pensamentos e que não se importam com mais nada. 

Eu tenho transtorno de Ansiedade e Síndrome do pânico, eu entro em espirais. Minhas espirais são diferentes das da Aza, mas não deixam de ser espirais pois elas me sugam para dentro da minha mente e às vezes é difícil conseguir sair. Precisamos de um tempo para nós, às vezes simplesmente precisamos ficar sozinhos e as pessoas não conseguem admitir isso. Já perdi amizades por causa da minha ansiedade, onde a pessoa não aceitava que eu precisava do meu espaço e simplesmente me descartou dizendo "Quando você quiser uma amiga de verdade fale comigo" e nunca mais falou comigo. As pessoas precisam pensar mais nas outras e não apenas nos seus próprios umbigos. Precisamos ser mais empáticos e parar de usar palavras como TOC, bipolar, neurótico, etc., de forma leviana. 

Obrigada por lerem o meu post. As informações técnicas sobre o TOC eu tirei deste site, e o resto foi escrito por mim mesma. Obrigada por gastarem uns minutinhos do tempo de vocês para lerem. 

— Agora você não vê as paredes, certo? E não vê os ratos. Se girar algumas vezes, não vai saber de que lado fica a entrada e de que lado fica a saída. Isso é assustador. Agora imagine se não pudéssemos conversar, se não conseguíssemos ouvir a respiração uma da outra. Imagine se não tivéssemos tato, ou seja, se mesmo uma ao lado da outra não tivéssemos ideia disso. Imagine que você está tentando encontrar alguém, ou até tentando encontrar a si mesma, mas não pode contar com nenhum dos seus sentidos, não tem como saber onde estão as paredes, ou o que fica à frente ou o que fica atrás, ou o que é água e o que é ar. Você está sem seus sentidos e sem forma… Sua sensação é de que você só consegue descrever o que é se identifica o que não é, e você está flutuando sem rumo num corpo completamente fora do seu controle. Não é você quem decide de quem gosta, ou onde mora, a que horas come, do que tem medo. Você está presa e pronto, totalmente sozinha, nessa escuridão. É assustador. Isto — fiz uma pausa para ligar a lanterna — é controle. Isto é poder. Mesmo que haja ratos e aranhas e o cacete, somos nós que lançamos luz sobre todas essas coisas, não o contrário. Sabemos onde estão as paredes, de que lado é a entrada e de que lado é a saída. Isto — mais uma pausa, para desligar a lanterna — é o que eu sinto quando estou apavorada. Isto — liguei novamente a lanterna — é moleza. Caminhamos por algum tempo em silêncio. 

— É tão ruim assim? — perguntou Daisy, por fim. 
— Às vezes. 
— Mas chega uma hora em que a sua lanterna volta a funcionar, não? 
— Por enquanto.


Fonte: Vittude

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