Resenha | As coisas que perdemos no fogo (Mariana Enriquez)

domingo, 5 de novembro de 2017

As Coisas que Perdemos no Fogo
Mariana Enriquez
R$ 24,00 até R$ 30,12
ISBN-13: 9788551001448
ISBN-10: 8551001442
Ano: 2017 / Páginas: 192
Idioma: português
Editora: Intrínseca

Macabro, perturbador e emocionante, As coisas que perdemos no fogo reúne contos que usam o medo e o terror para explorar várias dimensões da vida contemporânea. Em um primeiro olhar, as doze narrativas do livro parecem surreais. No entanto, depois de poucas frases, elas se mostram estranhamente familiares: é o cotidiano transformado em pesadelo.
Personagens e lugares aparentemente comuns ocultam um universo insólito: um menino assassino, uma garota que arranca as unhas e os cílios na sala de aula, adolescentes que fazem pactos sombrios, amigos que parecem destinados à morte, mulheres que ateiam fogo em si mesmas como forma de protesto, casas abandonadas, magia negra, mitos e superstições.
Uma das escritoras mais corajosas e surpreendentes do século XXI, Mariana Enriquez dá voz à geração nascida durante a ditadura militar na Argentina. Neste livro, ela cria um universo povoado por pessoas comuns e seres socialmente invisíveis, cujas existências sucumbem ao peso da culpa, da compaixão, da crueldade e da simples convivência. O resultado é uma obra ao mesmo tempo estranha e familiar, que questiona de forma penetrante e indelével o mundo em que vivemos.


Preciso confessar que a literatura latino-americana nunca foi o meu forte. Tirando Julio Cortázar eu não conheço (ou não lembro) de outro autor argentino que eu tenha lido.
Numa vibe sombria resolvi pegar As coisas que perdemos no fogo, da argentina Mariana Enriquez. Eu disse sombria porque esse livro é vendido como terror, não o terror a que estamos acostumados a lembrar quando alguém fala em terror... bom, mais ou menos, mas eu acredito que os monstros aqui são outros. 

O livro tem elementos fantásticos sim, coisas muito bizarras acontecem nestes contos. Mas é preciso ler nas entrelinhas. Por isso eu disse que acho que os monstros aqui são outros. Acredito que os monstros aqui são mais reais do que a gente pode pensar que são. São os monstros que a gente vê no nosso cotidiano. Vocês vão entender quando lerem.  

As coisas que perdemos no fogo é um livro de 12 contos que se passa na Argentina. Mariana tem uma escrita intensa, crua e sincera. Seus contos retratam, em sua maioria, a realidade como ela é: dura e cruel. A autora mostra aos leitores o lado feio do país, aquele que não é apresentado aos turistas ou aquilo que a mídia não mostra. Ela realmente não poupa detalhes, descreve tudo e não enfeita nada. 

Em uma literatura madura e escancarada, a autora nos apresenta a contos que falam sobre os mais diversos assuntos, mas me concentro nos contos que retratam a parte marginalizada da população, nas minorias, como o primeiro conto, que me impactou bastante, O menino sujo. 

Em outro conto, Sob a água negra ela fala sobre violência policial dentro de uma favela e no conto que deu o nome ao livro, As coisas que perdemos no fogo ela fala sobre relacionamentos abusivos, onde a mulher, que na verdade é a vítima, é colocada como culpada. Acho que muitos dos monstros que ela fala nesse livro são de fato a sociedade e o que ela faz com as pessoas. 

Uma coisa que eu achei contraditória e que me causou um certo desconforto foi o fato de em alguns contos ela expor os acontecimentos de forma muito visceral e crua, descrever tudo muito claramente e usando as palavras que tiver que usar, sem suavizar, e em outros ela ficar fazendo rodeios até deixar as coisas meio suspensas, como que para o leitor subentender e dar o final que ele achar pertinente ao conto. Não gosto muito de coisas em aberto.

Apesar do incômodo relatado no parágrafo anterior, todos os contos são muito bons, alguns são ótimos, excelentes, mas nenhum é ruim. Absolutamente. 

Foi uma leitura que eu demorei um pouco para concluir, pois eu não gosto de ler livros de contos numa sentada só, principalmente estes contos que são diferentes de tudo que estou acostumada a ler.
São contos de fato perturbadores e que exigem uma certa reflexão, pois em alguns eu tive que pensar e pensar pra começar a fazer sentido. Alguns, à primeira vista, não vão fazer o menor sentido. Me senti meio burra em alguns momentos. HaHaHa Ah, quem curte história vai curtir também.

Mas foi ótimo sair da zona de conforto a que eu estava acostumada, com autores daquele eixo Inglaterra-Estados Unidos- Brasil, que são os que mais leio. Se você está procurando uma leitura forte, que com certeza vai te impactar e dar um friozinho na barriga, dê uma chance a este livro. Vale super a pena! 

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