Resenha | Belas Adormecidas (Stephen King)

Belas Adormecidas
Owen King
Stephen King
R$ 44,10 até R$ 54,90
ISBN-13: 9788556510518
ISBN-10: 8556510515
Ano: 2017 / Páginas: 728
Idioma: português
Editora: Suma
Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”, incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.


Belas Adormecidas é o último livro lançado por Stephen King este ano, em parceria com seu filho Owen King. A ideia para o livro, que inicialmente seria o roteiro para uma série de TV, foi idealizada pelo Owen King, que achou que o pai poderia ajudá-lo a desenvolver uma história em cima desse plot que não é exatamente inédito, mas se bem trabalhado pode se tornar um novo clássico. 

A história se passa na cidade fictícia de Dooling, que fica na região dos Apalaches, no sudeste dos EUA. Dooling foi assolada por uma epidemia mundial que iniciou-se no Canadá, que faz com que as mulheres - apenas mulheres - não acordem mais. Esta doença ficou conhecida como gripe Aurora, em referência à personagem da princesa Aurora, a Bela Adormecida, da Disney. O que acontece é que as mulheres que porventura adormecerem, não conseguem acordar, e como se isso já não fosse estranho o suficiente, de suas cavidades faciais começa a sair uma espécie de teia que se espalha em torno de todo o seu corpo, formando um casulo com textura semelhante a uma teia de aranha. Caso alguém tente acordar essa mulher rasgando o casulo, ela acorda de maneira altamente agressiva e bestial, atacando a pessoa e logo depois caindo no sono novamente.

Cada vez mais mulheres estão pegando no sono, e as que permanecem acordadas fazem de tudo para não dormirem, como usar drogas, por exemplo. Com todas as mulheres dormindo, tudo vira caos. Pessoas param de trabalhar, de fazer suas atividades normais, com medo de dormirem. Não muito longe dali, na penitenciária feminina, uma mulher parece ser a única imune a tudo isso, dormindo e acordando normalmente. É óbvio que isso não ia passar despercebido não é mesmo? O que será que Evie tem que a difere das outras mulheres?

Genteeeeee... que plot é esseeee???? Não vou falar mais nada do enredo porque 1- pode ser spoiler; 2- a resenha ficaria enorme porque é muita informação. A doença chega a atingir o mundo todo e a sociedade entra em total colapso. O mundo vira um caos, literalmente. O que você acha que aconteceria ao mundo se não existissem mais mulheres nele? É insano. 

No começo do livro há uma lista de personagens pois assim como em Sob a Redoma e A dança da morte, são muitos personagens, muitos núcleos e o leitor pode se sentir confuso em algum momento com tanta informação. Eu não precisei consultar a lista, mas confesso que achei uma boa ideia fazê-la. Todos os núcleos são demais e eu meio que engoli o livro na ânsia de saber o que acontecia com os personagens. Esse pano de fundo de cidade pequena que é atingida por uma praga ou um evento extraordinário já foi abordado por King em outros livros, mas eu adoro isso, adoro como o autor desenvolve as relações interpessoais frente a situações extremas e aparentemente sem solução. Como as pessoas se comportam diante do inédito e como as suas atitudes refletem na sociedade.

Muita gente pode reclamar de que o livro peca no excesso das descrições, mas isso é conhecido do King, ele realmente é muito detalhista no tocante as descrições seja de ambientação como personalidade/história de vida de seus personagens. Acho muito maneiro como ele coloca pequenas situações que aparentemente não tem importância nenhuma, mas que a meu ver, torna tudo muito mais verossímil, como se de fato ele estivesse falando de alguém que existe de verdade. Apesar do plot ser sobre uma doença que atinge a população feminina de uma maneira estranha, de dormir e não acordar, a forma como ele retrata a sociedade após esta crise é completamente verossímil. As atitudes machistas e violentas dos homens também são brilhantemente retratadas.


“Era tão errado se aproveitar um pouco de vez em quando? Pelo amor de Deus, antigamente, se você não metesse a não na bunda de uma garçonete, ela ficava decepcionada. Se você não assobiasse para uma mulher na rua, ela ficava se questionando para que tinha se dado ao trabalho de se arrumar. Elas se arrumavam para mexerem com eles, isso era fato. Quando foi que a espécie feminina mudou tanto? Não se podia mais nem elogiar uma mulher. E era isso que um tapinha na bunda e um aperto nos peitos era, não era? Uma espécie de elogio.”


Stephen King e Owen King pegaram um plot incrível como esse e colocaram no mundo num momento totalmente propício, onde cada dia mais se escuta falar sobre igualdade de gêneros, feminismo, direitos das mulheres, empoderamento feminino, etc. Esse livro me fez refletir ainda mais sobre a importância que nós, mulheres, temos para a sociedade e para o mundo, só os homens não parecem se dar conta disso. O mundo estaria destinado ao total fracasso se não fossem as mulheres, pois as mulheres influenciam nas decisões, mesmo que os homens não percebam ou não queiram admitir, elas freiam a maioria das atitudes extremas que os homens tomariam. A história é recheada de críticas à sociedade e é uma perfeita alegoria ao que acontece no mundo real, quantas e quantas mulheres não são exterminadas, violentadas, abusadas diariamente? Aqui tem até uma espécie de brigada de incêndio, para matar as encasuladas, a brigada do maçarico. Gente é surrealmente REAL. 

Eu gostei demais desse livro, é um dos melhores que li este ano, e um dos melhores do King que eu já li também. Apesar de eu gostar mais do lado terror do King, este suspense está maravilhosamente bem escrito, nem parece que foi escrito a quatro mãos. Não consigo distinguir quem escreveu o quê, mas vejo que tem algo diferente, pois o King é geralmente mais seco e mais prolixo, aqui as descrições, apesar de muitas, são de certa forma até poéticas. O final é bem aceitável também, geralmente o King é conhecido por estragar os finais de seus livros, mas o final de Belas Adormecidas é muito bom, eu gostei muito, e acho que foi mais dramático do que um final normalmente escrito por Stephen King. Será que o final foi coisa do Owen? HaHa Fica a dúvida. 

Recomendo demais a leitura. É uma leitura provocativa e eu fico pensando nos machos escrotos que são fãs do King lendo esse livro mais do que feminista. Então, vamos espalhar a palavra! Leiam leiam leiam! 
0 comentários via Blogger
comentários via Facebook

Nenhum comentário

Obrigada pelo seu comentário, ele é muito importante para mim!