Resenha | Os quase completos (Felippe Barbosa)




Os Quase Completos
Felippe Barbosa
R$ 33,15 até R$ 39,90
ISBN-13: 9788580418132
ISBN-10: 8580418135
Ano: 2018 / Páginas: 384
Idioma: português 
Editora: Arqueiro

O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.

Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.
Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.
Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos.



O interesse em ler Os quase completos veio através do título e dessa capa, linda e a sinopse me deixou bem intrigada.

A escrita do Felippe é ótima e adorei a narrativa do livro. Logo nas primeiras páginas já estava  envolvida e curiosa pra saber o que as próximas páginas reservavam pra mim.

O livro não é divido por capítulos, a separação é feita pelas histórias dos personagens principais: O Quase Doutor, o Quase Repórter e a Quase Viúva. Suas histórias são contadas de forma independente e cada uma delas me prendeu de uma forma diferente e eu estava aguardando o momento em que elas se uniriam. Algumas coisas ditas no livro me faziam parar a leitura pra refletir sobre a vida. Destaquei vários trechos. Adoro quando o livro traz algo mais profundo além do prazer da leitura.
Se um estranho senhor te convidasse a entrar num ônibus sem te dizer pra onde ele iria, você entraria?

"Não está cansado dessa rotina entediante? Talvez seja hora de arriscar uma aventura, por menor que ela seja. Vamos, faça algo inesperado! Ora, por quanto tempo mais vai permanecer nessa vidinha pacata? Esqueça os outros à sua volta! Dê a si mesmo um dia de descanso! "

Dessa maneira embarquei rumo ao desconhecido com o Quase Doutor e o Barfabel (adorei esse nome...rs), um personagem que é uma figura, responsável por grandes frases reflexivas e outras coisinhas mais. Foi uma viagem deliciosa de acompanhar e uma surpresa a cada novo elemento que era apresentado. Sabe aquele lance que o que importa mesmo é o caminho, e não o destino? 

Então nesse percurso temos flashes do passado do Quase Doutor ao mesmo tempo que ele vai descobrindo uma outra versão da sua vida, onde as coisas parecem estar bem melhores e ele começa a pensar se fez as escolhas certas no passado, se está realmente feliz e satisfeito com a vida que leva. 

Visitando o passado do Quase Doutor somos presenteados com a Mira, aquela personagem inspiradora que leva a vida de uma forma leve, que não se importa com o que os outros pensam, que age por impulso, que aproveita o momento, que aos olhos dos outros é uma louca sem juízo mas na verdade ela é sábia, porque sabe dar valor ao que importa. O Quase Doutor  importava-se muito com os outros e esse namoro não era bem visto assim como seu sonho de ser pintor, então ele deixou tudo que amava de lado pra fazer o que os outros diziam ser o melhor pra ele.

"Assim como qualquer outra pessoa meramente mortal, você está fadado a fazer escolhas durante toda a sua vida. E cada uma dessas escolhas te leva a um caminho diferente."

O Quase Repórter não pode escrever o que realmente pensa, o que o deixa frustrado, mas em uma de suas matérias sobre o departamento de polícia, ele questiona algumas coisas e isso faz com que uma nova informação sobre a morte de sua esposa surja. O caso foi encerrado como suicídio mas ele nunca acreditou nisso e essa nova informação dá um norte para sua investigação, tudo indica que sua esposa foi assassinada.

"Acontece que há uma grande diferença entre estar plenamente satisfeito com sua vida e estar meramente conformado."

A Quase Viúva está no hospital com o noivo que está em coma. E é com ele nesse estado que ela vai se descobrindo, graças às conversas que tem com um paciente que está no mesmo quarto. A sua mãe desde criança colocou em sua cabeça que ela deveria casar, e ela cresceu e moldou a sua vida seguindo essa ideia, abrindo mão dos seus verdadeiros sonhos sem perceber.

"'Amarás o próximo como a ti mesmo'. Análise bem a frase. Você deve amar a pessoa a seu lado...mas é deixado bem claro que, antes de mais nada, é preciso se amar. Afinal, como é possível amar outra pessoa se você não ama nem a si mesma?"

Em alguns momentos a história é bem viajada, mas de um jeito bom, tenha a mente aberta porque o sobrenatural está presente e sim, teve uma cena que me fez lembrar da série Supernatural...rs

É através das vidas desses personagens, seus dilemas, questionamentos e suas escolhas que Felippe Barbosa nos faz pensar sobre a nossa própria vida e nossos sonhos. A necessidade que temos de pertencer a algum lugar, de sermos aceitos, de agradar os outros. É mais fácil viver a vida assim né. Como desde pequenos a sociedade determina certas coisas que temos que fazer, a maneira que temos que agir. Mas temos mesmo que seguir o que os outros acham que é melhor pra gente? 

"O grande defeito dos seres humanos está em ter mais medo de alcançar seus sonhos do que vontade de conquistá-los."

Acompanhar e tentar desvendar o mistério que cerca Os quase completos foi muito bom! As histórias se unem de uma forma interessante e nos mostram que muito da nossa vida depende das nossas escolhas, mas tem outras coisas que são bem maiores do que imaginamos. Leitura mais que recomendada.

"O impossível pode ser inalcançável, mas se confiamos nele, conseguimos fazer do nosso possível a melhor versão."

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Um comentário

  1. Oi Renata, tudo bem com você?
    Eu não tive a oportunidade de ler esse livro, mas vejo que ele tem um ótimo enredo, pois parece ser bem reflexivo. Nós vivemos sendo "quase" também, deixando de lado alguns de nossos sonhos para lidar com o cotidiano.
    Gostei da sua resenha, parabéns!
    Bjkas

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