Resenha | Tudo o que nunca contei (Celeste Ng)

Tudo o que nunca contei 

ISBN-13: 9788551003183
ISBN-10: 8551003186
Ano: 2018 / Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Intrínseca
Na manhã de um dia de primavera de 1977, Lydia Lee não aparece para tomar café. Mais tarde, seu corpo é encontrado em um lago de uma cidade de Ohio a que ela e sua família sino-americana nunca se adaptaram muito bem.
Quem ou o que fez com que Lydia — uma estudante promissora de 16 anos, adorada pelos pais — fugisse de casa e se aventurasse em um bote tarde da noite, mesmo tendo pavor de água e sem saber nadar?
À medida que a polícia tenta desvendar o caso do desaparecimento, os familiares de Lydia descobrem que mal a conheciam. E a resposta surpreendente, assim como o corpo da garota, está muito abaixo da superfície.

Tudo o que nunca contei não foi o que eu esperava. Quando li a sinopse imaginei que seria um livro policial, focado na investigação da morte da Lydia, mas a trama aborda muito mais que isso e me vi envolvida no desenrolar da vida dos outros personagens, e descobrindo as coisas que a Lydia não contava para família, que saber o que realmente aconteceu na noite em que Lydia morreu não foi o que me prendeu na leitura.

Eu fiquei encantada com a narrativa da autora. A história é contada em terceira pessoa, o que possibilita conhecermos melhor todos os membros da família Lee - o pai James, a mãe Marilyn, o filho mais velho Nath, a filha preferida Lydia e a filha esquecida Hannah. Lydia morre em 1977, mas também voltamos ao passado, na década de 50, para sabermos como essa família foi construída. 

Embora eu ache que na segunda metade do livro a história perdeu o ritmo, já não estava tão interessante, a maneira que as coisas são narradas faz a leitura fluir.

A autora Celeste Ng, filha de chineses, nasceu nos Estados Unidos. No livro um dos temas que tem mais destaque, e uma das peças fundamentais no quebra-cabeça que vamos montando dos acontecimentos que levaram a morte da Lydia, é justamente o preconceito sofrido pelos imigrantes e seus descendentes. James é americano, filho de chineses, e sofreu durante toda a sua vida com o preconceito, cresceu sem amigos. No seu trabalho, na universidade, como professor ele se apaixona por Marilyn. Marilyn não queria seguir os passos da mãe, casar, ter filhos, ser uma dedicada dona de casa. O sonho dela era ser médica, mas a sua vida não seguiu o rumo que planejou.

Voltar no tempo e saber como foi a vida de James e Marilyn é ótimo para entendermos o motivo deles pressionarem tanto a Lydia, da mesma forma que sabemos porque ela aceita tudo o que a mãe pede. Marilyn projeta na filha todos os seus sonhos não alcançados e James quer que ela seja igual a todo mundo. Vivendo a sombra do que os pais querem pra ela, Lydia não tem voz.

Os outros filhos, Nath e Hannah, são ofuscados por Lydia. Nath não vê a hora de sair de casa e ir pra faculdade, por mais que se esforce nunca é reconhecido pelos pais. Hannah, a caçula, sempre é deixada de lado, não tem a atenção dos pais e nem dos irmãos. Ela é a personagem mais observadora e que entende melhor a família. 

É interessante ver como as situações afetam de formas diferentes os personagens. E que mesmo com a melhor intenção podemos machucar quem amamos, inclusive nos mesmos. Aguentar tudo calada não faz bem, às vezes a melhor escolha é contar o que sentimos.

"- Eu não sei. As pessoas formam uma opinião antes de conhecerem você. - Olhou para ele, subitamente ousada. - Mais ou menos como você fez comigo. Elas acham que sabem tudo a seu respeito. Só que você nunca é quem elas pensam."
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2 comentários

  1. Eu amei a leitura. O livro tem um bom ritmo e os personagens são bem construídos. Concordo que o livro perde um pouco do brilho mais pra frente, mas continua sendo uma boa história.
    Bjkas

    http://www.acordeicomvontadedeler.com/

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  2. Oi, Carol
    A história é boa, mas o melhor do livro pra mim foi a narrativa. Já quero ler todos os livros da autora...rs
    Bjs

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