Resenha | Interferências (Connie Willis)

Interferências
Connie Willis
R$ 38,90 até R$ 59,90
ISBN-13: 9788556510570
ISBN-10: 8556510574
Ano: 2018 / Páginas: 464
Idioma: português 
Editora: Suma
Combinando humor e romance, Connie Willis, ícone da ficção científica, entrega um livro envolvente sobre os perigos da tecnologia, do excesso nas redes sociais e... do amor. Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava. Mais complicado do que ela esperava.

Interferências entrou na lista do "quero ler" por causa da capa e não imaginei que fosse gostar tanto. Depois que vi que era ficção científica fiquei com um pé atrás com essa leitura, porque meu histórico com esse gênero não é bom, mas como eu disse, a capa me ganhou (e sim, leio muitos livros só por esse motivo). E na maioria das vezes sou presenteada com boas horas de leitura.

Briddey e seu namorado, Trent, trabalham na Commspan, empresa de telefonia que está com um projeto super secreto para desenvolver um celular para bater de frente com a concorrente, Apple. E em meio a tantos compromissos, Trent pediu para Briddey fazer um EED, procedimento cirúrgico que ampliaria a percepção dos sentimentos e assim ela perceberia o quanto ele a ama. Paras as meninas da empresa isso é super romântico, mas Briddey não sabe como contar para sua família, já que eles são contra isso e eles só namoram há 6 semanas.

Eu adorei a barulhenta família de Briddey, muitas vezes eles exageram, mas são personagens legais. Eles são daquele tipo de pessoa que quando querem falar algo, por mais sem importância que seja, não medem esforços para que isso aconteça. Por esse motivo Briddey vive inventando reuniões, mas eles não conseguem dar um espaço pra ela, e se ela não atende as ligações e não responde as mensagens, eles vão até o seu trabalho, sua casa. É difícil e cansativo fugir deles.

Maeve, sobrinha da Briddey é uma garotinha de 9 anos que adora filmes de zumbi e é muito, muito esperta. Sofre com a mãe super protetora, Mary Clare, que sempre acha que a filha tem algum problema e proíbe ela de fazer praticamente tudo. Tia Oona não gosta de Trent, e acha que Briddey tem que casar com um irlandês e Kathleen, irmã da Briddey, sempre sai com os homens errados.

Meu personagem favorito, CB, responsável pela criação das novas tecnologias da empresa, também alerta a Briddey sobre o risco de fazer o EED e que ela não tem como saber as consequências desse procedimento e lógico que as coisas não saem como o esperado. 
Já imaginou ouvir os pensamentos de outra pessoa? Briddey descobre do pior jeito como isso pode ser aterrorizante, mas também que, dependendo da pessoa, pode ser incrível.

"E você sabe para quem as pessoas mais mentem? Para si mesmas. São mestres absolutas da auto ilusão."

Adorei a escrita da Connie, a leitura flui super bem e quanto mais eu lia, mais eu queria ler. Os personagens me conquistaram, ficava torcendo para que as coisas dessem certo, que certas coisas fossem logo reveladas (Briddey foi meio lenta pra descobrir uma coisa que percebemos logo no início). A explicação dada e a solução para os acontecimentos me agradaram, ficou amarradinho e condizente com a história. Só senti falta de um epílogo porque queria mais dos personagens.

"Não há nada tão ruim que não possa piorar."
Provérbio irlandês

Em todos os capítulos tem uma frase de algum pensador, livro... que já adianta pra gente o que esperar dele. Cara, nesse capítulo que começou com o provérbio irlandês, eu não queria acreditar que essa coisa estava acontecendo. Me senti assim: "Ah, não, pensou Briddey. Não pode ser!"
Eu fiquei totalmente conectada com os personagens, a autora soube construir bem o que se passava na cabeça dos personagens, realmente a capacidade do cérebro humano é incrível.

O bom dessa leitura é que sempre apareciam novos elementos para deixar a trama mais interessante. E incrível como ela conseguiu que os personagens que tinham uma facilidade para se comunicar, sempre encontrassem barreiras fazendo com que a trama mantivesse o ritmo até o fim.

Interferências foi um leitura super agradável com momentos amorzinhos, personagens encantadores e outros que queria bem longe e ainda me fez pensar em toda a tecnologia a que somos expostos, como muitas vezes é difícil mantermos algo só pra gente quando o mundo inteiro está ligado no que fazemos. 

Estão constantemente pensando em maneiras de aprimorar a tecnologia para “unir” mais as pessoas, mas será que estamos preparados pra mais exposição? É disso mesmo que precisamos?
Connie Willis é uma autora conhecida no gênero de ficção científica. Esse foi meu primeiro contato com uma obra dela e achei que foi uma leitura leve. Pretendo ler outros livros porque gostei muito da escrita. 

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Um comentário

  1. Esse é um livro que coloquei nos meus desejados por estar sendo tão elogiado e pela sinopse que me chamou a atenção. Ao ler sua resenha, percebi que também tem uma pegada reflexiva sobre o uso da tecnologia, o que é sempre interessante.
    Bjkas

    http://www.acordeicomvontadedeler.com/

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