Resenha | Querido Evan Hansen (Val Emmich, Steven Levenson, Justin Paul e Benj Pasek)

Querido Evan Hansen
Val Emmich
Steven Levenson
Justin Paul
Benj Pasek
 R$ 26,99 até R$ 39,90
ISBN-13: 9788555340833
ISBN-10: 8555340837
Ano: 2019 / Páginas: 336
Idioma: português 
Editora: Seguinte

Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.
Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma. Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira.
Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter? Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.


Querido Evan Hansen é baseado em musical da Broadway e até a editora Seguinte anunciar o lançamento desse livro eu nunca tinha ouvido falar sobre ele. Gostei do livro e quando terminei a leitura pesquisei sobre o musical e ouvi as músicas. Adorei a capa, é simples e tem tudo a ver com a história, já que o Evan passa boa parte do livro com o braço engessado em decorrência de uma queda da árvore, e o gesso passa a ser o elo de ligação entre ele e o Murphy, um adolescente com temperamento instável e que também não tem amigos na escola.

O pai de Evan vive com uma nova família e não dá muita atenção pra ele, sua mãe só quer o seu melhor mas vive trabalhando e Evan passa a maior parte dos seus dias sozinho, já que não tem amigos. Ele é um aluno do ensino médio com dificuldades para se relacionar, e seu terapeuta passa para ele um exercício de de escrever cartas motivacionais para si próprio. Ele sempre começa a carta assim: "Querido Evan Hansen, Hoje vai ser um dia bom, e vou dizer por quê." Uma perspectiva positiva gera uma experiência positiva. É esse o conceito básico por trás desse exercício de escrita.

Só que ele não vê sentindo em escrever mentiras, porque os dias nunca são bons e quando finalmente resolve ser sincero e escrever o que está sentido, a carta é encontrada por Murphy e Evan se vê preso em uma situação muito delicada, porque os pais de Murphy ao encontrar essa carta supõe que foi o filho a escreveu antes de se suicidar, e tem como consolo saber que pelo menos o filho tinha um amigo.

Evan não consegue dizer a verdade, e a partir disso vive uma série de mentiras, o que me incomodou em boa parte da leitura, embora dê para entender o lado de Evan, ele acha que está fazendo bem para a família, ao mesmo tempo que essa história está fazendo bem pra ele mesmo, porque ele passa a ter atenção e carinho de uma família e se aproxima de Zoe, irmã de Murphy, por quem sempre teve uma quedinha. Zoe é mais cética em relação a essa amizade, mas Connor parece saber o que as pessoas precisam ouvir, e o relacionamento deles melhora. Na escola ele passa a ser notado, a falsa amizade com Murphy faz com que cada vez mais as pessoas falem sobre ele e mais mentiras vão surgindo, ao mesmo tempo que os temas depressão e suicídio vão sendo abordados dentro e fora da escola, e atingindo um público maior. Ele sente que está fazendo diferença na vida dessas pessoas, as pessoas o admiram e parabenizam. Uma mentira contada por um bem maior é válida? Evan vivia com esse conflito de dizer a verdade ou não. E viver essa nova vida fez com que ele mudasse de atitude, foi se perdendo.

Eu lia angustiada, esperando o momento que tudo seria revelado e quais seriam as consequências disso. Outro coisa interessante da narrativa são os capítulos que temos pelo ponto de vista do espírito de Murphy, deu para o conhecer um pouquinho. E os momentos de leveza da história são quando Jared aparece. Jared é o mais próximo que Evan tem de um amigo, e é a pessoa que sabe toda a verdade. As conversas deles me faziam rir na maioria das vezes por causa do sendo de humor do Jared.

É um bom livro, que nos mostra que podemos conviver com pessoas depressivas e não termos noção de quão grave esse quadro é. Livros que servem de alerta são importantes. A leitura flui e apesar de não concordar muito com a atitude de alguns personagens e ficar com raiva de certos momentos, também tiveram outros que me tocaram, esse sentimento de estar sozinho, não ter com quem contar, porque até mesmo as pessoas que nos amam, por mais que prestem atenção e façam o seu melhor, nem sempre vão saber o quanto a presença delas é importante, que isso pode ajudar.

— Esse foi o presente que ele me deu. Me mostrou que eu não estava sozinho. Me mostrou que eu era importante. Eu importo. Não importo? E não só eu.

Por Renata Kerolin


2 comentários via Blogger
comentários via Facebook

2 comentários

Obrigada pelo seu comentário, ele é muito importante para mim!