Resenha | O homem de giz (C. J. Tudor)

O Homem de Giz
C.J. Tudor
R$ 38,28
ISBN-13: 9788551002933
ISBN-10: 8551002937
Ano: 2018 / Páginas: 272
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
Assassinato e sinais misteriosos em uma trama para fãs de Stranger Things e Stephen King.
Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.


Eu não sei nem como começar essa resenha. Não porque eu tenha amado o livro, mas exatamente pelo contrário. Estava olhando as notas dele no skoob e todas são muito boas, só vi uma nota 3 entre muitos 4 e 5. Mas vamos tentar. 

Primeiro de tudo eu não achei que o marketing em cima desse livro fosse ser tão literal. A autora literalmente misturou Stephen King e Stranger Things. Mas vamos chegar lá. 

A premissa não é inédita, pelo contrário, é até já muito batida, mas achei que fosse encontrar algo que a diferenciasse dos outros. Um grupo de crianças encontra um corpo desmembrado no bosque e trinta anos depois começam a receber mensagens estranhas através de um código que só eles sabiam quando eram crianças. Quem teria matado a garota?

O livro é narrado pelo ponto de vista de Ed, o protagonista, alternando os anos de 1986 e 2016. Em 1986, Ed e seus amigos, Hoppo, Gav, Nicky e Mickey encontraram um cadáver desmembrado na floresta, mas a cabeça nunca fora encontrada. Trinta anos depois, essa história volta a assombrá-los, pois cada um recebe uma carta anônima do suposto assassino com um homem de giz enforcado. Mickey, que há muito deixara a cidade, retorna com uma proposta a Ed: ele quer que Ed o ajude a escrever um livro sobre o assassinato em troca de dinheiro. Muito dinheiro. E no outro dia da visita de Mickey a Eddie, ele é encontrado morto, próximo ao rio. Eddie precisa encaixar as peças do quebra cabeças que ficou incompleto há trinta anos. 

Os personagens são rasos, todos eles, mesmo Ed, o protagonista e narrador, é um homem de 40 anos apático, meio aleatório, que nutre um crush pela sua inquilina, Chloe, muuuitos anos mais jovem que ele. Nicky, a única garota do grupo, quando parecia que ela teria um background interessante, a autora deixou a personagem tornar-se inútil, pois não desenvolveu nada e o que revelou dela, caiu no esquecimento. A garota aparecia cheia de marcas pelo corpo, o que tudo indica que ela sofria agressões do pai, que era também o reverendo da cidade. Mas a autora simplesmente deixou isso pra lá. Detalhe, qualquer semelhança com Beverly Marsh não é mera coincidência, até ruiva ela é. Detalhe que Eddie era apaixonado por ela na adolescência. Mas em um dado momento ela simplesmente some da história, só retornando trinta anos depois, e só volta para realizar uma ação, uma única ação que nem precisava ser realizada por ela. 

Outro personagem que tinha tudo pra ser interessante, pois era "diferente", era o Sr. Halloran, o novo professor de literatura da escola, que era um forasteiro, ninguém sabia nada de sua vida, além dele ser albino, o que o tornava ainda mais enigmático, pois devido à sensibilidade de sua pele sembre andava com enormes chapéus e roupas largas. O personagem simplesmente é descartado do nada, mesmo ele tendo tido participações importantes em alguns momentos. 

Quem é fã do King ou quem já leu pelo menos It - A coisa, O corpo (conto que baseou o filme Conta Comigo), Às vezes eles voltam (conto que baseou o filme homônimo) e Saco de ossos, vai reconhecer a colcha de retalhos que C.J. Tudor fez neste livro. Porque foi exatamente isso que ela fez, ela pegou as histórias do King, desmembrou igual a personagem do livro dela, e fez uma colcha de retalhos ao contar esta história. O livro é ruim? Não, não é ruim. Mas não é original. Eu sei, quase nada é original, mas se quer se inspirar, faz direito e cria algo muito bom, mas não copia! Quem nunca leu nada do King ou não leu muitos thrillers na vida vai amar, vai achar incrível. 

A escrita dela não é ruim, acho que o maior problema do livro foi a imaturidade, a falta de identidade na escrita, e talvez até mesmo a pressa. Pois a autora claramente se perdeu no final, tornando-o literalmente surreal. Fiquei com muitas dúvidas, até reli o final pra ver se eu não tinha pulado uma cena ou lido muito depressa, mas não, há coisas simplesmente não explicadas. Isso foi frustrante. Sinceramente me decepcionei bastante com o livro, esperava uma história consistente e que se sustentasse, mas tudo foi tão previsível que deu foi sono. Principalmente a primeira metade do livro, onde não acontecia NADA. 

O pior de tudo eram as tentativas falhas de confundir o leitor, inserindo coisas que aparentemente pareciam se tratar de uma conspiração imensa, mas não passavam de coincidências. A velha máxima "hora e lugar certos". Só uma coisa no final não foi previsível, mas nem por isso foi "genial", pelo contrário, achei forçado e inverossímil. A autora poderia ter dado algumas pistas sobre uma determinada característica de um personagem, mas não deu, o que, na minha opinião, foi o que faltou pra que o final se tornasse plausível pra mim. 

Um ponto positivo no livro foi a inclusão de um personagem albino, e como ele era tratado simplesmente pelo fato de ser diferente, e o personagem do pai do Ed, com Alzheimer. Achei interessante a maneira como Ed se relacionava com os pais e que quando a doença começou a ficar ainda mais evidente, até o fim dos dias dele (não lembro o nome do pai dele, sorry!), Eddie ficou aliviado, não pelo fato do pai ter morrido, mas pelo fato de não precisar mais cuidar dele. É exatamente isso que acontece com a família das pessoas que tem Alzheimer. A morte é uma forma de alívio, não porque você quer que a pessoa morra, mas pelo fato de não precisar mais cuidar dela. 

C. J. Tudor é jovem, esse é só o seu primeiro livro, e espero que ela tenha um futuro brilhante na carreira de escritora. Mas ela precisa ainda aprender a referenciar, em vez de copiar. Quem nunca leu King ou não lê muitos thrillers talvez goste muito da história, pois de fato, em alguns momentos a autora sabe prender a atenção do leitor. Mas leitores mais exigentes vão ter suas ressalvas. 

A capa é linda e toda a edição da Intrínseca está incrível! O livro é preto nas laterais, é cheio de homens de giz espalhados e a capa é dura. O livro está bem revisado e a diagramação está satisfatória. Que pena que pra mim não foi uma leitura muito boa, mas recomendo que vocês leiam e tirem suas próprias conclusões, afinal, aqui é só a minha opinião, não é mesmo? Até a próxima. 



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7 comentários

  1. Oi Jordana, tudo bem com você?
    Eu confesso que me apaixonei pela edição, a capa preta e tudo mais, mas depois de ler a sua resenha, percebe que existem mais pontos negativos do que positivos.
    Parabéns pela resenha.
    Bjkas

    http://www.acordeicomvontadedeler.com/

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    1. Oi Carol! Tudo bem e vc? Menina, eu tbm me apaixonei pela edição mas a decepção foi grande viu! Obrigada pela visita! Espero te ver na bienal esse ano <3

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  2. Os comentários positivos em cima do livro são muitos. Mas é bom também vê seu outro ponto de vista sobre a história, inclusive ressaltando o que não te agradou.
    Beijos
    http://recolhendopalavras.blogspot.com.br/

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    1. Oi Dany! É verdade viu! Muitos comentários positivos e eu fiquei feliz porque achava qe se tinha tanta resenha positiva é porque o livro devia ser msmo muito bom, mas qual nao foi minha surpresa ao ler ne? Decepçao! brigada pela visita! um beijo <3

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  3. Adorei sua resenha, estou com expectativas enormes para ler esse livro. Ainda não li nada do King, mas adoro o autor por tudo que ele representa é sabe fazer na literatura. O Homem de Giz, sem dúvida, e um grande livro. Acredito que deva gostar. Amei sua resenha !

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  4. Nossa, eu esperava que esse livro fosse bom, nunca esperei que fosse extraordinário, mas lendo sua resenha, vejo que falta nele as mesmas coisas que odeio quando o autor deixa de fora, que é pistas mais concretas e desenvolvimento dos personagens. Inclusive, já que se inspirou no King, deixou de fora sua característica mais marcante: Desenvolvimento de personagens. O cara é fera nisso. Enfim, acho que vou levar em conta sua resenha e passar longe desse livro, pois vejo que você é muito fã de Thriller, assim como eu, logo, tem bastante mérito no que escreveu! Um abraço!

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  5. Concordo muito com vc.
    Acho que esse livro só vai dar certo com quem nunca leu King e está acostumado com livros mais leves.
    Eu fui ler esse livro logo após ter concluído It. Imagina a RAIVA q eu passei, fiquei fazendo comparativos o tempo todo. Desde a escolha do nome dos personagens até as características físicas.
    Enfim, me decepcionei.

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