Resenha | Rastro de sangue: Jack, o Estripador (Kerri Maniscalco)

Rastro de Sangue: Jack, o Estripador
Stalking Jack The Ripper # 1
Kerri Maniscalco
R$ 34,10 até R$ 49,90
ISBN-13: 9788594541000
ISBN-10: 8594541007
Ano: 2018 / Páginas: 354
Idioma: português 
Editora: DarkSide Books
Audrey Rose não é a típica donzela inglesa do século xix. Quando ninguém está vendo, a jovem realiza autópsias no laboratório de seu tio, contrariando a vontade de seu pai e todas as expectativas da sociedade. Ela pode não saber fazer um penteado elaborado, mas faz uma incisão em Y num cadáver como ninguém. Seus estudos em medicina forense a levam na trilha do misterioso Jack, cujos assassinatos brutais derivados de uma terrível sede de sangue amedrontam a cidade. E Audrey Rose, empoderada desde o berço, quer fazer justiça às vítimas - ​​mulheres sem voz e marginalizadas por uma sociedade extremamente sexista. Na companhia de Thomas Cresswell, o aprendiz convencido e irritante de seu tio, ela decide seguir seus instintos e os rastros de sangue do notório assassino. Afinal, nenhum homem foi capaz de descobrir sua identidade. Esse é um trabalho para uma mulher.


Rastro de sangue: Jack, o estripador saiu pelo selo darklove da Darkside books. O selo darklove é o meu selo favorito da editora, tem no seu catálogo livros escritos por mulheres, com personagens marcantes e histórias incríveis. Logo esse também entrou na minha meta de leitura, ainda mais porque a darkside comparou a Audrey Rose com a Lia das Crônicas de amor e ódio, uma das minhas personagens literárias favoritas.

Mais uma vez a darkside presenteou os seus leitores com uma edição de capa dura maravilhosa e em todos os capítulos tem alguma ilustração. Achei essa capa linda, a premissa do livro massa e estava esperando uma protagonista f*da. Por todos esses motivos minha expectativa estava altíssima mas infelizmente essa história não foi do jeito que eu esperava, não que o livro seja ruim, ele é bom mas alguns pontos não me agradaram.

Audrey Rose nos é apresentada como o prometido, uma garota de 17 anos que quer fazer diferente, quer ser diferente das outras mulheres e ir contra o que a sociedade impõe. A história se passa em 1888 e se hoje nós mulheres ainda temos dificuldade em algumas coisas, naquela época era bem pior e não foi fácil pra ela ir atrás do que queria.

Jack, o estripador é um famoso serial killer que não teve sua identidade descoberta. Oficialmente a morte de 5 prostitutas foram atribuídas a ele, mas podem ter sido mais. A cada crime os cortes na vítima e a remoção dos órgãos piorava. Tendo como base esses crimes a autora mistura fatos reais com ficção, no final do livro ela pontua as mudanças que fez.

Audrey Rose queria ter os mesmos direitos que os homens, queria estudar e por sorte o seu tio apoiava suas ambições de aprender medicina forense. As partes que descreviam a autópsia, que eram focadas na investigação foram as que eu mais gostei.

“Por que mesmo eu deveria ser ou dócil e decente, ou curiosa e desprezível? Eu era uma moça decente, mesmo que passasse meu tempo livre lendo sobre teorias científicas e dissecando os mortos.

O início do livro é muito bom, logo somos envolvidos com a primeira morte e Audrey Rose já disposta a ajudar na investigação. Seu pai, Lorde Edmund Wadsworth, é muito rigoroso e protetor, pois sua esposa, mãe de Audrey Rose e Nathaniel, ficou doente quando Audrey tinha 12 anos e morreu. Para tentar proteger a filha de todo mal e impurezas do mundo, a rotatividade entre os funcionários é grande e ele chega ao ponto de obrigar a filha a sair de máscara. Ele não tem um bom relacionamento com seu irmão Jonathan, e Audrey Rose sempre dá um jeito de escapar do pai pra ter aulas com o tio. A primeira vítima trabalhou na casa da família, e quando outras mulheres vão aparecendo mortas Audrey Rose se vê cada vez mais determinada a descobrir quem é o assassino, para isso ela conta com a ajuda do Thomas Creswell, aluno do seu tio.

Thomas foi o personagem que mais gostei, é esperto e muito bom em deduzir coisas, apesar de respeitar as opiniões da Audrey Rose e embarcar nas suas loucuras,  ele também adora implicar e flertar com ela, o que rendia diálogos divertidos. Eles trabalham bem juntos, um estimulando o outro em busca de entender as motivações do assassino.

Em certo ponto do livro, depois que o suspeito é preso, a trama segue o rumo de um típico livro de romance de época, alguns personagens se ausentam e  Audrey Rose passa a fazer as coisas esperadas que uma mulher daquela época fizesse, tarde de chá com fofoca, compras, conversas sobre bailes, eu já estava doida que outra mulher aparecesse morta pra investigação voltar a ser o foco do livro.


“A maioria das pessoas ignora o que está bem diante de seus olhos. Elas acreditam que veem, mas, com frequência, enxergam apenas aquilo que querem ver.”

Eu queria que o assassino fosse uma pessoa, pra trama ficar mais interessante, mas acabou sendo quem eu suspeitava mesmo e apesar de tudo o que cercava essa história, fiquei meio decepcionada por Audrey Rose ter demorado tanto pra perceber quem era. No decorrer do livro minha opinião sobre a personagem mudou algumas vezes, mas acredito que ela tem potencial.

Com seus pontos altos e baixos, a leitura em certos momentos fluiu e em outros não, mas no geral eu gostei e pretendo ler os próximos livros da série que vão ser inspirados em outros personagens clássicos da era vitoriana.

Os próximos livros, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, serão Hunting Prince Dracula e Escaping from Houdini.


A playlist do livro pode ser encontrada no perfil da darkside no 

por Renata Kerolin
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2 comentários

  1. Oi Renata, oi Dana, tudo bem?
    Nossa, confesso que não li o livro, mas me encantei pela capa e ao ler a sua resenha percebo que falta algo no enredo para que o livro seja realmente bom, o que é uma pena.
    Bjkas

    http://www.acordeicomvontadedeler.com/

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  2. Pois é, continuo vendo bons comentários sobre ele, mas eu esperava mais da história.
    A capa realmente é um encanto.

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