Resenha | Vox (Christina Dalcher)

Vox # 1
Christina Dalcher
R$ 37,42
ISBN-13: 9788580418897
ISBN-10: 8580418895
Ano: 2018 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Arqueiro

Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.


A editora Arqueiro fez um belo trabalho de marketing em cima do lançamento do livro Vox, assim como eu, muitos amigos ficaram loucos pra ler. O fato de estarmos em meio a campanha eleitoral ajudou, afinal nesse período paramos pra pensar mais no nosso futuro e um livro que retrata um futuro aterrorizante nos deixa em alerta.

No mundo distópico de Vox, as mulheres dos Estados Unidos tem uma cota diária de apenas 100 palavras. O governo controla isso através de uma "pulseira", a personagem principal do livro, Jean, odeia quando utilizam esse termo para falar sobre o contador. Caso a mulher fale mais de 100 palavras em um dia ela recebe uma descarga elétrica. Essa foi a forma que o governo encontrou para cala-las e doutrina-las em um sistema para que se tornassem puras.

"Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus."

É um retrocesso o que vemos nesse livro, causado por que cada vez mais as mulheres estavam usando a voz para lutar por direitos iguais, por expressar suas opiniões. Vendo isso como uma ameaça, e falando que antigamente as coisas eram melhores, o governo muda todo o sistema. Mas como a Jean relata, não foi uma coisa que aconteceu do dia pra noite, algumas coisas foram sendo implantadas e ninguém levou a sério. Ou melhor, quase ninguém, ela foi uma dessas pessoas, que ao ser alertada por sua amiga Jake sobre a importância de votar e lutar pelos seus direitos, não fez nada. Sempre tinha algo mais importante pra fazer e achava que a amiga estava exagerando.

Gostei da capa do livro que retrata bem o que a história aborda. A sinopse possui 100 palavras. Todas as palavras são numeradas, uma forma de já chocar logo de cara. 100 palavras por dia não é nada, e além disso outros meios de comunicação são proibidos. A narrativa no começo é boa, somos apresentado a essa realidade sobre os olhos revoltados de Jean, ela uma Doutora com uma carreira brilhante foi reduzida a uma simples dona de casa, e o pior tem que conviver com essa diferença gritante dentro de casa. Ela mora com o marido Patrick, que parece aceitar tudo bem, os filhos Steve de 17 anos, que absorve toda essa ideia dos Puros como se estivessem certos sobre tudo, os gêmeos de 11 anos que são apagados na história e sua filha Sônia de 5 anos. Ela sofre mais pela filha que não conheceu outro mundo e que sabe que ainda vai sofrer muito nesse. Seu filhos frequentam escolas diferentes. Com o Steve vemos a lavagem cerebral que está sendo feita nas escolas e a doutrina que eles pregam. Já Sonia estuda em uma escola só pra meninas, onde aprendem coisas “essenciais” para serem uma boa dona de casa.

Jean é neurocientista e é recrutada pelo governo para dar continuidade na sua pesquisa sofre a afasia de Wernicke, uma alteração na linguagem oral e escrita, que torna a comunicação sem muita precisão, que é ocasionada por uma lesão neurológica. Ela foi obrigada a abandonar a pesquisa quando foi proibida de trabalhar e desconfia do "pedido" para retomar a pesquisa e ajudar o irmão do presidente que sofreu um acidente e está com esse problema, mas com tanta coisa em jogo ela aceita a proposta após fazer algumas exigências. Com sua equipe de volta e alguns sinais que vai percebendo ao seu redor, ela vê que precisa se posicionar.

Gostei da narrativa do início do livro que mostra como os Estados Unidos está agora e o arrependimento da Jean ao lembrar de vários momentos da vida que ela poderia ter feito algo e não fez. O livro todo é assim, mostrando o presente e acontecimentos do passado. 

Vox tinha todos os elementos para ser muito bom, mas pra mim não foi. Toda a revolta e desconforto que senti no início da leitura, ficou de lado no meio. Muita coisa pra mim ficou difícil de acreditar e se a autora não convence no meio da história, dificilmente vai convencer no final. E foi isso que aconteceu, vi muitos furos acontecendo. A autora no início relatou as coisas bem mas depois se perdeu e ficou difícil acreditar no que estava acontecendo. O fim foi corrido, tudo se resolveu de uma maneira tão fácil e não foi bem descrito, que quando percebi já tinha acabado e eu fiquei sem entender direito como tudo tinha acontecido, fiquei com aquela sensação de estar faltando algo e que simplesmente a autora precisava finalizar o livro mas sem se preocupar em desenvolver isso.

No geral é um livro bom de ler, por ter capítulos curtos a leitura flui. E a melhor coisa dessa leitura são os questionamentos que a história traz, o alerta de como é preciso nos posicionar e que sim, as coisas podem mudar e acabar acontecendo algo que não queremos que aconteça se não fizermos nada para impedir. 

“O mal triunfa quando homens bons não fazem nada. É o que dizem, não é?”
 Por Renata Kerolin
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