Crítica | Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral (2019)


Data de lançamento 21 de março de 2019 (1h 40min)
Direção: Halder Gomes
Elenco: Edmilson Filho, Miriam Freeland, Ariclenes Barroso+
Gênero: Comédia
Nacionalidade: Brasil

Pacatuba, interior do Ceará, 1980. A popularização da TV obriga Francisgleydisson (Edmilson Filho) a fechar seu adorado Cine Holliúdy e ir morar na casa da sogra, ao lado da esposa Maria das Graças (Miriam Freeland) e do filho Francin (Ariclenes Barroso). Após passar por uma experiência alienígena, na qual um amigo foi abduzido, ele tem a ideia de rodar um longa-metragem de ficção científica onde Lampião enfrenta os seres extra-terrestres. Para tanto, consegue o apoio do prefeito Olegário (Roberto Bomtempo) e de sua esposa Justina (Samantha Schmütz), candidata às próximas eleições.


Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral se passa nos anos 80, mais precisamente dez anos depois dos eventos ocorridos no primeiro filme. Agora a televisão chegou com força total às residências e o Cine Holliúdy já não tem mais público, fazendo com que Francisgleydisson tenha que passar o ponto adiante. O dono do cinema de Pacatuba "quebrou que apartou" e agora terá que ir morar com a esposa e o filho na casa da sogra, de favor. Em uma noite depois de "encher o rabo de cana", ele tem uma experiência extraterrestre. Isso fez com que ele tivesse uma ideia que lhe parecia genial: rodar um filme de ficção científica ali mesmo em Pacatuba, onde Lampião e seus cangaceiros lutassem contra os alienígenas. O problema era que ele estava "liso", de onde tiraria a "bufunfa" pra produzir esse filme? Contando com o "apoio" do prefeito Olegário e sua esposa, ex-quenga, Justina, Francisgleydisson, Graciosa e Francin, vão embarcar nesta aventura maravilhosa que é a produção audiovisual.  



É importante salientar que este filme está pronto há dois anos e na época em que estava sendo filmado o atual presidente do Brasil era Michel Temer, então esperem altos deboches com o então governo de Temer. Eu preciso dizer que eu me diverti muito com este filme, ri do começo ao fim, ri tanto que até chorei. 

A sequência de Cine Holliúdy veio com um humor muito mais inteligente e politizado que o primeiro, que na minha opinião tinha um plot fraco, o que salvava o filme era mesmo o nosso linguajar característico e o fato de ser um filme nacional legendado. O começo desta continuação já é hilário, que mostra Steven Spielberg meio bloqueado das ideias, vendo uma página de um jornal cearense falando sobre ETs, e então ele tem a ideia de fazer o filme ET: O Extraterrestre. Gente! Genial! 



O longa está cheio de críticas ao cenário político do Brasil, principalmente no arco dos vilões, que são o prefeito e sua sucessora, que odeiam os artistas e àqueles que pensam. Tem várias críticas também à religião e ao fanatismo religioso, que provoca uma verdadeira lavagem cerebral nos fiéis. O personagem do pastor, também protagonizado brilhantemente por Edmilson Filho, é hilário, e ao mesmo tempo que me provocou risos pelo exagero, também me deu uma raivinha básica por saber que aquilo ali foi retratado tal qual acontece dentro dos templos religiosos. Seja na maneira asquerosa como fala com a esposa de Francisgleydisson, seja nos absurdos que diz que a fé é capaz de realizar mediante o "dízimo" . Na minha opinião o núcleo religioso, se posso chamar assim, é um dos mais engraçados, e a junção da política com a religião na parte final do filme foi perfeitamente retratada. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Risos. 



A sequência com a luta das mulheres é incrivelmente divertida, só lembrei daqueles vídeo-games antigos. Muito legal mesmo. E a batalha entre os aliens e os cangaceiros é sensacional. Deu pra dar muita risada. Os personagens são super bem construídos, obviamente todos bem caricatos, mas um destaque especial vai para a sucessora do prefeito, Justina, interpretada por Samantha Schmutz, que é um retrato "cagado e cuspido" [sic] da direita, e para Milhem Cortaz, que interpreta o Zé Coveiro/Lampião. Foi interessante também ver Sérgio Malheiros num papel mais cômico, o garoto tem talento. 



Mas não dá pra não falar de Bolachinha, Falcão (Cego Isaías), entre outros ícones que nos fazem chorar de tanto rir. Eu amei A Chibata Sideral, na minha opinião está muito superior ao primeiro, tanto por causa do elenco de peso quanto pelas piadas, que estão infinitamente melhores também. Diferente do primeiro filme, que a gente ria só do nosso cearencês, esta sequência tem piadas realmente sagazes, mas devo confessar que, em certos momentos a linha entre a piada e a ofensa se torna muito tênue. 

O longa chega aos cinemas brasileiros hoje, dia 21 de março, e eu acho que vale super a pena o ingresso! Só vamos prestigiar o cinema nacional com esta obra que, em minha opinião, tem tudo para se destacar entre os melhores filmes nacionais do ano.


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Um comentário

  1. Oi Dana, tudo bem?
    Confesso que não me interessei por esse filme, mas amei ler a sua crítica.
    Beijos

    http://www.acordeicomvontadedeler.com/

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