Resenha | Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)


Holocausto Brasileiro
Daniela Arbex
R$ 37,99 até R$ 43,99
ISBN-13: 9788551004630
ISBN-10: 8551004638
Ano: 2019 / Páginas: 280
Idioma: português
Editora: Intrínseca

 Em reportagem consagrada, Daniela Arbex denuncia um dos maiores genocídios do Brasil, no hospital Colônia, em Minas Gerais
No Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, conhecido apenas por Colônia, ocorreu uma das maiores barbáries da história do Brasil. O centro recebia diariamente, além de pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solteiras, meninas problemáticas, mulheres engravidadas pelos patrões, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento, mendigos, alcoólatras, melancólicos, tímidos e todo tipo de gente considerada fora dos padrões sociais.
Essas pessoas foram maltratadas e mortas com o consentimento do Estado, médicos, funcionários e sociedade. Apesar das denúncias feitas a partir da década de 1960, mais de 60 mil internos morreram e um número incontável de vidas foi marcado de maneira irreversível.
Daniela Arbex entrevistou ex-funcionários e sobreviventes para resgatar de maneira detalhada e emocionante as histórias de quem viveu de perto o horror perpetrado por uma instituição com um propósito de limpeza social comparável aos regimes mais abomináveis do século XX. Um relato essencial e um marco do jornalismo investigativo no país, relançado pela Intrínseca com novo projeto gráfico e posfácio inédito da autora.


Não tem como eu falar de Daniela Arbex e não me emocionar ou babar. Sou fã demais dessa mulher e vou ler tudo o que ela publica enquanto eu viver.

O primeiro livro que li da Daniela foi Holocausto Brasileiro, há muitos anos, mas tive que reler nesta nova edição incrível que a Intrínseca fez. Um projeto gráfico totalmente diferenciado, mais bonito, moderno e impactante, como o título já sugere. 

Holocausto Brasileiro é um livro impactante. O livro-reportagem conta a história do Hospital Colônia, famoso hospital psiquiátrico de Barbacena/MG. O hospital Colônia era o maior hospital psiquiátrico do Brasil, possuía 16 pavilhões, que eram divididos entre homens, mulheres, crianças e adolescentes, etc. Quando criado em 1903, a previsão era para atender 200 pessoas e no entanto, em pouquíssimo tempo abrigava em condições sub-humanas mais de 5 mil pessoas. CINCO MIL PESSOAS.

Minha gente eu nem sei como começar essa resenha, primeiro porque não consigo expressar o horror que me causa essa história. Segundo porque o absurdo que aconteceu é tão grande que é até difícil acreditar - e aceitar - que tudo que está neste livro é 100% verídico.

Só para que vocês tenham ideia do absurdo, o Colônia recebia gente de todo lugar do Brasil, pois naquela época não precisava de muita coisa para atestar que uma pessoa era louca para simplesmente tirá-la de circulação. Eram enviados para o hospital pessoas como militantes políticos, mulheres que eram mães solteiras, prostitutas, homossexuais, filhas de fazendeiros que tinham perdido a virgindade, negros, mulheres que tinham sido abusadas, ou mesmo qualquer pessoa que apresentasse alguma ameaça aos interesses de quem tinha poder.

As pessoas quando chegavam lá, elas iam geralmente num trem chamado Trem de doidos com passagem só de ida, eram separadas por sexo, idade e características físicas. Eles passavam por todo tipo de torturas físicas e psicológicas, ficavam nuas, dormiam no capim ou no chão, não tinha comida suficiente e eles tinham que comer o que dá para comparar com a "lavagem" que se dá a porcos, passavam por eletrochoques, se eles se rebelavam, como castigo muitas vezes tinham que tomar "banho" num tanque de fezes, fora as agressões diárias. É de dar embrulho no estômago saber dessas coisas e saber que todo mundo sabia o que acontecia ali e ninguém fazia nada.

Daniela Arbex fez uma pesquisa extensa e extremamente rica sobre o Hospital Colônia e o resultado da sua investigação é este livro super necessário que deveria ser lido por todo mundo, pois esta é uma parte da história que geralmente não se fala. 

É até difícil escrever sobre o livro sem se sentir meio mal. A Daniela é uma jornalista super sensível e pode ter certeza de que esta leitura é tudo menos sensacionalista. Ela foi conversar com pessoas que trabalharam lá, foi em busca de pacientes e familiares, etc. A leitura de Holocausto brasileiro não é uma leitura leve, pelo contrário, é muito pesada, mas se você quer saber um pouco mais sobre essa parte da história do Brasil que, em termos, foi esquecida, recomendo demais! 

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